Opinião

A fórmula da Fórmula 1

Talento individual versus trabalho em equipe: como levar sua empresa ao pódio?

Sharon Menasce

Publicitária, especialista em neurociência e psicologia 23 de outubro de 2026 - 6h00

Nunca dei muita atenção para a Fórmula 1. Lembro do meu pai assistindo às corridas nos domingos pela manhã e da comoção pela morte do Ayrton Senna, mas costumava ser alheia ao esporte em si.

Esse ano, contrariando todas as possibilidades, fui arrebatada por ele ao assistir F1: Dirigir Para Viver, da Netflix. Comecei pela temporada atual, depois me rendi a todas as temporadas disponíveis e agora estou ansiosa pela próxima, que será lançada em 2027.

Vi a chegada de futuros campeões, Max Verstappen, Lando Norris e Kimi Antonelli, e a saída conturbada de Christian Horner. Descobri que a Fórmula 1 é um mercado de trabalho implacável, que quase não dá espaço a afetos ou erros. Teve piloto sendo demitido com menos de meia dúzia de corridas. Isso tem um peso ainda maior se você pensar que são apenas 22 vagas disponíveis e que a memória costuma ser curta, ou você performa todas as vezes que está na pista, ou muda de profissão.

A série traz os bastidores do esporte, equipes e personagens, quase um reality show corporativo. E nesse meu fetiche por observar comportamentos, confirmei o que sempre acreditei no meu próprio trabalho: equipes colaborativas são mais bem-sucedidas do que equipes que competem entre si.

Não adianta ter o melhor piloto disponível – aquele funcionário brilhante que toda empresa tem – se o resto do time não está alinhado. Todo mundo tem que trabalhar pelo mesmo objetivo e em sintonia. Na série, vi piloto indo pro box e perdendo segundos preciosos à toa porque os mecânicos não estavam esperando por ele, carro rodando na pista porque decidiram usar os pneus errados pras condições meteorológicas, equipe não pontuando porque seus dois pilotos bateram um no outro tentando sair na frente. Também vi campeão mundial perdendo pódio porque a estratégia traçada para ele foi completamente equivocada ou porque o motor falhou nas últimas voltas.

Colaboradores e áreas precisam estar bem alinhados sobre responsabilidades individuais e importância coletiva para o sucesso da empresa. Na Fórmula 1, a temporada tem dois vencedores: piloto e equipe. São dois campeonatos em um, ganham o piloto e a equipe que mais pontuarem no ano. Mas nem sempre os vencedores vêm do mesmo lugar.

Em 2024, por exemplo, o vencedor do campeonato dos pilotos foi Max Verstappen, da Red Bull Racing, e a equipe vencedora foi a McLaren. Um dos fatores que prejudicou a Red Bull Racing foi a performance do segundo piloto, o Sergio Pérez, colocando a equipe em terceiro lugar no ranking. Mesmo tendo o melhor piloto do campeonato, Max, o time perdeu mais de vinte milhões de dólares em premiação.

Não tem departamento mais ou menos importante, é como o avião MD-83 da Alaska Airlines que caiu por um parafuso mal lubrificado. Sim, esta história é real, um avião daquele porte pode cair por algo pequeno como um parafuso – resultado de processos falhos, claro. É como uma engrenagem em que uma peça impulsiona a outra, e uma falha pode comprometer todo o sistema.

Analogias de engenharia à parte, recomendo que todos assistam à série F1: Dirigir Para Viver. Para além de ficar a par das fofocas da Fórmula 1, ela é um excelente exemplo de marketing, tendo angariado muitos novos fãs para o esporte. Eu mesma comprei roupa de equipe, passei a assistir todas as corridas e estou em busca de um ingresso pra ir ao GP de Interlagos. Inclusive, se você tiver um sobrando, me manda DM no Linkedin. Sou uma excelente companhia.