Opinião

Cinco coisas que eu não deveria ter pedido às agências

Embora tenha acertado o suficiente para elas me perdoarem, seguirei me redimindo e incentivando o mercado a fazer pedidos melhores

João Branco

Professor e conselheiro 20 de outubro de 2026 - 6h00

Há alguns meses, compartilhei cinco arrependimentos de quando fui um CMO. Hoje, vou abrir o coração de novo, mas sobre… a relação com agências.

Trabalhei com profissionais incríveis. Fizemos muita coisa boa juntos. Mas, se voltasse a ser marketeiro, mudaria cinco coisas nos meus pedidos:

1. “Aumente o logotipo”

Admito: pedi muito isso. Eu tinha (e ainda tenho) a convicção de que anúncio sem clara presença de marca é dinheiro rasgado. De que adianta alguém gostar de uma carta e não saber quem é o remetente?

Mas, se eu precisei pedir TANTO isso, é porque não fui capaz de desenvolver uma linguagem suficientemente proprietária. Cores, jeito de falar, situações, sons e outros elementos também identificam uma marca.

Quando tudo depende do logotipo, a gente precisa colocar uma placa cada vez maior para “gritar” o nome de quem está comunicando. Isso deixa o marketing com mais “cara de marketing”… e reduz o seu resultado.

2. “Estude o cliente sobre isso”

Incentivar a agência a conhecer quem compra o que você vende é ótimo. Mas depender dela para descobrir o que o consumidor quer revela um problema grave.

Sinceramente: o profissional de marketing precisa ser a pessoa que mais entende de cliente. Isso vai ser fundamental para pedir as comunicações certas e para avaliar os trabalhos feitos.

Se a agência conhece o seu cliente melhor do que você, você tem um problema.

3. “Coloque uma celebridade na campanha”

Isso aconteceu poucas vezes. Mas, sempre que essa vontade aparecia, eu deveria ter investigado melhor: por que eu estava pensando nessa alternativa? Na maioria das vezes, eu estava tentando salvar uma campanha que ainda não era forte o suficiente. E celebridade não faz isso.

Use pessoas famosas na comunicação se fizer sentido, e não para tentar turbinar uma ideia fraca.

4. “Use influenciadores para se conectar com os jovens”

Essa é clássica. A marca percebe que está distante dos jovens e procura alguém que já tem a atenção deles. Parece um caminho rápido, mas o que acontece depois que termina o contrato?

Atualize seu tom de voz, construa pontes, faça “menos campanhas e mais conversas”, entenda como ser relevante para a nova geração.

DEPOIS, contrate creators como um complemento, para ampliar o que já é bom.

Não terceirize a construção de vínculo com um público. Uma marca não deve depender de outra pessoa para ser interessante.

5. “Faça para amanhã”

Esse foi o meu maior erro.

Hoje, estou do outro lado e percebo melhor quanto o prazo impacta a entrega. Pedir uma ideia genial em poucas horas é como pedir a um churrasqueiro para preparar uma costela de chão em quinze minutos na air fryer. Vai sair alguma coisa… mas não “aquela” refeição.

Boas ideias precisam de tempo. Boas execuções, de ainda mais.

Desculpem, agências. E obrigado pela paciência. Acho que também acertamos o suficiente para vocês me perdoarem, né? Mas vou seguir tentando me redimir, incentivando o mercado a fazer pedidos melhores.