Opinião

A digitalização impulsionando o empreendedorismo feminino

Tecnologia financeira simplifica a gestão e fortalece negócios liderados por mulheres

Aline Liston

9 de março de 2026 - 11h19

Quando dei meus primeiros passos no mundo dos negócios, há mais de duas décadas, empreender era bem diferente do que é hoje. Aos 12 anos, movida pelo desejo de independência, vendia produtos por catálogo, de cerâmicas e joias a cosméticos.

Sem CPF, sem conta bancária e longe de qualquer autonomia financeira formal, dependia dos talões de cheque do meu pai para viabilizar as vendas. Convencê-lo a me ajudar era parte do processo.

Hoje, olhando para trás, sempre me faço a mesma pergunta: e se eu tivesse começado a empreender em um cenário de pagamentos digitais, Pix, link de pagamento e conciliação automática? Muito provavelmente, teria vendido mais, e com menos barreiras. Naquela época, a burocracia e a complexidade eram um balde de água fria para qualquer jovem empreendedora.

Essa transformação não é apenas tecnológica. É estrutural.

Atualmente, à frente da área comercial de Pequenas e Médias Empresas da Getnet Brasil e após 20 anos de atuação no mercado financeiro, acompanho de perto como a digitalização dos meios de pagamento tem sido uma alavanca concreta de inclusão financeira e crescimento para mulheres empreendedoras.

O Brasil já soma mais de 10,5 milhões de mulheres donas de negócio, segundo levantamento do Sebrae e do IBGE publicado em fevereiro de 2026. Mais do que um número expressivo, trata-se de um movimento econômico consistente. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em 2025, aponta que a digitalização acelerada dos pagamentos, especialmente via Pix e links de pagamento, contribuiu para um aumento de até 35% no faturamento de pequenas e médias empresas lideradas por mulheres nos últimos dois anos. A tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser infraestrutura básica de competitividade.

Por trás desses dados existe um perfil muito claro: mulheres que, muitas vezes, sustentam suas famílias, administram múltiplas jornadas e encontram no empreendedorismo não apenas uma fonte de renda, mas um caminho de autonomia. Ao abrir um negócio, elas enfrentam desafios que vão da gestão operacional à superação de barreiras históricas de acesso a crédito e educação financeira.

Durante muito tempo, a complexidade dos serviços financeiros foi um entrave. Entender taxas, administrar diferentes sistemas, conciliar vendas, organizar fluxo de caixa, tarefas que deveriam impulsionar o negócio acabavam consumindo energia demais. A simplificação promovida pela digitalização muda essa lógica. Hoje, em poucos passos, é possível vender, receber, organizar e analisar resultados em um único ecossistema integrado. Isso não é apenas eficiência operacional. É inclusão produtiva.

Quando o setor financeiro investe em soluções intuitivas, transparentes e integradas, ele amplia o acesso e reduz desigualdades. Falar a linguagem das empreendedoras, entender suas rotinas e oferecer ferramentas que simplifiquem, e não compliquem, a gestão é parte fundamental dessa transformação.

No Dia Internacional da Mulher, é impossível dissociar o debate sobre igualdade de oportunidades da agenda de inclusão financeira. Empreender exige coragem. Mas crescer exige acesso.

As mulheres não estão ocupando espaços por concessão. Estão conquistando posições por competência, visão de negócio e capacidade de execução. Superar a síndrome da impostora e as barreiras estruturais é um exercício contínuo, e coletivo.

A digitalização democratizou o acesso. Agora, cabe a nós garantir que esse acesso se converta em protagonismo econômico.
Que a tecnologia siga destravando potenciais. E que a coragem das mulheres continue moldando o futuro dos negócios no Brasil.