Opinião

IA a favor da governança de marca

Fabrício Takahashi

CEO da Ruler Studio 26 de fevereiro de 2026 - 6h00

Trabalhando com marcas em diferentes estágios de crescimento, aprendi que marcas fortes não se constroem a partir de um único fator. Elas nascem de boas ideias, posicionamento claro, relevância cultural e, de forma essencial, da consistência ao longo do tempo. É na repetição coerente das decisões visuais, verbais e estratégicas que a identidade se consolida e ganha reconhecimento.

O desafio é que, à medida que a marca cresce, manter essa consistência se torna cada vez mais complexo. Mais canais, mais mercados, mais formatos, mais times e mais parceiros pressionam o sistema diariamente. No marketing e na operação, isso se traduz em urgência, volume e decisões rápidas. Sem estruturas adequadas, a marca deixa de ser apoio e passa a ser risco.

Vejo isso acontecer com frequência: retrabalho constante, peças refeitas, dúvidas recorrentes sobre tom de voz, aprovações que se acumulam e lideranças virando gargalo. Brandbooks estáticos, PDFs extensos e pastas compartilhadas ajudam a registrar a marca, mas não conseguem sustentá-la em movimento. Não acompanham a velocidade nem a complexidade do ambiente atual.

A marca precisa ser tratada como um sistema vivo. Um sistema que combine tecnologia e governança para orientar decisões no dia a dia. Não para controlar a criação, mas para dar clareza, reduzir fricção e permitir que os times criem com mais autonomia e segurança.

A IA permite que a governança de marca deixe de ser um documento consultivo e passe a operar como esse sistema vivo, ao transformar diretrizes em regras ativas.

Na prática, isso significa validar tom de voz, linguagem e consistência visual em tempo real, e acelerar fluxos de aprovação. Os guias de marca presentes no momento da criação e da execução. A governança deixa de ser um esforço manual para funcionar como infraestrutura contínua, acompanhando a velocidade e a complexidade das organizações atuais.

Quando essas diretrizes deixam de ser documentos e passam a ser estruturas acionáveis, o impacto é imediato: menos retrabalho, mais eficiência operacional e uma experiência mais coerente para o público. A marca viva, energética e reconhecível em todos os pontos de contato.

Para o jurídico, o impacto é igualmente relevante. Em vez de atuar de forma reativa, revisando peças uma a uma, o time passa a contar com camadas preventivas de governança. Agilidade, decisões mais seguras e uma operação de marca que escala sem perder controle.

Escalar marcas sem perder identidade não é sobre criar mais regras. É sobre desenhar melhores sistemas, que sustentem crescimento e evolução sem diluir sentido.