Creator economy merece um lugar de protagonismo?
Criadores ganham relevância estratégica e desafiam o mercado a repensar suas relações
Em Cannes, uma das mensagens mais consistentes deste ano foi que os criadores tornaram-se parte da maneira como marcas constroem relevância, participam da cultura e desenvolvem relações mais próximas com as pessoas. Essa transformação acompanha uma mudança mais ampla no comportamento da audiência que remodelou parte significativa na forma como a publicidade digital é consumida.
No Brasil, esse movimento ganha dimensões cada vez mais amplas, visto que os brasileiros estão entre os públicos que mais dedicam tempo às plataformas sociais. É lá que encontramos pessoas parecidas conosco e os criadores ajudam a organizar conversas, traduzem temas complexos, apresentam produtos e desenvolvem comunidades em torno de interesses compartilhados. Em casos já mais maduros, esses criadores vêm se tornando também empresas de mídia, estúdios criativos, empreendedores e agentes de distribuição. Com isso, fica evidente que a Creator Economy merece destaque nos debates.
À medida que os investimentos crescem, crescem também as perguntas sobre mensuração, transparência, segurança das marcas, responsabilidade, direitos autorais, contratos e modelos de colaboração. A discussão central é como construir relações que sejam estratégicas, sustentáveis e capazes de gerar valor para todos os participantes do ecossistema.
Esse amadurecimento exige uma mudança de perspectiva porque durante muito tempo a Creator Economy foi observada principalmente a partir de sua capacidade de gerar alcance – atributo que continua importante, mas que já não é suficiente para compreender sua dimensão. Também significa compreender que profissionalização não deve ser sinônimo de engessamento, visto que parte da força desse mercado está justamente na diversidade de linguagens, formatos, trajetórias e comunidades. O desafio está em construir estruturas que protejam essa autenticidade, ao mesmo tempo que estabeleçam relações mais claras, responsáveis e sustentáveis.
Precisamos avançar para uma visão que desenvolva indicadores mais consistentes, amplie a transparência das relações comerciais e crie referências capazes de dar mais segurança para marcas, plataformas e profissionais. E o Brasil tem muito a contribuir para esse debate. Nossa criatividade, nossa diversidade e a velocidade com que incorporamos novos formatos colocam o país em uma posição privilegiada. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que esse protagonismo aumenta nossa responsabilidade na construção de práticas que possam acompanhar a sofisticação do mercado.
Nos dias 15 e 16 de setembro, o Adtech & Branding 2026 será o ponto de encontro do mercado para debater o futuro da Creator Economy. Dentro do maior evento da publicidade digital do país, também acontece neste ano a IAB Global Creator Week, a primeira iniciativa da rede IAB globalmente coordenada para a indústria publicitária, conectando simultaneamente 26 países, em uma mesma semana, em torno de uma única temática.
Será uma oportunidade para o mercado se encontrar e se debruçar sobre os fundamentos necessários para sustentar seu próximo ciclo. A Creator Economy já provou sua capacidade de movimentar atenção, cultura e negócios. O próximo passo é garantir que essa potência seja acompanhada por critérios, responsabilidade e indicadores capazes de demonstrar seu impacto real.