Aos 40 anos, um festival mais espalhado, eclético e humano
O evento em Austin foca na essência humana, trocas orgânicas e na maturidade ética da tecnologia
Sem o Austin Convention Center (demolido para reforma) e sob nova direção, o SXSW celebra seus 40 anos num formato mais disperso pela cidade e misturando Innovation, Film&TV e Music ao mesmo tempo.
Tá chegando. E, como em toda edição, a pergunta que mais me fazem é: o que esperar do SXSX este ano? Em 2026, a resposta passa por três movimentos: um festival mais espalhado, mais eclético e ainda mais humano.
A julgar pelos Keynote speakers e pelas feature sessions que estão na programação, essa edição não será tão diferente como se previu. Nomes como Amy Web, Scott Gallaway, Brené Brown, Esther Perel, Rohit Bargava seguem firmes e fortes. Algumas figuras novas como Spileberg e o artista Tom Sachs entram no palco principal para trazer conversas novas.
O SXSW sempre foi espalhado por Austin. Esse ano será ainda mais. Estudando o app do evento, você percebe que programação se distribui pela cidade de uma forma bem dinâmica, o que exige mais planejamento geográfico, mas também abre espaço para uma experiência mais viva e menos centralizada.
E há um lado potente nisso. O festival volta a ocupar Austin de forma orgânica, nos trajetos, nos intervalos, nos encontros improváveis. Não vai caber tanto na agenda. E tudo bem. Ou talvez: que bom. O SXSW continua acontecendo justamente onde você não estava “procurando”.
Aos 40 anos, mais eclético do que nunca
O SXSW sempre foi híbrido, mas este ano essa mistura aparece de forma mais clara. Innovation, Film & TV e Music acontecem simultaneamente, cruzando públicos, conversas e repertórios.
Se antes estávamos acostumados a ver a cidade “trocar de turno” e sair do Innovation e ver o público da música chegar, agora tudo acontece junto.
O resultado tende a ser um festival mais diverso ainda, menos segmentado e com mais trocas inesperadas entre executivos, criadores, artistas e tecnólogos.
IA continua no centro, mas com outra conversa
A inteligência artificial segue dominante na programação, mas com uma abordagem mais madura. Menos sobre o que ela faz e mais sobre o que ela muda.
Keynotes como Rana el Kaliouby, Bob Safian e Aza Raskin apontam para essa virada: ética, impacto humano, decisões reais e o papel da tecnologia nas relações, na natureza e nas organizações.
A sensação é de sair do hype e entrar na consequência.
Social health ganha força (de vez)
Se teve um tema que abriu o ano passado e volta ainda mais forte agora é o social health. Kasley Killam ajudou a colocar o assunto no radar do SXSW e, nesta edição, ele aparece ampliado em várias sessões e conversas: conexão como ativo estratégico, comunidades como motor de cultura e pertencimento como diferencial competitivo.
Num mundo de exaustão, isolamento e excesso de estímulo, a discussão deixa de ser comportamental e passa a ser estrutural.
Cultura continua sendo parte da equação
O SXSW nunca foi só sobre tecnologia e isso continua evidente. Conversas com criadores, música ao vivo, estreias e encontros entre artistas e executivos reforçam que comportamento e cultura seguem sendo chave para entender tendências e consumo.
Mais do que assistir, vale observar como esses universos estão se misturando. É o caso do diretor Steven Spielberg e do artista Tom Sachs no palco principal. Arte, cinema, sociedade, processos em pauta no maior Festival de economia criativa do mundo.
Em resumo
O SXSW 2026 deve ser menos sobre concentração e mais sobre circulação. Menos sobre agenda perfeita e mais sobre repertório expandido.
Um festival sobre tecnologia, sim, mas principalmente sobre gente, conexões e novas formas de trabalhar, criar e se relacionar.
Nos vemos em Austin.