Conexão Austin

O que me leva a esta edição

Em um mundo incerto, o festival segue como espaço para refletir sobre tecnologia e os rumos do futuro

Juliana Elia

VP de Estratégia da Publicis Brasil 11 de março de 2026 - 19h14

“Ainda vale ir ao SXSW?” Essa é uma pergunta que aparece todos os anos. Eu sou uma entusiasta do festival e, em geral, sempre acho que vale. Mas este ano tenho essa convicção ainda mais forte.

O mundo tem um futuro incerto, o cenário internacional é uma bagunça e o festival propõe alguns dias de reflexão multidisciplinar. Como diz o bom e velho meme: “quem não estiver confuso, não está bem-informado.”

E, justamente por estar tão confusa, me parece uma baita boa hora de ir para lá, física ou metaforicamente.

Estamos vivendo uma transição profunda. Inteligência artificial, biotecnologia, robótica, novas economias criativas e mudanças culturais estão acontecendo ao mesmo tempo, e em velocidades difíceis de acompanhar. Nesse contexto, não refletir sobre os cenários possíveis pode custar oportunidades relevantes.

A verdade é que ninguém sabe exatamente qual será o rumo do mundo — nem quais serão os impactos dessas transformações nos próximos anos. Por isso, reservar alguns dias para ouvir, refletir e buscar intersecções entre temas atravessados pela tecnologia me parece uma excelente ideia para quem tem essa possibilidade.

O SXSW continua sendo um dos poucos lugares onde essas conversas acontecem de forma aberta e multidisciplinar.

Tecnologia, ciência, cultura, negócios e comportamento se encontram para discutir o que está mudando e, principalmente, o que ainda está por vir. Mais do que apontar tendências isoladas, o festival ajuda a conectar forças que estão moldando o futuro.

Historicamente, o SXSW também funciona como um radar dessas mudanças. Foi ali que discussões sobre cultura digital, economia dos criadores, inteligência artificial e novas formas de interação começaram a ganhar força muito antes de se tornarem parte do debate mainstream.

Entre os temas que mais me interessam este ano está a robótica. Depois de uma década marcada pela inteligência digital — softwares, plataformas e algoritmos — começamos a entrar em uma fase em que a inteligência ganha presença física no mundo. Máquinas inteligentes e novas formas de interação entre humanos e tecnologia prometem transformar desde a indústria até a vida cotidiana.

Como disse Yuval Noah Harari, este é um momento em que precisamos manter nossas opções abertas e desenvolver diferentes tipos de habilidades, especialmente intelectuais, sociais e motoras. A combinação dessas dimensões pode ser justamente o que garante nossa vantagem em relação à inteligência artificial.

Por isso, vou ao SXSW com essa recomendação em mente: manter meus pensamentos e reflexões o mais amplos possível.

Talvez essa seja hoje uma das melhores formas de navegar um mundo em transformação. E também a razão pela qual estou tão animada para voltar ao festival.