Jennifer B Wallace e os ingredientes para o bem-estar
Autora e jornalista elenca impactos da falta do senso de importância e expõe práticas para combater a epidemia de solidão e burnout
Por que, mesmo com uma onda de inovação, não há um desapego do passado? Da compra de discos antigos a restaurantes ambientados com a estética dos anos 90, a nostalgia generalizada tem se mostrado um escape de uma realidade tomada pela epidemia da solidão e crescentes casos de burnout.

Jennifer B Wallace foi uma das keynotes do “Crossover Day” entre o SXSW Innovation e Edu (Crédito: Giovana Oréfice)
O questionamento e justificativa, são, segundo a jornalista Jennifer B Wallace, uma tentativa de resgate de um sentimento cada vez mais escasso: o da importância. Ao lotado Salon HJK do Hilton Hotel, a apresentação da autora do recém lançado livro Mattering: The Secret to a Life of Deep Connection and Purpose e fundadora do The Mattering Institute ressoou como um lembrete — e alerta — de como navegar os tempos atuais.
“Líderes da tecnologia preveem que, nos próximos dez anos, os humanos talvez não sejam mais necessários para a maioria das tarefas. É difícil até imaginar um cenário assim. Não é à toa que a sociedade está recorrendo ao passado”, declarou. O maior desafio daqui para frente não será apenas acompanhar as máquinas, alertou, mas proteger uma necessidade humana fundamental.
Jennifer apresentou os ingredientes secretos para aumentar o senso de importância em diversas esferas da vida, do pessoal ao profissional:
Sentir-se significante ou importante
A cultura atual vem tornando a autenticidade cada vez mais difícil de ser exercida, diante das expectativas da sociedade, especialmente na era das redes sociais.
A busca pelo perfeccionismo excessivo, defendeu, vem minando a vulnerabilidade e gerando um afastamento da capacidade de criar conexões interpessoais. A partir daí, Jennifer citou o “beautiful mess effect”, fenômeno psicológico em que os indivíduos tendem a enxergar as vulnerabilidades de outros de forma mais positiva do que as de si próprios.
A significância, descobriu, não reside em grandes marcos, mas nos detalhes cotidianos e mundanos, como um colega que presenteia outro com seu lanche favorito ou um vizinho leva uma sopa a um amigo quando ele está doente.
Apreciação
É ter provas e evidências de que quem se é e o que está sendo feito fazem a diferença. E os ambientes de trabalho são exemplos concretos disso: uma vez que os colaboradores acreditam que seus trabalhos não estão diretamente ligados a essa percepção, o engajamento cai.
Sessões de feedback, exemplificou, têm o poder de aumentar o engajamento, diminuir a busca por outras vagas e gera reflexos até mesmo na vida pessoal. “O que acontece no trabalho não fica no trabalho”, pontuou. “Quando pessoas sentem-se subvalorizadas e invisíveis, o sentimento os segue até em casa”.
Preocupação e interesse
É sobre a ideia de ter alguém ao lado, que dá apoio. A exemplo do cornerman, do boxe, os coaches ou treinadores que prestam assistência e fornecem apoio durante uma luta.
Neste sentido, Jennifer alertou para o perigo da terceirização: as pessoas estão recorrendo ao mercado antes de amigos, vizinhos ou familiares para tarefas simples, mas que podem ser poderosas para a criar relações saudáveis de interdependência.
“Quando se aposta e acredita no sucesso do outro, a vitória e o crescimento passam a ser também dos próprios indivíduos. Psicólogos chamam isso de extensão do ego”, disse Jennifer.
Sentimento de dependência mútua
Ao longo do tempo, houve uma diminuição do quanto as pessoas dependem umas das outras. Além disso, há uma menor tolerância à fricções e pequenos inconvenientes que fazem parte de dividir a vida e se relacionar em comunidade.
A autora lembrou que relações profundas e saudáveis lembram, então, sobre a importância, apreciação, preocupação, cuidado e dependência. “Tão importante quanto construir um senso de importância nas pessoas com quem se importam, é perceber e se proteger das forças que o corrói”, concluiu.