SXSW

O que Austin nos lembra sobre sermos mais humanos

O SXSW 2026 foca em perguntas sobre a sensibilidade e a narrativa humana em um mundo automatizado.

Juliana Martellotta

Boiler Hub 11 de março de 2026 - 14h37

Dentro de poucos dias começa mais uma edição do SXSW em Austin. Esta será minha oitava vez no festival e, ao longo dos anos, fica mais forte a percepção de que o SXSW não é um lugar onde se vai para encontrar respostas e sim um lugar onde se aprende a fazer perguntas melhores.

Perguntas sobre tecnologia. Sobre criatividade. E, talvez a mais relevante neste momento, sobre o papel do ser humano em um mundo cada vez mais automatizado.

Como executiva do Boiler Hub, meu trabalho é lidar todos os dias com pessoas, talento e sensibilidade criativa. Produção audiovisual é, essencialmente, gestão de energia humana. Diretores, criativos, técnicos, clientes e equipes inteiras trabalham juntos para transformar uma ideia ainda abstrata em algo real.

Por isso, chego ao SXSW com um olhar muito específico. Menos interessada na tecnologia como espetáculo e mais curiosa sobre o que ela provoca no comportamento das pessoas.

E neste ano o festival parece girar justamente em torno dessa tensão.

Entre as sessões que pretendo acompanhar estão discussões sobre o impacto real da inteligência artificial. O debate passa pelas oportunidades que surgem, pelos riscos envolvidos e pelas questões de propriedade intelectual. Ao mesmo tempo, diversos painéis apontam para algo aparentemente simples, mas cada vez mais essencial que é o valor do instinto humano, do gosto e da emoção no processo criativo.

Se tudo pode ser otimizado por algoritmos, onde passa a morar o diferencial humano?

Essa questão aparece de várias formas na programação. Há debates sobre quem prevê melhor o futuro, humanos ou máquinas. Há reflexões sobre criatividade em uma era posterior à inteligência artificial. E há conversas que voltam milhares de anos no tempo para discutir algo muito básico. A forma como contamos histórias.

É curioso perceber que, quanto mais avançamos tecnologicamente, mais retornamos às perguntas fundamentais sobre narrativa, imaginação e sensibilidade.

Talvez por isso um dos temas mais recorrentes do SXSW continue sendo algo muito antigo, as Estórias