O que Austin nos lembra sobre sermos mais humanos
O SXSW 2026 foca em perguntas sobre a sensibilidade e a narrativa humana em um mundo automatizado.
Dentro de poucos dias começa mais uma edição do SXSW em Austin. Esta será minha oitava vez no festival e, ao longo dos anos, fica mais forte a percepção de que o SXSW não é um lugar onde se vai para encontrar respostas e sim um lugar onde se aprende a fazer perguntas melhores.
Perguntas sobre tecnologia. Sobre criatividade. E, talvez a mais relevante neste momento, sobre o papel do ser humano em um mundo cada vez mais automatizado.
Como executiva do Boiler Hub, meu trabalho é lidar todos os dias com pessoas, talento e sensibilidade criativa. Produção audiovisual é, essencialmente, gestão de energia humana. Diretores, criativos, técnicos, clientes e equipes inteiras trabalham juntos para transformar uma ideia ainda abstrata em algo real.
Por isso, chego ao SXSW com um olhar muito específico. Menos interessada na tecnologia como espetáculo e mais curiosa sobre o que ela provoca no comportamento das pessoas.
E neste ano o festival parece girar justamente em torno dessa tensão.
Entre as sessões que pretendo acompanhar estão discussões sobre o impacto real da inteligência artificial. O debate passa pelas oportunidades que surgem, pelos riscos envolvidos e pelas questões de propriedade intelectual. Ao mesmo tempo, diversos painéis apontam para algo aparentemente simples, mas cada vez mais essencial que é o valor do instinto humano, do gosto e da emoção no processo criativo.
Se tudo pode ser otimizado por algoritmos, onde passa a morar o diferencial humano?
Essa questão aparece de várias formas na programação. Há debates sobre quem prevê melhor o futuro, humanos ou máquinas. Há reflexões sobre criatividade em uma era posterior à inteligência artificial. E há conversas que voltam milhares de anos no tempo para discutir algo muito básico. A forma como contamos histórias.
É curioso perceber que, quanto mais avançamos tecnologicamente, mais retornamos às perguntas fundamentais sobre narrativa, imaginação e sensibilidade.
Talvez por isso um dos temas mais recorrentes do SXSW continue sendo algo muito antigo, as Estórias