SXSW

O que Austin pode nos ensinar sobre o futuro?

Decodificar o hype para focar no que é infraestrutura: a IA agora busca devolver humanidade às conexões

Matheus Diniz

Head de marketing e comunicação da AI-CHA BR 12 de março de 2026 - 16h50

Todos os anos, quando o SXSW acontece em Austin, a mesma pergunta reaparece, quase
como um ritual da indústria de inovação: como separar o hype daquilo que realmente se
tornará infraestrutura de negócios? Em um ecossistema saturado por promessas
tecnológicas, essa talvez seja a pergunta mais valiosa que um evento como esse pode
provocar.

Na edição que marca os 40 anos do festival, algo parece ter mudado no tom das
conversas. Nos últimos anos, a inteligência artificial ocupou o palco principal como
espetáculo: demos impressionantes, novas ferramentas surgindo diariamente e a
sensação constante de que estávamos vendo o início de uma nova revolução digital.

Mas em Austin, desta vez, a narrativa evoluiu.

A discussão já não gira apenas em torno de “o que a IA é capaz de fazer”. O foco começa a
migrar para uma pergunta mais profunda: como a IA pode devolver humanidade às
experiências digitais?

Essa mudança é particularmente relevante para quem trabalha nas interseções entre
branding, performance e comportamento digital. A tecnologia deixou de ser apenas um
diferencial técnico e passou a ser um meio para algo maior: reconstruir conexões sociais
em um ambiente cada vez mais mediado por algoritmos.

Nesse contexto, dois temas ganharam destaque entre os debates e painéis: creator
economy e social connection.

A creator economy já não é vista apenas como um ecossistema de influenciadores, mas
como uma nova infraestrutura de mídia. Criadores estão se consolidando como
plataformas de distribuição cultural, capazes de gerar comunidades, narrativas e
confiança, ativos que marcas tradicionais ainda lutam para construir em ambientes
digitais fragmentados.

Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que as redes sociais estão passando por uma
transição silenciosa. O modelo centrado em alcance e viralização começa a dar lugar a
experiências mais comunitárias, nichadas e relacionais. Em vez de simplesmente
maximizar visualizações, as marcas começam a buscar algo mais escasso: conexão
genuína.

Diante do volume quase infinito de conteúdos, painéis e tendências apresentados em um
evento como o SXSW, acompanhar tudo se torna praticamente impossível. Por isso, cada
vez mais ganha valor a curadoria inteligente, aquela que não apenas relata o que
aconteceu, mas traduz o que realmente importa.

Nesse sentido, tenho acompanhado a leitura de duas profissionais que admiro
profundamente e que estão decodificando Austin em tempo real.
Janice Mendes, especialista em comunicação e estratégia, tem um olhar preciso para as
intersecções entre marca, comportamento e novas mídias. Sua curadoria ajuda a entender
como as narrativas estão sendo reescritas e quais mudanças culturais realmente merecem
atenção.

Já Raquel Monreal Zeppelini, com uma trajetória sólida em eventos e experiências de
marca, mergulha no que há de mais inovador em ativações e engajamento. Sua leitura
mostra como o live marketing está se fundindo com novas tecnologias para criar
experiências cada vez mais imersivas e memoráveis.

No fundo, eventos como o SXSW não servem apenas para prever o futuro. Eles ajudam
algo muito mais importante: construir repertório.

O futuro raramente nasce de uma única tecnologia ou de uma tendência isolada. Ele
emerge da combinação entre dados, cultura, comportamento e experimentação. E é
exatamente dessa necessidade que nasce a TrendDecode, um hub de conteúdo e insights
criado para ajudar a traduzir movimentos globais em oportunidades concretas para o
varejo brasileiro. A ideia é simples: transformar excesso de informação em decodificação
estratégica.

Porque, no fim das contas, o futuro não é algo que simplesmente acontece. Ele é
construído por quem consegue interpretar sinais antes dos outros