O que há por trás das marcas de US$ 1 bilhão
Marcas longevas e bem sucedidas são reflexo dos consumidores e aquelas que se preparam para o esperado - e o inesperado - a longo prazo
O que Skims, Good American e Safely tem em comum? São marcas bilionárias que têm a empreendedora Emma Grede entre os fundadores. Ela já figurou na lista das Forbes como uma das mulheres mais ricas dos Estados Unidos que construíram sua própria fortuna e é convidada frequente do Shark Tank.
Conselheira e líder à frente de grandes empresas, buscou responder, no painel Culture Meets Commerce: Building the Next $1B Brand, o que há por trás do sucesso – e também como será o futuro – de organizações.

Emma Grede e Alisson Furman, da PwC: marcas bem sucedidas entendem os consumidores e antecipam suas necessidades (Crédito: Giovana Oréfice)
“O constante contato e escuta do cliente realmente mudam a forma como o negócio funciona. Construímos essa prática de falar continuamente com nossos clientes e envolvê-los no processo de tudo aquilo que levamos ao mercado. É como um músculo: quanto maior a prática, mais passa a fazer parte do comportamento”, afirmou Emma.
Neste sentido, a empreendedora aponta a necessidade da cultura para manter a marca informada, mas a inovação, de fato, é o termômetro do sucesso.
“Se não levamos inovação ao mercado e ficamos constantemente esperando para ver o que está acontecendo do lado de fora, perdemos timing”, defende. “Grande parte do que fazemos tem a ver com inovação de verdade, coisas que nunca existiram antes, e com levar aos clientes soluções que eles nem sabiam que precisavam”.
Transformações do commerce ao escritório
No final do ano passado, o ChatGPT lançou a funcionalidade de pesquisa de compras. A solução da OpenAI permite que os usuários consultem produtos e comprem diretamente pelos links recomendados pelo chatbot. Em janeiro, o Google apresentou ferramenta semelhante por meio do Gemini, seu assistente de inteligência artificial.
Em um intervalo de cinco anos, apostou Alisson Furman, líder de consumer markets da PwC, organizações dependerão da capacidade de serem legíveis e detectáveis pelos agentes tecnológicos. Assim, aumentam não só as possibilidades de terem seus produtos recomendados no ambiente do comércio agêntico, mas também a quantidade de dados gerados por meio do novo mecanismo de pesquisa.
“Pouquíssimas marcas estão, de fato, estruturadas neste sentido. Ainda não existem tantos métodos de pagamento configurados e a experiência do usuário ainda é truncada. Há muitos problemas. É algo inicial, ainda imaturo”, desenhou Alisson. “Mas isso vai amadurecer e evoluir. E, especialmente para as gerações mais jovens, o que importa muito é um comércio sem fricção”, completou.
Ela ainda criticou o fato de que muitas empresas, até mesmo as que não têm os jovens como público alvo, não estão prestando atenção suficiente às gerações Z e Alpha, nativas digitalmente e na era da IA, respectivamente. “A fatia do consumo que elas representam hoje ainda é relativamente baixa”, justificou.
Em dois anos, a geração Alpha completará 18 anos e estará pronta para ingressar no mercado de trabalho e exercer maior poder de compra. Um estudo da Razorfish apresentado pela CEO, Dani Mariano, durante a sessão The Creator Strategies Needed to Reach Gen Z & Gen Alpha, estima que a geração Alpha influencie mais de 50% das decisões de compra nos lares. Também ditam tendências que influenciam no comportamento de gerações mais velhas. Globalmente, o grupo já tem aproximadamente US$ 100 bilhões de dólares em fundos discricionários próprios para gastar.

Painel reuniu lideranças de marketing da Samsung Electronics e Whataburger, junto à creator Brooke Miccio (Crédito: Giovana Oréfice)
Segundo Allison Stransky, CMO da Samsung Electronics America, é preciso desmistificar a crença de que as novas gerações são desengajadas ou desinteressadas. “O que esta acontecendo é que eles estão interagindo com as comunidades de forma diferente e tendo novas formas de comunicação”, explicou.
Ainda, engajam-se mais em experiências offline. O hábito tem feito com que muitas marcas que não eram originalmente direct-toiconsumer (DTC) passem a ter maior presença em lojas físicas. Para marcas e varejistas, recomendou a especialista da PwC, é preciso desenhar a jornada de consumo para as novas gerações, mais ambientada, fragmentada e com demandas específicas, como uma exclusividade acessível, citou, uma vez que valorizam edições limitadas e colaborações exclusivas que gerem senso de escassez e orgulho do pertencimento.
A criação de estratégias que ressoem com as novas gerações está relacionada, em grande parte, a quem as cria. Segundo Emma, uma organização deve ser o reflexo dos consumidores, e isso inclui tê-los dentro dos escritórios, abandonando estruturas rígidas e priorizando habilidades como flexibilidade e adaptação à novas soluções.
No ambiente de trabalho, os casos iniciais de uso envolvendo a inteligência artificial apontam muito para o ganho de produtividade. A empreendedora negou que já esteja vendo benefícios na aplicação das soluções.
Na contramão, indicou que sua prioridade tem sido proteger a todos os custos o ativo humano. “A conexão emocional com os clientes não pode ser resolvida de outra forma senão por meio do contato humano e da compreensão profunda. Garantimos que as pessoas façam o que sabem fazer de melhor: criar soluções criativas para qualquer problema de negócio”, descreveu.

