Como funciona a Phia, agente criado pela filha de Bill Gates?
Agente de moda de Phoebe Gates e Sophia Kianni usa dados do consumidor para personalizar lista de compras
O funil de compras está ameaçado. Com a ascensão dos agentes autônomos, as fases da pesquisa e da descoberta serão menos frequentes na jornada de compra do consumidor. O varejista passa a competir diretamente com bots que compreendem o comportamento do usuário, seus gostos, seu orçamento e faz uma seleção de produtos interessantes sem a intermediação de marcas.
Representando o lado dos agentes, Phoebe Gates, filha de Bill Gates, esteve no SXSW para apresentar a estratégia por trás da Phia, uma assistente de compras com base em inteligência artificial, junto com a sua co-fundadora Sophia Kianni.

Phoebe Gates e Sophia Kianni: autonomia e criatividade são diferenciais na era da IA (Crédito: Thaís Monteiro)
A Phia nasceu de uma frustração das fundadoras com a fragmentação do e-commerce e do esforço manual necessário para buscar itens de moda de qualidade e com preço justo. A Phia, então, foi desenvolvida como uma extensão do Chrome que identificava itens de segunda mão que se pareciam com o item que o usuário buscava.
Ao perceber que a maioria das compras online de vestuários ocorre no mobile, a empresa desenvolveu um aplicativo e passou a incorporar mais elementos gráficos para facilitar a transmissão de informações para o usuário.
“A principal coisa que percebi ao construir um produto de consumo é que você sempre precisa simplificar ainda mais do que imagina. Muitas das interfaces que construímos expunham dados para o cliente — preço, pontuações, muitas explicações em texto. Foi curioso perceber que isso, na verdade, desencorajava as pessoas a comprar. Elas sentiam que estavam enfrentando uma sobrecarga de informação. Comprar é uma atividade intrinsecamente muito visual. Nenhuma quantidade de informação excessiva realmente tornava a experiência mais fácil para o cliente”, dividiu Phoebe.

Era dos agentes ameaça fidelidade às marcas
Através da IA, as recomendações passaram a ser personalizadas com base no comportamento de compra e pesquisa do usuário no app.
Atualmente, a plataforma trabalha também com varejistas. São cerca de 7 mil marcas parceiras e 350 milhões de itens indexados. Os produtos de segunda mão continuam presentes na Phia, que incentiva a economia circular. Conforme Phoebe, os consumidores não buscam itens de segunda mão pela sustentabilidade e se questionam se o valor e a qualidade do produto perdurará ao longo do tempo.
Por isso, a Phia oferece incentivos para esse investimento, como descontos para produtos de outras marcas a cada peça usada adquirida.
IA versus criatividade
Para as executivas, a IA diminui a barreira entre a ideia e o protótipo, uma vez que as ferramentas permitem que pessoas sem conhecimento sobre programação possam criar códigos complexos e completos.
Segundo Sophia, a IA torna todos geradores de ideias, mas destaca aqueles que tiverem ideias únicas e identificarem o desejo do público, coisas não acessadas naturalmente pela IA. “Criatividade é o maior diferencial quando se trata de quão bem-sucedido você pode se tornar. Trata-se da qualidade das suas ideias e da qualidade das suas decisões. E acho que isso será um grande alpha para pessoas naturalmente criativas, que cresceram estudando campos mais ligados à criatividade”, afirmou.
Marketing baseado em comunidade
O marketing da empresa é feito no digital com o intuito de formar comunidades. O podcast The Burnouts, no qual as fundadoras entrevistam líderes de empresas e documentam a jornada da Phia, se tornou um canal importante de construção de marca. O custo de aquisição de usuários diminuiu consideravelmente com o lançamento do podcast, disse Sophia.
“Comunidade sempre foi a nossa estrela-guia. Sabíamos que não teríamos nenhuma chance de competir no mercado com empresas enormes, com orçamentos gigantes de publicidade, a menos que tivéssemos algum tipo de flywheel orgânico, algo que fizesse as pessoas pensarem: ‘Essas pessoas estão vindo até mim. Talvez eu deva testar o aplicativo delas, talvez eu dê uma chance, talvez eu esteja disposto a dar feedback porque sinto que faço parte dessa jornada’. Você precisa ter algum tipo de marca, mas também precisa gerar valor para a comunidade. Nos episódios de Burnouts, por exemplo, você nunca vai nos ver dizendo ‘vá baixar o app’. O objetivo desses episódios é criar valor para a comunidade. Também é útil para mim e para a Sophia passar uma hora por semana conversando com alguém que realmente admiramos e aprendendo com essa pessoa — e depois devolver todo esse conhecimento para a nossa comunidade”, explicou Phoebe.
Critérios de recrutamento
A meta da Phia é a meta é que cada colaborador consiga realizar o trabalho de 10 pessoas através do uso de ferramentas de IA.
A empresa contratou um profissional dedicado exclusivamente à construção de agentes de IA para todos os departamentos. Conforme Sophia, o uso de agentes aumentou a produtividade em 10 vezes em todas as divisões da companhia, incluindo marketing, parcerias e finanças.
As fundadoras frisaram que o principal critério de contratação para colaboradores é capacidade proativa de resolver problemas e automatizar fluxos, mas que a experiência no uso de IA é importante. A Phia estimula o uso da IA entre os funcionários, seja assinando as plataformas que eles desejam ou na promoção de conversas e workshops sobre o uso da IA nos processos.
Como uma empresa fundada por jovens da Geração Z, a Phia tem métodos de contratação não convencionais. A maioria dos currículos chegam para ela nas mensagens diretas do Instagram e elas também buscam ativamente talentos via Instagram. Como fase inicial do processo, os candidatos devem responder três perguntas: Quem é você? O que você fez no passado? O que você quer fazer com a Phia? Como você seria capaz de resolver um problema para a empresa?

