Quanto mais digital o mundo, mais vale o evento presencial
Eventos presenciais são o único formato imune à IA e funcionam como o validador supremo de confiança e verdade
No momento em que a inteligência artificial generativa consegue reproduzir rostos, vozes e narrativas inteiras, uma pergunta simples passou a mover executivos de marcas no maior festival de inovação do mundo. O que ainda não pode ser falsificado? A resposta, apresentada no SXSW 2026, é a presença física.
Na palestra “The Present and Future of Live Experiences”, o especialista em indústria de eventos Julius Solaris, fundador da Boldpush, defendeu que os encontros presenciais tornaram-se o único formato de comunicação imune à reprodução artificial. Sua tese reorganiza prioridades para quem trabalha com branding e live marketing e define um cenário onde o evento ao vivo deixa de ser ferramenta de alcance e passa a funcionar como validador de confiança. Uma pesquisa citada durante a palestra destacou que 77% das pessoas afirmam confiar mais em eventos presenciais do que em qualquer outro canal de comunicação. Afinal, o encontro presencial exige o que nenhum algoritmo consegue simular: conexões humanas genuínas em tempo real.
Essa perspectiva encontra relação direta com o que já vem acontecendo no Brasil. No ano passado, tivemos o privilégio de receber Solaris para o OASIS Connection, evento da Bop Comunicação que surgiu com a missão de transformar o setor por meio de inovação, autenticidade e conexões que fogem do superficial. Todo o trabalho de branding, do nome ao conceito, do storytelling à identidade visual, foi construído em torno de uma crença que o especialista agora dispara em escala global, a de que o evento é uma ferramenta estratégica de diferenciação.
A tecnologia, nesse contexto, deixa de ser o fim para potencializar a humanidade presente em cada interação. Tanto que Solaris fala em uma “nova era de ouro dos eventos”, impulsionada principalmente pela busca por experiências reais. O objetivo passa a ser criar um ambiente onde a identidade da marca e o propósito do encontro sejam tão tangíveis que se tornem inesquecíveis para o participante.
Solaris também foi enfático em Austin ao dizer que os eventos não podem continuar sendo tratados como canais unidirecionais de transmissão de informação, para isso, o digital é mais eficiente e muito mais barato. O diferencial do presencial está na troca que acontece nos intervalos, no happy hour, na energia coletiva de uma sala e na construção de memórias que o código binário ainda não consegue replicar. É o momento em que a marca deixa de ser uma interface e passa a ser uma presença ativa.
Ver essas tendências confirmadas no maior palco de inovação do mundo reforça uma convicção que orienta o nosso trabalho na Bop há anos. Em um mercado saturado de reproduções, o que é único e presencial torna-se o mais importante para posicionamento de longo prazo e construção de confiança. O futuro das experiências ao vivo será definido pela capacidade das marcas de criar ambientes onde o propósito seja sentido e compartilhado sem filtros entre a empresa e as pessoas que ela quer alcançar.