Serena Williams e o papel do storytelling no impacto social
Em parceria com a Reckitt e a Acumen America, atleta apoia startups com soluções focadas na saúde
Em junho do ano passado, durante o Cannes Lions, a tenista 23 vezes campeã do Grand Slam e empreendedora Serena Williams anunciou uma parceria com a Reckitt no projeto de impacto social Reckitt Catalyst.

Serena Williams no SXSW 2026 (Crédito: Reprodução)
Com um investimento de aproximadamente US$ 400 milhões, a iniciativa se propõe a fomentar e acelerar 200 empreendedores e pequenas startups no campo da saúde e necessidades básicas de higiene até 2030 em mais de 15 países, incluindo da América Latina.
Serena foi a primeira apoiadora do projeto ao lado da Reckitt e da Acumen America, empresa de capital de risco focada em impacto social. Quase um ano após o anúncio, companhia e atleta escolheram o palco do SXSW para dividir os frutos da parceria.
Cofundadora e managing partner da Acumen, Catherine Casey Nanda, abriu o painel explicando que, embora o conceito de equidade na saúde possa parecer simples, ele ainda está longe de ser uma realidade global.
“A realidade atual nos Estados Unidos é que o seu CEP determina mais a sua expectativa de vida do que o seu próprio código genético. Aqui em Austin, por exemplo, bairros com apenas cinco ou seis quilômetros de distância apresentam uma diferença na expectativa de vida de quase 20 anos, devido ao acesso desigual a médicos, alimentação, educação e outros recursos”, apontou Nanda.
Ela destaca que, embora muitos empreendedores sociais trabalhem para mudar esse quadro, eles seguem “ignorados e subfinanciados por causa de sua aparência ou de onde vêm. Para Serena, a posição de investidora não é nova. A atleta investe em venture capital há mais de vinte anos.
“Como VCs (venture capital), costumamos buscar números gigantescos e retornos altos — o que é ótimo, diga-se de passagem. Essa é uma das coisas que eu adorei no Catalyst. Estamos apoiando financeiramente empreendedores e outros profissionais, incluindo mais de 200 mulheres e empreendedores sub-representados que estão, de fato, resolvendo problemas em suas comunidades locais”, afirmou a atleta.
Tecnologia para o impacto social
Entre os negócios apoiados está a Malama Health, uma startup dedicada à saúde materna especialmente no pós-parto. A empresa combina o trabalho de doulas comunitárias e tecnologia de monitoramento remoto para preencher as lacunas sistema tradicional e reduzir o número de mortes relacionadas ao pós-parto e puerpério.
Outra iniciativa que recebeu investimento do projeto é a Thrivelink, criada por Kwamane Liddell, que desenvolveu agentes de IA baseados em voz que pelo contato telefônico ajuda famílias a acessarem serviços básicos de alimentação, moradia e transporte.
O projeto começou como uma organização sem fins lucrativos e cresceu para atender hospitais e seguradoras em mais de 17 estados.
“Para nós, como especialistas em investimentos de risco, quando avaliamos onde investir, queremos ouvir algo que seja autêntico. Às vezes, vemos pessoas investindo em algo apenas porque é um mercado inexplorado e há muito dinheiro a ser ganho, mas não existe uma conexão real ali. Nesses casos, os empreendedores não têm aquela determinação de persistir e questionar”, analisou Williams.
Para ela, isso impacta diretamente a maneira como eles apresentarão seus negócios para o mundo. “O storytelling é obviamente super importante. Você precisa ser capaz de contar sua história de uma forma tão grandiosa que todos aqui, após ouvirem essas duas histórias, provavelmente ficaram tocados. É isso que você quer que os empreendedores façam. Seja em um projeto comunitário ou em uma inteligência artificial, você quer sentir que há uma conexão verdadeira”.

