O que aconteceu com o metaverso e as NFTs?
Resultados abaixo do esperado e boom da IA fizeram marcas migrarem seus investimentos em Web3
Há cerca de cinco anos, em isolamento social por conta da pandemia da Covid-19, ativos tecnológicos e imersivos começaram a ganhar força. Para oferecer espaços de socialização, as big techs passaram a promover o conceito de metaverso. No universo das tecnologias intangíveis, outro ativo que se destacou foi as NFTs (sigla para token não-fungível).
As marcas embarcaram na tendência, fazendo ações de marketing em jogos eletrônicos, como Fortnite e Grand Theft Auto (GTA), e coleções em NFTs. Havaianas, Brahma, Outback e Reserva foram algumas que aproveitaram o hype da Web3.
Onde o metaverso perdeu o fôlego?
Com o fim da pandemia e a retomada das atividades presenciais, a presença de público e marcas no metaverso ou no universo das NFTs também reduziu. Em parte, essa debandada se explica pela substituição do tempo de tela por interações físicas.
No entanto, na avaliação de especialistas em publicidade e finanças, os investimentos feitos não atingiram as expectativas de resultado imediato por conta do cenário macroeconômico e do ciclo de maturação da tecnologia. Em substituição, o mercado começou a se dedicar a outra tecnologia com grande escala e impacto imediato: a inteligência artificial.
Ciclo de maturação e a ascensão da IA
Em entrevista ao Meio & Mensagem, a co-fundadora da Rito e Layer Two, Catarina Papa, destaca que a experimentação de tecnologias incipientes faz parte de um ciclo de aprendizado no qual não se deve exigir retorno financeiro imediato.
Já Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV EAESP, e Vitor Amos, vice-presidente de estratégia da F.biz, explicam as engrenagens por trás do realinhamento desse mercado. Enquanto Claudia detalha como o “efeito manada” e o FOMO (sigla para “medo de ficar de fora”, em inglês) impulsionaram investimentos precipitados de marcas durante o isolamento na pandemia, o executivo da agência compartilha como o cenário macroeconômico global, com juros altos, e a ascensão da inteligência artificial alteraram a rota das verbas de inovação.