70% das mulheres com deficiência nunca foram promovidas
Levantamento revela barreiras estruturais na ascensão de carreira e expõe desigualdades persistentes no mercado de trabalho

(Crédito: Shutterstock)
Cerca de 70% das mulheres com deficiência ou neurodivergentes nunca receberam uma promoção ao longo da carreira, segundo dados do Radar da Inclusão 2025, iniciativa da Talento Incluir em parceria com o Pacto Global da ONU no Brasil e o Instituto Locomotiva .
O dado, apresentado no recorte de gênero da pesquisa, evidencia um gargalo crítico na trajetória profissional dessas mulheres: mais do que acessar o mercado de trabalho, o desafio está em avançar dentro dele. De acordo com o levantamento, o índice de ausência de promoção entre mulheres supera o de homens (63%) e reforça a dificuldade de progressão em ambientes corporativos ainda pouco inclusivos.
A pesquisa ouviu 1.765 pessoas em todo o Brasil, sendo a maioria pessoas com deficiência ou neurodivergentes, e mostra que a desigualdade não se limita ao crescimento na carreira. Antes mesmo da contratação, 78% dos respondentes, em média, dizem já enfrentar dificuldades em processos seletivos por conta de sua condição, evidenciando barreiras que começam na porta de entrada do mercado. Entre as mulheres, o número sobe para 81%.
Entre as mulheres, os desafios são ainda mais acentuados. Além da menor mobilidade profissional, elas também relatam maior percepção de desvalorização e inadequação dos processos seletivos. Segundo o estudo, 73% se sentiram desvalorizadas ao receber ofertas abaixo de sua qualificação, e mais da metade identificou falta de preparo de recrutadores para conduzir processos acessíveis.
Falta de acessibilidade e capacitismo
Outro ponto estrutural destacado pelo levantamento é a falta de acessibilidade, considerada um dos principais fatores que sustentam a exclusão. Essa barreira impacta não apenas o acesso ao emprego, mas também a permanência e o desenvolvimento profissional.
A pesquisa também aponta que apenas 54% das pessoas empregadas receberam algum tipo de treinamento técnico ou comportamental nos últimos 12 meses, e, entre essas, menos da metade considera os formatos totalmente acessíveis, o que limita ainda mais as oportunidades de crescimento.
O capacitismo também é frequente para a maioria das pessoas entrevistadas. Em média, 86% já passaram por situações do tipo na vida. No mundo corporativo, o índice é de 77%, e 63% das mulheres apontam que a ocorrência partiu de um superior, enquanto 60% afirmam ter vindo de colegas de equipe.