PERFIL

Como Karina Sato transformou a carreira da irmã em negócio

Executiva criou Sato Rahal para agenciar Sabrina Sato, mas logo ampliou casting e projetos proprietários

i 4 de novembro de 2026 - 12h22

Karina Sato, cofundadora e CEO da Sato Rahal (Crédito: Arthur Nobre)

Karina Sato, cofundadora e CEO da Sato Rahal (Crédito: Arthur Nobre)

Na casa da família Sato, em Penápolis, no interior do estado de São Paulo, cada irmão tinha seu papel. Na loja de roupas familiar, as irmãs ajudavam a mãe a tocar o negócio. Dobravam as roupas, atendiam os clientes, mas também brincavam de fazer desfiles. A estrela era Sabrina. Quando a família comprou sua primeira câmera filmadora, ela vivia no holofote. Karina e Karim, por outro lado, fugiam do cameraman, seu pai. Mais tímida do que a irmã, Karina se ocupava de ser a filha que mantinha tudo em ordem: a loja da mãe, a construtora do pai, além de verificar as tarefas dos irmãos.

Mesmo com o sonho de fazer jornalismo e comunicação, a carreira em direito a chamou primeiro. “Quando entrei na adolescência, comecei a entender os problemas jurídicos que meu pai enfrentava nas construções. Aos 12 anos, depois da aula, passei a ir com ele na construtora e ficava organizando documentos junto com o advogado, ouvindo tudo”, conta.

Na época de escolher o curso da faculdade, ela estava dividida entre sua paixão pela escrita e o direito. “Eu lia um livro por dia, meus textos eram sempre publicados no jornal da escola e redação era minha matéria preferida. Amava ler jornal”, relata. No fim, acabou escolhendo o direito. Mudou-se para São Paulo, mas com um objetivo para o futuro: entrar na comunicação. No segundo ano da universidade, ela começou a estagiar na Votorantim. A empresa ainda não tinha a cultura de efetivar estagiários, por isso, mal sabia ela que ali ficaria por mais 16 anos.

O acaso e o preparo se encontraram no momento em que a empresa estava se tornando uma holding e Karina trabalhava justamente na área tributária e societária quando decidiram efetivá-la. “Era uma empresa só de homens, não havia nenhuma advogada mulher. Eles não efetivavam ninguém e geralmente traziam profissionais de fora. A média de idade dos funcionários era de 50, 60 anos”, lembra.

Entre o Big Brother e a Votorantim

A irmã, Sabrina Sato, primeiro fez dança na UFRJ, mas logo mudou-se para São Paulo com Karina para estudar jornalismo. Na época, as amigas da faculdade de Sabrina decidiram se inscrever no Big Brother Brasil, e o resto é história conhecida. O que poucos sabem, no entanto, é que quando Sabrina estava saindo do reality, ainda em 2003, Karina foi efetivada na Votorantim, mas o pai fez um pedido: “Quero que você e seu irmão cuidem da carreira da Sabrina”. Eles não queriam que a história de Sabrina fosse igual a de outros participantes, que tiveram apenas quinze minutos de fama.

“Meu pai disse: ‘Se vocês não entenderem qual é o sonho da sua irmã e a ajudarem nesse momento, alguém vai colocar para ela o que aparecer e acabou. Vamos fazer um trabalho de construção, de buscar para ela o caminho que ela quer seguir’”, recorda Karina. Ao conversar com pessoas do meio artístico para entender o que era preciso para gerenciar a carreira e imagem de uma pessoa, Karina e Karim criaram a Sato Rahal enquanto a irmã ainda estava na casa vigiada.

Karina Sato, cofundadora e CEO da Sato Rahal (Crédito: Arthur Nobre)

Karina Sato, cofundadora e CEO da Sato Rahal (Crédito: Arthur Nobre)

Rapidamente, Karina começou uma pós-graduação em direito autoral e a estudar marcas na internet. “Registrei a marca dela e, quando ela saiu da casa, já tínhamos assinado um contrato com a Puket, para fazer a linha dela, e outro com a Estrela. Eram dois contratos assinados, com dois anos de duração, que davam a ela estabilidade financeira e de marca.”

Ao sair do Big Brother, Sabrina Sato entrou para o elenco do Pânico na TV, da RedeTV!. Como contrapartida, parte dos talentos do programa também passou a ser agenciado pela Sato Rahal, uma parceria que durou dez anos. A empresa, que começou no quarto da casa da família, logo cresceu e expandiu seu portfólio com artistas agenciados e parentes dos Sato. Entraram no casting Ticiane Pinheiro, Mariana Rios, Deborah Secco, Aline Wirley, Rafa Justus, e influenciadores como Netão e Joe Wolchover (Gringo Baiano).

Karina Sato, cofundadora e CEO da Sato Rahal (Crédito: Arthur Nobre)

Karina Sato (Crédito: Arthur Nobre)

Mesmo com o crescimento da Sato Rahal, Karina permaneceu por 16 anos na Votorantim e, segundo a executiva, só conseguiu viver essa “vida dupla” porque tinha chefes que sempre a apoiaram. Sua única ressalva era manter-se discreta e não aparecer nos holofotes. A saída da empresa só ocorreu após a gravidez.

“Saí porque engravidei, algo que não imaginava. Achava que passaria a vida inteira fazendo as duas coisas. Eu, minha irmã e meu irmão morávamos e trabalhávamos juntos e, quando engravidei, pensei: ‘agora vou precisar mudar de casa, construir uma família, dar atenção a uma criança e ao marido. Não tenho condição de fazer três jornadas’”, lembra. A saudade do local que foi sua escola de negócios permaneceu, assim como as amizades que cultivou no período.

A força e os desafios de uma empresa familiar

Para além da publicidade, a Sato Rahal tem investido na criação de projetos proprietários com seu casting, como o Carnaval da Sabrina, que existe há dez anos na internet, e há cinco é transmitido pelo Globoplay. O programa revela os bastidores da rotina e dos ensaios de Sabrina Sato para os desfiles no carnaval.

A característica familiar da empresa atraiu talentos como Mariana Rios, que sempre foi agenciada por seu próprio pai, mas viu na Sato Rahal uma oportunidade nova. “Há cerca de dois anos, ela entrou num mergulho pessoal, de saúde mental, e entendeu que queria cuidar de si mesma para ter um filho, visto todas as adversidades que estava enfrentando para engravidar. Foi a hora em que abraçamos isso e surgiu o ‘Basta Sentir’, projeto proprietário dela. Hoje é uma empresa, com sede, cursos e treinamentos”, conta Karina.

Karina Sato, cofundadora e CEO da Sato Rahal (Crédito: Arthur Nobre)

Karina Sato (Crédito: Arthur Nobre)

“Outro exemplo é o Netão Bom Beef. Ele tinha um açougue em Santos, que era do tio, não dele, e um trailer de hambúrguer. Hoje, ele tem cerca de 150 lojas e dez contratos publicitários, incluindo a Mitsubishi, para a qual ele é embaixador. Mas tudo começou assim, pegando ele pela mão e planejando junto”, afirma. Netão Bom Beef (@netaobombeef) tem 2 milhões de seguidores no Instagram.

Apesar de ter sido criada para gerenciar a carreira de Sabrina Sato, a empresa expandiu seu casting e tem a preocupação de cuidar dos talentos de forma individualizada. “Coloco um agente para cada um e acompanho tudo o que está acontecendo. Meu maior desafio é que as informações não se cruzem e que cada negociação seja individual, buscando o melhor para cada um. No fim das contas, quem é escolhido é quem teve o match com o anunciante, e o agente tem que conseguir o melhor briefing possível para eles”, pontua Karina.

Em 2013, a saída da Sabrina do Pânico teve como consequência o fim do contrato da Sato Rahal com os outros talentos do programa, o que deixou a empresa com poucos nomes agenciados. Mesmo assim, a Karina conta que a companhia se reergueu ao buscar novos nomes para compor a fase seguinte.

“Foi uma decisão nossa crescer de forma mais sustentável, com o caixa sempre andando junto com o planejamento. E, ao mesmo tempo, passamos a avaliar mais se o talento ou quem estava entrando aqui fazia sentido com o nosso formato de trabalho”, relata. Por ser um empresa familiar, que carrega o nome da família, a escolha dos talentos, parceiros e negócios é muito guiada pelo cuidado com a reputação do nome Sato.

“Muitas pessoas que nos procuram se inspiram na carreira que a Sabrina tem”, completa.

2027

De acordo com Karina, a Sato Rahal está investindo em uma nova frente de relações públicas, mas também segue na dedicação intensa ao mercado de influência digital. Há uma grande demanda de marcas para trabalhar com afiliados, lives, vídeos longos no YouTube e novas formas de monetização, segundo a líder.

O ano seguinte da empresa será aberto com o Carnaval da Sabrina, mas há novos projetos em vista que serão divulgados em breve. “Cada talento é uma empresa. Fazemos uma linha do tempo para cada um, olhamos para as marcas dos sonhos e para como eles vão conquistá-las. O trabalho aqui não acaba. É diário, é um leão por dia, para todos nós”, destaca.

“Por isso, olhamos para o artista, mas também para o que ele está rendendo dentro desse negócio. Muitas vezes, a monetização não está só na imagem, mas em outras frentes dessa marca, e você precisa estudar como vai supri-las.”