Opinião WW

Por que separar ou integrar, se podemos escolher pelo criar?

Olhando para a minha trajetória, percebo que fui atravessada por uma inquietação diferente

Tatiana Marinho

Sócia e CEO da Gana 27 de abril de 2026 - 9h29

(Crédito: Shutterstock)

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Há anos existe um movimento no nosso mercado que, na minha visão, diz muito menos sobre estruturas e muito mais sobre como escolhemos nos relacionar com o trabalho, e com o outro.

De um lado, vemos grandes grupos e anunciantes criando suas próprias operações internas. É um movimento legítimo. Existe uma busca por mais controle, por profundidade, por evitar conflitos de interesse e, claro, por conseguir operar com mais liberdade dentro de um mesmo segmento. Eu entendo esse caminho.

Mas, olhando para a minha trajetória e para tudo o que temos construído, principalmente enquanto sociedade, percebo que fui atravessada por uma inquietação diferente: em vez de separar, aproximar.

Em março, eu e Inaiara Florêncio divulgamos a decisão de integrar a operação das agências Gana e Oju sob uma única marca, e esta decisão não veio de um plano frio. Veio de um processo de observar, no dia a dia, que as ideias mais interessantes já não nasciam em caixinhas, de um único lugar ou de uma única estrutura. Elas surgiam no encontro entre repertórios, na troca, na escuta, na mistura de olhares.

A gente foi percebendo que não fazia mais sentido sustentar fronteiras que, na prática, já tinham deixado de existir. E talvez esse seja o ponto que mais me move hoje: a crença de que a potência criativa está na convivência entre diferenças e na união das coisas em comum.

Enquanto parte do mercado busca resolver tensões criando estruturas mais fechadas, eu acredito cada vez mais no valor de construir espaços onde essas tensões possam existir e, mais do que isso, gerar novas soluções a partir delas. Porque não existe criatividade relevante sem algum nível de fricção. Sem contraste. Sem troca real. Integrar, para mim, também é um exercício de confiança nas pessoas, nos processos e na ideia de que repertório não se soma, mas se transforma quando encontra o outro.

É daí que vem nossa proposta hoje: unir criatividade contemporânea com repertório cultural, inteligência estratégica e inovação. Mas, acima de tudo, fazer isso de um jeito que seja vivo, permeável e plural. A nova identidade da Gana, construída para refletir a integração de diferentes frentes e competências da operação, é quase um reflexo inevitável desse momento. Ela traduz muito mais um modelo de atuação do que uma decisão estética.

E, sendo muito honesta, acho que esse movimento também tem um lado profundamente pessoal. Ao longo da minha trajetória, aprendi que crescer não é, necessariamente, acumular. Muitas vezes, é integrar. É olhar para o que já existe, reconhecer valor nas conexões e ter coragem de reorganizar tudo a partir disso.

Talvez por isso eu acredite tanto que o futuro da comunicação não está apenas na eficiência das estruturas, mas na qualidade das relações que conseguimos construir dentro delas.

No fim, é sobre o que a gente escolhe construir junto.