Opinião

Iconicidade e uma nova nostalgia

Para se manter consistente, é preciso saber muito claramente o que se é

Juliana Barreto

Diretora de Revenue da Tátil Design 15 de abril de 2026 - 6h00

Começo este texto dando vazão a Juliana de 21 anos que está dando gritinhos de felicidade por saber que Diabo Veste Prada terá uma nova versão em 2026. Esse filme, para mim, é MUITO icônico e, honestamente, seguiu repercutindo em minha mente conforme fui amadurecendo. Mudei muito de perspectiva sobre o roteiro ao longo dos anos conforme repensei minha relação com o mercado de trabalho, minhas ideias sobre gênero e relacionamento. Enfim, sempre é bom revisitar nossas próprias crenças e ajustá-las à realidade atual, não é? Pois bem: eis que fui impactada neste cenário por uma collab de peso entre Diabo Veste Prada e Diet Coke e este foi meu ponto de partida para essa reflexão como estrategista de marca que sou.

Para uma marca – ou um filme – seguir sendo icônica, mesmo depois de tantos anos, estamos falando sobre uma combinação de consistência de marca e relevância. Para se manter consistente, é preciso saber muito claramente o que se é: seu propósito, o que entrega para o mundo e ter uma linguagem absolutamente precisa para concretizar tudo isso no mundo e gerar conexão com seu público a fim de reverberar essa mensagem. E, para se manter relevante, precisamos continuar pertinentes não só para os tópicos atuais, como também para os meios atuais, atualizando esta linguagem para que ela continue construindo os atributos da essência da marca. Ou seja: precisamos evoluir com essência. Evoluir para um contexto atual sem perder o que se tem de mais pertinente: continuar fazendo parte das conversas sem esforço, com propriedade para fazer parte.

Assim como eu mudei minha perspectiva desde 2006, a sociedade coletivamente mudou absurdamente em 20 anos (e não vou nem tentar listar aqui todas as mudanças que tivemos) e se transforma cada vez mais rapidamente. Então, ver uma collab de marcas icônicas como o Diabo Veste Prada e Diet Coke é uma prova de que marcas com um legado podem (e devem) continuar extremamente relevantes desde que entendam o novo cenário e tragam suas essências atualizadas para as novas conversas e para os novos meios. Além disso, essa parceria também demonstra como marcas podem aportar valor entre si, a partir dos seus atributos, para se manterem relevantes. Se, para nós millennials, esta dupla representa nostalgia e gritinhos de alegria (tenho certeza de que não estou sozinha nessa), mas nos encontra em um novo momento de vida, novas perspectivas e reflexões, para quem não viveu o primeiro filme ao vivo é uma oportunidade de criar uma nova referência, em um novo contexto.

Enquanto vamos vivendo a expectativa do lançamento com trailers, capas de revistas, lançamento de campanhas, a verdade é que estamos vivenciando em tempo real como ícones se consolidam e vão criando uma nova nostalgia. Sinto-me pronta para comprar o ingresso e acompanhar como esse novo momento das marcas será absorvido pela nossa cultura atual. E, como diria Miranda Priesly, “That’s All”.