Comunicação

BETC Havas: Camila Nakagawa volta como CEO; Erh Ray passa a chairman

Após sete anos na Inglaterra, executiva retorna do País para assumir o comando da operação e dividir a presidência com o CFO Diego Alonso

i 8 de maio de 2026 - 10h00

Diego Alonso (copresidente e CFO), Camila Nakagawa (CEO e copresidente); e Erh Ray (fundador e chairman) - BETC Havas

Board da BETC Havas: Diego Alonso, copresidente e CFO; Camila Nakagawa, CEO e copresidente; e Erh Ray, fundador e chairman (Crédito: Divulgação)

Quarta maior agência do País em compra de mídia, segundo o ranking Cenp-Meios, a BETC Havas tem novo comando. Camila Nakagawa retorna ao Brasil, após sete anos na Inglaterra, para ocupar o cargo de CEO, em substituição a Erh Ray, fundador da operação, que assumirá a recém-criada posição de chairman.

A executiva, além de CEO, dividirá a presidência da operação com Diego Alonso, chief financial officer (CFO), que já acumula esses dois cargos desde o início de 2023 e está na direção da área financeria da Havas desde 2012, bem antes da fusão com a BETC, em 2017. A segunda cadeira de copresidente estava vaga desde janeiro deste ano, quando Carol Boccia deixou a BETC Havas para assumir a liderança da nova Lola\TBWA, do Omnicom, fruto da fusão entre DM9 e Lew’Lara\TBWA.

Com quase 20 anos de experiência, Camila chegou a trabalhar na BETC, antes da fusão com a Havas, mas construiu uma extensa carreira fora do País, com passagens pelas principais holdings globais. No Publicis Groupe, atuou como global chief product officer; no TBWA, ocupou o cargo de diretora executiva global de digital e operações; e no WPP, trabalhou como diretora global de negócios.

Nos últimos dois anos e meio, a executiva foi uma das líderes da Prose on Pixels (POP), frente do Grupo Havas focada na produção de conteúdo a partir de soluções de inteligência artificial, onde respondia como vice-presidente executiva global, baseada em Londres.

Para a nova CEO, a volta à BETC Havas é como uma “continuação de uma história” que começou há mais de uma década. “O mercado e os clientes mudam, mas conheço bem os valores e a cultura da agência, pois fiz parte dessa construção. Me sinto orgulhosa de estar em um grupo que reconhece e investe em talentos”, comenta.

Agora, na liderança da operação, a executiva fala mais em continuidade do trabalho do que em “disrupção ou correção de rota”. Mesmo assim, aponta oportunidades que podem ser exploradas, sobretudo no âmbito da tecnologia: “Tive o prazer de participar, fora do País, da revolução da tecnologia, IA e dados nos últimos três anos. Então, quero trazer essa nova forma de trabalhar ao Brasil”.

Com outras palavras, ao tentar especificar o campo a ser explorado, Camila defende a interseção entre a melhor forma de uso de dados e a criatividade na busca de resultados para os clientes. “O Brasil tem a faca e o queijo na mão para fazer a melhor publicidade do mundo nesse cenário, que exige times integrados. O mercado local é um dos poucos que possui isso”, acrescenta.

Evolução e legado

À frente da BETC desde 2014, tendo mantido o comando após a fusão com a Havas, em 2017, Ray explica que, como em toda empresa, houve a necessidade de rever a trajetória e se preparar para o futuro. “Foi dessa maneira que começamos a desenhar não um plano de sucessão, mas de evolução. Trazer a Camila foi pensado com muito cuidado”, comenta.

Alonso corrobora dizendo que, em resumo, a mudança no board mira em evoluir sem perder o legado. Com a nova CEO, o plano é acertar ainda mais a rota que os clientes esperam: “Hoje, o cliente precisa ser ajudado por uma única agência que possa resolver problemas complexos sem fragmentação. Unimos o legado da criatividade brasileira com a fortaleza de mídia do grupo e a visão integrada da Camila em tecnologia e entregas digitais”.

Nesse cenário, Ray revela que a criação do cargo de chairman tem a missão de permitir uma visão mais ampla e estratégia sobre o negócio, ainda que o mercado costume manter alguns rótulos sobre a posição, como aposentadoria ou somente liderança de conselho.

“Me tornar chairman significa sair do operacional para focar no que a empresa precisa para atingir um novo patamar. Quero criar posições que o mercado ainda nem imagina, focando em IA e novas transformações. Quero sair do ‘fogão’ para ter uma visão total, mas mantendo o olhar de diretor de arte que preza pelo craft e pela qualidade, algo essencial para qualquer agência”, afirma.

Após a mudança de comando, ainda há uma posição vaga no board da BETC Havas: a vice-presidência de mídia, ocupada até março por Renata Valio, também contratada pela Lola\TBWA. Questionado sobre essa contratação e outras possíveis mudanças no board, movimentos naturais quando um novo CEO assume, o chairman afirma que as contratações para vagas abertas precisam estar alinhadas com as ambições e confiança da nova CEO. “Existe um processo em andamento para a ocupação da vice-presidência de mídia. A agência está em pleno voo, voa e vai chegar ao destino, mas às vezes precisa trocar algo, ou não, conforme a necessidade”, finaliza.