Influenciadores virtuais dão novas faces ao mercado de creators

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Influenciadores virtuais dão novas faces ao mercado de creators

Um dos primeiros perfis em formato avatar do Brasil, Vic Kalli foi inspirada em Lil Miquela e Noonoouri; chegada deste tipo de criador altera dinâmica do ecossistema

Luiz Gustavo Pacete
31 de janeiro de 2019 - 14h41

 

Vic Kalli é a nova influenciadora virtual brasileira (Crédito: Reprodução)

Avatares, bonecos, hologramas, influenciadores virtuais. Ainda não existe uma definição exata para classificar perfis como de Lil Miquela e Noonoouri. No ano passado, a discussão sobre o uso desses influenciadores esteve em alta principalmente por conta dessas duas. Em fevereiro, a Prada contratou Lil Miquela, que tem mais de 1,5 milhão de seguidores, para uma parceria durante o desfile de inverno de 2018. Ela ainda foi escolhida como It Girl do verão pela Vogue e lançou uma música no Spotify. Já Noonoouri, com 126 mil seguidores, ganhou a atenção de pessoas como o estilista Marc Jacobs, a editora Suzy Menkes e a top Naomi Campbell.

Mesmo virtuais, as influenciadoras tratam de questões comuns a pessoas reais como frustrações, decepções e desafios. O perfil de Miquela é gerenciado pela Brud, startup de inteligência artificial com sede em Los Angeles que também cuida do perfil Blawko. Enquanto o objetivo de Noonoouri, criada pelo alemão Joerg Zuber, é, segundo sua descrição, “transportar histórias sobre a herança e o legado de grandes marcas da moda para as redes sociais”.

A Noonoouri tem 126 mil seguidores e vários contratos com marcas (Crédito: Reprodução)

Na semana passada, o Brasil também ganhou um perfil de influenciadora virtual. Vic Kalli vem se classificando como “a primeira boneca virtual influencer brasileira” e já estreou com um ensaio para a revista L’Officiel Brasil. Vic se define como paulista, de 21 anos, fashionista e traveller. Por aqui, a Lu, do Magalu, já é conhecida, no entanto, ela atua como embaixadora de uma marca específica, o que a difere das novas influenciadoras virtuais.

A consultora de estilo e stylist Tay Borges explica que as pessoas estão em busca por algo diferente para se inspirar e, por si, este fato já justificaria a atenção que as influenciadoras virtuais estão ganhando.

“E, para a geração dos millennials faz mais sentido ainda, pois já estão habituados a lidar com digital, muitos têm seus próprios avatares, então esta interação virtual é natural para este público. O mais interessante delas é que não tem limites! Podem ser do jeito que quiserem e onipresentes, globalizadas. Não sofrem limitações humanas, físicas ou financeiras”, diz Tay.

Em relação ao impacto que essas influenciadoras podem ter no ecossistema de criadores de conteúdo, Tay acredita que existem oportunidades. “Mas, elas sempre dependerão do capital humano e intelectual. Se não tiverem um conteúdo bem desenvolvido e uma estratégia bem definida, terão dificuldade de se manter relevantes assim como uma influenciadora física. Acredito que devido a oportunidade aberta no mercado e com o crescimento das startups brasileiras voltadas à tecnologia devem aparecer mais influenciadoras virtuais”.

Rodrigo Soriano, CEO da Airfluencers, não enxerga um impacto tão relevante no ecossistema de criadores. “Existe o criador de conteúdo, o designer, alguém de produção por trás desses perfis, muito mais uma situação de Humano x Virtual, do que os criadores em si, é muito além do que isso, é como a sociedade enxerga isso? É importante que a mensagem esteja clara para o consumidor que é um avatar, um influenciador virtual, porque mesmo sendo influenciadores virtuais ganham fortunas com as marcas que se associam à eles, ou até mesmo criam”, explica.

Lil Miquela foi criada pela Brud, uma startup de inteligência artificial com sede em Los Angeles (Crédito: Reprodução)

“Com o avanço da robótica você tem diversas maneiras de reproduzir o comportamento humano. Por isso, é importante deixar claro do que se trata o influenciador. Algumas pessoas não enxergam com bons olhos, criticam e questionam como as pessoas podem admirar ou ter qualquer tipo de relação com robôs virtuais e até como isso pode impactar as crianças, que tipo de relação vai se construir com os robôs?”, diz Soriano.

Eva Farah, expert da WGSN, explica que o marketing usando avatares passou a ser algo mais comum, com marcas apostando em modelos criados por computação gráfica que ficam no limite entre a fantasia e realidade. “Em 2018, já tínhamos mapeado como uma tendência para ficar de olho e, com certeza, os avatares estão ganhando cada vez mais espaço e têm potencial para serem uma das principais tendências desse ano no universo das redes sociais”, explica.

As influenciadoras virtuais vieram para ficar?

Eva lembra que marcas internacionais, desde a Ugg até a Fenty, aproveitaram os avatares para promover produtos em campanhas nas redes sociais. “A mais famosa, Lil Miquela, se tornou uma personalidade da cultura pop, posando para a Vogue e estrelando na capa da High Snobiety. E, isso com certeza impactará os intermediários dessa indústria, as agências terceirizadas estão surgindo para ajudar os avatares a fecharem contratos pagos. A agência The Diigitals, por exemplo, foi lançada em julho de 2018 até então se dizia a única a representa somente avatares”.

Influencers virtuais

Lil Miquela – Instagram 1,5 milhão de seguidores
Por estar quase há um ano no Instagram, é a que mais tem seguidores, e por ter apoiadores da marca alavanca sua audiência.

Noonoouri – Instagram 226 mil seguidores
No Instagram, ela já possui uma atividade contínua e possui volume de publicações de mais de uma postagem por dia. Sua média de curtidas é de 9,8 mil por post e a média de comentários é de 147.

O perfil Blawko também foi criado pela startup Brud (Crédito: Reprodução)

Vic Kalli – Instagram 697 seguidores
No Instagram, ainda nascendo, foram quatro fotos com média de 437 curtidas por foto. Os comentários registram 40,7. Porém, com o tamanho da base de seguidores, esses números parecem inflamados.

Fonte: Airfluencers

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