O legado de Game of Thrones

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O legado de Game of Thrones

Série da HBO, que leva ao ar sua última temporada, ocupou gap das narrativas míticas e elevou qualidade do gênero na TV e no cinema

Thaís Monteiro
15 de abril de 2019 - 11h41

Dona de 47 Emmys, a série Game of Thrones, da HBO, estreou o primeiro episódio de sua oitava e última temporada neste domingo, 14. Para ela, estima-se que a HBO tenha investido US$ 200 milhões em marketing na TV e redes sociais. Exibida desde abril de 2011, a produção deu novo fôlego ao storytelling mítico das fantasias e arquétipos, incorporando também a atmosfera dos games e elevando o padrão de qualidade para além da televisão, gerando engajamento fora da tela. Além disso, a produção se tornou a mais cara — e mais rentável — da HBO.

 

(Crédito: Divulgação/HBO)

Além de ser a mais premiada no Emmy,  a produção rende US$ 1 bilhão por ano para a HBO, segundo o jornal o The New York Times. A última temporada é a mais cara já realizada: US$ 15 milhões por episódio.

De acordo com José Carvalho, sócio e professor da escola de roteiro e conteúdo Roteiraria, a qualidade da série também influenciou o cinema. “O legado de GoT está na inovação do padrão cinemático, porque o produto tem soluções CDI, com recursos de pós-produção que não só ajudaram a consolidar o estilo da série como trouxeram resolução imagética e de produção. A série elevou muito a barra do mercado inteiro e influenciou toda a indústria”, explica o roteirista. Para ele, o último filme do Spielberg, Jogador Nº 1, é uma resposta do cinema a esse padrão mais sofisticado que GoT imprimiu.

O último episódio da sétima temporada da série teve, durante a transmissão linear, audiência de 16,5 milhões de telespectadores nos Estados Unidos. Um estudo da Magid, empresa de pesquisas sobre mídia, apontou que 58% da audiência da última temporada da série declarou que a acompanha em contexto social — proporção semelhante a quem assiste jogos da NFL entre amigos e família. Segundo José, o público se identifica com as tribos e cria os fandoms. Esse fator, por sua vez, contribui para a disseminação da série e sensação de coletivo.

Game of Thrones também gera forte engajamento nas redes sociais. No Twitter, a sétima temporada gerou 23 milhões de tuítes globalmente. Em 2016, ano em que foi exibida a sexta temporada, o Brasil foi o segundo país que mais falou sobre a produção, atrás apenas dos Estados Unidos. Desde 2011, foram gerados 200 milhões de publicações sobre ela na plataforma.

O Spotify também fez um levantamento tendo em vista a estreia da oitava temporada. De acordo com a plataforma, todas as trilhas da série somam 380 milhões de reproduções, 250 mil usuários criaram playlists temáticas sobre a produção e os usuários passaram, no total, 1,8 milhão de horas ouvindo podcasts relacionados a Game of Thrones. O Brasil ocupa o sexto lugar no ranking de países que mais reproduzem as músicas da série.

José Carvalho considera o sucesso da série um fenômeno geracional causado pela ausência de narrativas que trabalham com o imaginário fantástico, como Senhor dos Anéis e Harry Potter, e forte relação com a narrativa dos games. “Como o público da série faz parte de uma geração que não crê na metafísica, cria-se um distanciamento das narrativas fantásticas que é suprido quando um produto como GoT aparece, entregando o mítico em forma de jogo, de alegoria. A identificação desse público é imediata porque o produto preenche o imaginário que ele não teve. Os personagens são extremamente bem definidos, com uma construção quase arquetípica – o mau é mau, o corajoso é corajoso. E a qualidade dos diálogos é shakespeariana e precisa”, explica.

De acordo com o portal MediaPost, desde 7 de abril, a HBO veiculou 21 filmes anunciando a nova temporada, em canais de TV como ESPN, AMC, BBC America, Comedy Central e ABC. No Super Bowl deste ano, a empresa exibiu um anúncio em parceria com Bud Light e o trailer da oitava temporada, publicado em 5 de março, teve mais de 57 milhões de visualizações no YouTube.

**Crédito da imagem no topo: Mauricio Santos/Unsplash

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