Nos gramados e nas redes: como a Casas Bahia ativa o Paulistão
Varejista adquiriu os naming rights da competição e aproveitou o engajamento em campo para conectar os clientes

Casas Bahia aproveita patrocínio ao Paulistão para se conectar com consumidores (Crédito: Reprodução)
O Campeonato Paulista chegou a sua reta final nesta quarta-feira, 4, com a primeira partida entre Palmeiras e Novorizontino. Neste ano, a competição estadual teve um novo ocupante na cota de Naming Rights, que até ano passado era ocupada pela Sicredi.
Para esta temporada, a Casas Bahia assumiu o espaço e, além de dar nome ao torneio, manteve um pacote de entregas exclusivas, com propriedades como painéis de LED e LED Duplo em campo, menções oficiais dos narradores, vinhetas de abertura, produção de conteúdos digitais proprietários e ativações especiais.
Dentre essas ações, uma das mais comentadas foi durante as quartas de final, na partida entre Palmeiras e Capivariano. A iniciativa aconteceu quando o zagueiro do clube alviverde disse que estava precisando de uma fritadeira – um dos itens mencionados durante o cara ou coroa que define bola ou campo na partida.
A companhia aproveitou a ocasião e as conversas geradas nas redes sociais e levou um aparelho da Philco para o zagueiro, lançando, ainda, o cupom FRITADEIRAGOMEZ. Essa ação, que faz parte da propriedade de patrocínio da marca, alavancou as vendas dos produtos sorteados, que tiveram um aumento de até 190% no dia seguinte ao jogo.
Gustavo Pimenta, diretor executivo comercial e de marketing do Grupo Casas Bahia, explica que para a varejista era fundamental estar à frente de uma plataforma com esse nível de relevância cultural e emocional. “Não foi uma decisão apenas de visibilidade. Foi uma decisão estratégica de longo prazo, pois queremos consolidar a Casas Bahia como a grande parceira do torcedor brasileiro, especialmente em um ano de Copa do Mundo”, diz.
Além disso, durante a fase final, a rede de varejo também busca ativar sua parceria com os clientes e fãs de futebol. A varejista levará a taça oficial do Paulistão para três megalojas na capital paulista e também a dinâmica do “cara ou coroa”, que será replicada presencialmente convidando quem estiver nas unidades a participarem da ação.
Na ocasião, produto sorteado também entrará em condição especial. Já nos dias 28 de fevereiro e 1º de março a Megaloja Marginal Tietê recebeu telão, arquibancada e barraca de petiscos para exibição das semifinais do Paulistão, com transmissão da CazéTV.
“Quando assumimos os naming rights do Paulistão, tínhamos clareza de que precisávamos ir além da visibilidade tradicional. Queríamos transformar o patrocínio em resultado concreto e em vínculo real com o torcedor”, comenta o executivo.
Além da Casas Bahia, o Paulistão é patrocinado por 7K, Aurora, Assaí, Bis, Betano, Bet365, Clear, Dorflex, Dreamies, Energizer, Gatorade, Itaipava, Latam, Movida, Penalty, Pedigree, Rivalo e Sil.
O futebol como plataforma
Durante esse patrocínio, a Casas Bahia focou em projetar um conteúdo que integrasse estratégias diversificadas, desde a transmissão, por meio da parceria com a CazéTV, até redes sociais, loja física e conteúdo proprietário.
Com isso, a marca utiliza o futebol como uma plataforma para impulsionar as suas estratégias de marketing e os negócios. Pimenta diz que, para isso, a marca estruturou um time dedicado a monitorar os momentos do campeonato em tempo real e reagir com rapidez e criatividade.
“Esse tipo de agilidade mostra como uma estratégia bem estruturada permite transformar conversa em relevância para a marca e também em resultado para o negócio”, avalia.
De acordo com o executivo, além de alavancar a venda de produtos estratégicos, a companhia identificou um aumento de 49% na procura pelos itens nas semanas dos sorteios. Já em termos de alcance, a companhia alcançou mais de 140 milhões de views nas transmissões e mais de 80 milhões de visualizações nas redes sociais durante a competição até o momento.
Balanço da empresa
Para este ano, a varejista procura ter um crescimento na presença no dia a dia do consumidor, além de se manter economicamente acessível. O foco será se posicionar como um apoiador para que o cliente consiga realizar o seu sonho, que no caso desse segmento, é uma compra de alto valor.
Já 2025 foi marcado por apostas focadas em melhorar a operação dos produtos core da marca (eletrodomésticos, eletrônicos e móveis) e crescimento de receita.
Durante coletiva de imprensa no ano passado, Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia, explicou que esse processo, que começou em 2023 na fase chamada Back to Base e se concentrou no aumento da eficiência operacional e estabilização do caixa e agora a empresa já trabalha com a revisão de negociações com fornecedores visando o crescimento financeiro, implicou em ajustes que, inicialmente, reduziram a receita, mas aumentaram a qualidade e rentabilidade.
Na ocasião, a companhia chegou a ter uma queda de 16% na receita bruta. Isso, no entanto, fez com que a marca conseguisse limpar sua base de produtos, deixando de fora aqueles que não fazem parte do seu core business e, agora, o Grupo Casas Bahia está empenhado em melhorar a margem incremental.
No ano passado, a Black Friday foi a vez de a Casas Bahia aproveitar para aumentar em 20% as vendas de crediário em relação ao ano passado, totalizando R$ 1,2 bilhão nesse segmento. A produção de crediário do grupo, atualmente, está em cerca de R$ 850 milhões por mês.
“Agora podemos explorar mais um canal de vendas que é relevante e está crescendo no Brasil. Temos todos para pegar uma parte boa nessa pizza, para ampliar a nossa renda”, disse Franklin.

