Influência

Após bets, influenciadores terão de se reinventar

Mudanças no algoritmo e até mesmo na legislação obrigam creative economy repense a forma como os talentos se enxergam no mercado

i 1 de outubro de 2026 - 17h10

Fatima Pissarra e Ricardo Silvestre falam sobre o dinamismo da Creative economy (Crédito: Máquina da Foto)

Fatima Pissarra e Ricardo Silvestre falam sobre o dinamismo da Creative economy (Crédito: Máquina da Foto)

Na noite da última sexta-feira, 25, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou a Medida Provisória que proíbe, de forma geral, a atuação das plataformas de apostas (bets) em território brasileiro.

Com a proibição, de efeito imediato, passou a ser ilegal a oferta de apostas bem como outros tipos de jogos de azar online. O setor, que foi regulamentado no Brasil em 2024, representou em 2025 um investimento superior a R$ 1,4 bilhão em TV aberta, TV paga, rádio e streaming, de acordo com o relatório “Investimentos Bets 2025 – Análise Estratégica do Setor de Apostas Esportivas”, elaborado pela Tunad.

Embora não haja um dado específico voltado ao mercado de influência, é de conhecimento popular que os criadores de conteúdo foram amplamente afetados pela proibição, gerando, inclusive, um movimento de personalidades da internet pedindo o cancelamento da MP.

De fato, as bets são para os criadores uma oportunidade de renda alta e rápida, mas além de todo o debate da publicidade, gera, a longo prazo, uma discussão sobre como os criadores podem construir o seu patrimônio. Isso obriga os profissionais a calcularem as opções de retorno financeiro, e a preservação desse patrimônio.

Esse foi um dos assuntos debatidos no terceiro dia do Maximidia 2026. Ricardo Silvestre, CEO e cofundador da Era Company e fundador da Black Influence, comentou que há, agora, uma preocupação para o amadurecimento da carreira dos influenciadores e uma necessidade de reinvenção após essa proibição.

“É importante considerar futuro, mas nem todo mundo entende importância e responsabilidade desses criadores. Precisamos mostrar a eles que também são empresas e negócios”, disse.

O crescimento dos especialistas

Outro movimento relevante que comprova o dinamismo da creative economy é o crescimento da procura por criadores de nicho. Esse movimento é, segundo Fatima Pissarra, CEO da Mynd, um reflexo da mudança de algoritmo das redes, que faz com que conteúdos relacionados a pesquisas recentes e temas de interesse sejam mais entregáveis para o determinado perfil de usuário.

“As grandes autoridades continuam aparecendo, quem não tem profundidade no assunto ou não endossa um tema está diminuindo. É a ascensão do conteúdo de nicho”, disse.

A executiva explicou que, embora haja uma entrega expressiva de assuntos de massa, como é o caso de Big Brother Brasil, os criadores nichados ganharam expressividade para o público.

Nesse cenário, o social commerce, chega como um facilitador para que os criadores vendam um produto – próprio ou de marca – e que o consumidor consiga acessá-lo de forma mais rápida e segura. “Todo criador sempre vendeu, mas agora tem outros meios de acompanhar essa venda”, explicou Silvestre.

Junto com os especialistas, outra vertente de conteúdo que vem conquistando o mercado vem dos próprios executivos de marcas, que utilizam suas redes como canais para conversar com o público. Eles representam autoridade no assunto.

“É uma forma de agregar algo positivo ao alcance e a autoridade. O alcance passa a ser parte de um ecossistema, temos a maturidade hoje de envolver a soma da autoridade aos dados”, comentou Silvestre.