Copa e Cannes
Coincidência que não ocorre desde 2018, realização paralela dos dois eventos mobiliza as atenções da indústria nas próximas semanas e apresenta desafios diferentes para anunciantes, agências e plataforma de mídia
Nesta quinta-feira, 11, serão dadas as largadas oficiais nos dois eventos que irão mobilizar a atenção da indústria de comunicação, marketing e mídia nas próximas semanas. A Copa do Mundo e o Cannes Lions acontecerão paralelamente, em uma coincidência que não ocorre desde 2018, já que a copa de 2022, no Catar, foi realizada em novembro e dezembro.
México e África do Sul fazem o primeiro jogo do Mundial no histórico palco do Estádio Azteca, na Cidade do México, às 16h (no horário de Brasília). Horas antes, o Cannes Lions divulgará os seus primeiros shortlists, das áreas de Titanium, Glass e Innovation, competições que têm seus finalistas revelados antecipadamente pois as equipes envolvidas apresentarão os cases presencialmente para os júris, durante a semana do festival, de 22 a 26, em sessões abertas ao público.
Meio & Mensagem acompanhará em todas as suas plataformas os dois eventos. Nesta edição, estreia a série especial Negócios da Copa, que será publicada semanalmente, até o final do Mundial, em 19 de julho. A reportagem das páginas 28 e 29 trata dos desafios das marcas em manterem a relevância e conquistarem o engajamento dos torcedores brasileiros em um ambiente cercado de ineditismos. A maior Copa da história envolve 48 seleções e 104 partidas em 16 cidades dos três países-sede — Canadá, Estados Unidos e México.
A expectativa econômica é alta: analistas consideram que a Copa de 2026 será um marco econômico no mundo do esporte, com receita total de U$S 10,9 bilhões — alta de 56% em relação à anterior. No Brasil, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima que o evento injetará R$ 4,32 milhões no varejo, o que representaria crescimento de 6,5% na comparação com o efeito causado pelo Mundial de 2022.
Entretanto, nos 17 dias da primeira fase, partidas envolvendo seleções de pouca atratividade deve resultar em audiências mais baixas. Uma das dúvidas é se a maior quantidade de conteúdo irá jogar à favor do engajamento ou se haverá fadiga no público espectador. Há pelo menos outras duas barreiras iniciais no caminho dos anunciantes. A primeira é se diferenciar em meio ao congestionamento de ações marketing e campanhas publicitárias abordando o mesmo tema, já que o maior número de canais transmitindo os jogos resultou em um aumento significativo no total de marcas associadas à Copa — em uma época em que chamar a atenção do público disperso em multitelas já é um drama.
Não menos desafiador será driblar o ceticismo da torcida brasileira em relação às chances da Seleção Brasileira, que, mostram as pesquisas, está maior que em Copas anteriores. Entre as estratégias já postas em campo, está a de evitar a euforia e apostar no orgulho de ser brasileiro.
Bem menos eufórica será também a chegada do Brasil ao Cannes Lions 2026, após o vexame do ano passado, quando o mercado nacional esteve no epicentro das discussões sobre a premiação de campanhas falsas e o uso de dados mentirosos para forjar repercussões que as ações concorrentes nunca tiveram.
O pontapé inicial oficial da cobertura do Cannes Lions por Meio & Mensagem será dado nesta terça, 9, no Blue Connections, evento exclusivo para assinantes que integram o Círculo Liderança. O Blue Note São Paulo receberá a exibição dos favoritos brasileiros aos Leões de 2026, de acordo com as agências mais vencedoras nos últimos anos, e dos cases internacionais que chegam com mais chances, a partir da opinião de criativos atuantes no País e no exterior.
A programação inclui, ainda, um convidado especial: Fabio Fernandes, um dos principais nomes da história da publicidade brasileira, que comandou por 25 anos a F/Nazca S&S, agência de onde saíram alguns dos maiores talentos do mercado nacional e campanhas emblemáticas como o filme “100”, para Leica, único comercial brasileiro vencedor do Grand Prix de Film, conquistado em 2015. A retomada do brilho nessa, que é a área originária do festival, seria um bálsamo para a retomada na credibilidade da publicidade brasileira em Cannes.