Marcas podem criar sua própria internet. Já pensou nisso?
Num mundo sem cookies e em que cada vez mais os jardins verticais se fecham em torno de si mesmos, vale a pena pensar em construir uma internet própria para chamar de sua

(Crédito: Utah/iStock)
A internet nasceu aberta e democrática, mas está transformada em ambientes web cada vez mais circunscritos aos grandes silos dos grandes players do mundo tech. Você está em um e ele não se fala com o outro, logo ali ao lado. Você até pode, como consumidor ou até mesmo como uma marca, ficar saltando de walled garden para walled garden, mas a web aberta se fecha cada vez mais.
Para o marketing das empresas isso não é bom. Porque obviamente cria ambientes comerciais restritos e não necessariamente interligados, sendo que a interconexão é hoje tudo que se almeja e se quer de um mundo cada vez mais omnichannel.
Assim, resta às marcas criar sua própria internet.
Não é nada fácil e custa uma grana. Mas talvez, feitas as contas, valha a pena investir e tentar.
E o que seria essa web proprietária de cada marca? Veja alguns pilares abaixo.
First Party Data – essa internet será totalmente – ou pelo menos prioritariamente – baseada em dados proprietários. Dados que as marcas irão capturar obedecendo as novas regras de compliance das leis de privacidade de dados, mas uma vez construída, seu valor é gigantesco. Porque são dados reais, de pessoas reais e não dados falsos de robôs anabolizando clicks, visualizações e tráfego digitalmente fantasma.
Conteúdos e publishing proprietários – marcas precisam criar conteúdos exclusivamente seus, tornando-se publishers, ou se apropriar de alguma forma de conteúdos existentes, comprando ou se associando com creators e content producers. Isso tem um preço mas a compra de audiência no ambiente dos walled gardens está longe de ser de graça. vantagem é que depois de construídas, essas estruturas tendem a criar comunidades proprietárias das marcas e, em torno delas, o engajamento e a monetização dessas audiências de forma recorrente e totalmente legítima.
Ad Platforms próprias – à medida em que ecossistemas como os descritos acima são criados, marcas, em vez de pagar para comprar audiências, podem ganhar dinheiro vendendo as suas.
Redes sociais dos outros, mas próprias – esse caminho é conhecido, são os owned channels, que as marcas podem construir no ambiente das mídias sociais, interligadas com as grandes techs, mas de forma autônoma e proprietária.
Não é nada fácil construir uma internet proprietária. Mas num mundo sem cookies e em que cada vez mais os jardins verticais se fecham em torno de si mesmos, vale a pena pensar em construir uma internet própria para chamar de sua.