SXSW

Ana Verroni, da 99: qual é o futuro da IA nos superapps?

Diretora de marketing aborda a evolução dos algoritmos e a inovação no ecossistema da plataforma

i 13 de março de 2026 - 11h49

O último ano marcou um período de expansão para plataforma de mobilidade 99. Em agosto do ano passado, a companhia relançou sua vertical de delivery de comida, a 99Food. O movimento envolveu um investimento de R$ 500 milhões.

Ana Verroni

Ana Verroni (Crédito: Divulgação)

O valor é parte do investimento de R$ 2 bilhões anunciado pelo DiDi’s International Business Group, grupo chinês controlador da 99. Além do relançamento da vertical de delivery, o aporte visava impulsionar o crescimento do ecossistema da 99 que envolve mobilidade urbana, serviços de entrega e soluções financeiras, com 99Pay.

Também no ano passado, a companhia travou uma briga na Justiça com a prefeitura de São Paulo para retomar o transporte por motocicletas na capital. Já em 2026, a companhia trouxe pela primeira vez a cantora Ivete Sangalo para o Carnaval de rua de São Paulo. À frente do marketing da companhia desde julho de 2022, Ana Verroni enxerga no SXSW uma ferramenta para vislumbrar cenários futuros e busca equacionar tecnologia e humanização na plataforma. Confira:

Meio & Mensagem — Esse é o seu segundo ano de SXSW. O que viu de mais transformador no festival no passado? O que levou para o dia a dia corporativo?

Ana Verroni – Eu vim em 2023. De lá para cá, muita coisa mudou. Naquela época, já foi muito transformador. Eles focavam muito em inovação, em quais eram os mindsets a serem mudados para ser inovador e ainda não se falava tanto em inteligência artificial. Falava-se muito da internet, da internet das coisas. Tudo isso eu levei, principalmente, a ideia de um mindset disruptivo para fomentar a inovação. Este ano vejo que está bem diferente. Tem muito foco na inteligência artificial. Mas, em como ainda mantemos o toque humano nessa inteligência artificial. Qual o papel dela versus o papel do humano? Isso, para mim, vai ser o mais enriquecedor de levar para dentro do marketing da 99.

M&M — A 99 já lida com algoritmos complexos de rota e precificação. Como você espera que as discussões deste SXSW ajudem a elevar o tema da IA para além da eficiência? Quais as expectativas?

Ana — Sim, a 99 já lida com algoritmos complexos há bastante tempo. Agora, a evolução é como esses algoritmos podem trazer ainda mais personalização e, principalmente no cenário de um superapp, como esses algoritmos se comportam a partir de um olhar de usuário e não mais de categoria. Isso, com certeza, vai ser o mais disruptivo daqui para frente.

M&M — Para além da tecnologia, que temas estão no seu radar neste ano? Quais as suas apostas para esse começo de festival?

Ana — Minha aposta esse ano é diversificar um pouco o aprendizado. Então, não seguir apenas uma rota específica, como IA ou até marketing. Mas, poder ampliar os horizontes e trabalhar também outros temas, como as mudanças na educação que impactam o comportamento. Tudo aquilo que pode nos dar um vislumbre de futuro a curto e médio prazo.

M&M — No ano passado, 99 relançou sua plataforma de delivery de comida com um investimento de R$ 500 milhões. O que 99 Food e o setor de foodservice podem aprender com um evento, como o SXSW?

Ana — Todos os temas, de alguma forma, permeiam o desafio de 99Food. Desde a mudança de comportamento até como a inteligência artificial se integra a esses processos de escolha; a questão de como tratar o indivíduo dentro do algoritmo, os talentos que trabalham para essa unidade de negócio. Ainda não sei de nada específico que possa ser aplicado a esse segmento, mas estou ansiosa e animada para ver se essa semana de South by reserva alguma surpresa.

M&M — Quando o assunto é o futuro do trabalho, uma das propostas do festival é discutir as transformações e como lidar com a ansiedade gerada pela IA entre os times. Como líder, de que forma você enxerga essa questão? Como tem buscado apoiar seu time nessa transição?

Ana — As palestras de futuro do trabalho estão no meu top list de prioridades. Entender qual o papel da inteligência artificial, o papel do humano, como isso impacta as novas gerações que estão vindo e enfrentando extrema dificuldade em vários âmbitos do trabalho, quais as implicações para as redes sociais.  Tudo isso traz uma grande relevância não só para o negócio, mas para como gerenciamos os times dentro da 99.