Ana Verroni, da 99: qual é o futuro da IA nos superapps?
Diretora de marketing aborda a evolução dos algoritmos e a inovação no ecossistema da plataforma
O último ano marcou um período de expansão para plataforma de mobilidade 99. Em agosto do ano passado, a companhia relançou sua vertical de delivery de comida, a 99Food. O movimento envolveu um investimento de R$ 500 milhões.

Ana Verroni (Crédito: Divulgação)
O valor é parte do investimento de R$ 2 bilhões anunciado pelo DiDi’s International Business Group, grupo chinês controlador da 99. Além do relançamento da vertical de delivery, o aporte visava impulsionar o crescimento do ecossistema da 99 que envolve mobilidade urbana, serviços de entrega e soluções financeiras, com 99Pay.
Também no ano passado, a companhia travou uma briga na Justiça com a prefeitura de São Paulo para retomar o transporte por motocicletas na capital. Já em 2026, a companhia trouxe pela primeira vez a cantora Ivete Sangalo para o Carnaval de rua de São Paulo. À frente do marketing da companhia desde julho de 2022, Ana Verroni enxerga no SXSW uma ferramenta para vislumbrar cenários futuros e busca equacionar tecnologia e humanização na plataforma. Confira:
Meio & Mensagem — Esse é o seu segundo ano de SXSW. O que viu de mais transformador no festival no passado? O que levou para o dia a dia corporativo?
Ana Verroni –– Eu vim em 2023. De lá para cá, muita coisa mudou. Naquela época, já foi muito transformador. Eles focavam muito em inovação, em quais eram os mindsets a serem mudados para ser inovador e ainda não se falava tanto em inteligência artificial. Falava-se muito da internet, da internet das coisas. Tudo isso eu levei, principalmente, a ideia de um mindset disruptivo para fomentar a inovação. Este ano vejo que está bem diferente. Tem muito foco na inteligência artificial. Mas, em como ainda mantemos o toque humano nessa inteligência artificial. Qual o papel dela versus o papel do humano? Isso, para mim, vai ser o mais enriquecedor de levar para dentro do marketing da 99.
M&M — A 99 já lida com algoritmos complexos de rota e precificação. Como você espera que as discussões deste SXSW ajudem a elevar o tema da IA para além da eficiência? Quais as expectativas?
Ana — Sim, a 99 já lida com algoritmos complexos há bastante tempo. Agora, a evolução é como esses algoritmos podem trazer ainda mais personalização e, principalmente no cenário de um superapp, como esses algoritmos se comportam a partir de um olhar de usuário e não mais de categoria. Isso, com certeza, vai ser o mais disruptivo daqui para frente.
M&M — Para além da tecnologia, que temas estão no seu radar neste ano? Quais as suas apostas para esse começo de festival?
Ana — Minha aposta esse ano é diversificar um pouco o aprendizado. Então, não seguir apenas uma rota específica, como IA ou até marketing. Mas, poder ampliar os horizontes e trabalhar também outros temas, como as mudanças na educação que impactam o comportamento. Tudo aquilo que pode nos dar um vislumbre de futuro a curto e médio prazo.
M&M — No ano passado, 99 relançou sua plataforma de delivery de comida com um investimento de R$ 500 milhões. O que 99 Food e o setor de foodservice podem aprender com um evento, como o SXSW?
Ana — Todos os temas, de alguma forma, permeiam o desafio de 99Food. Desde a mudança de comportamento até como a inteligência artificial se integra a esses processos de escolha; a questão de como tratar o indivíduo dentro do algoritmo, os talentos que trabalham para essa unidade de negócio. Ainda não sei de nada específico que possa ser aplicado a esse segmento, mas estou ansiosa e animada para ver se essa semana de South by reserva alguma surpresa.
M&M — Quando o assunto é o futuro do trabalho, uma das propostas do festival é discutir as transformações e como lidar com a ansiedade gerada pela IA entre os times. Como líder, de que forma você enxerga essa questão? Como tem buscado apoiar seu time nessa transição?
Ana — As palestras de futuro do trabalho estão no meu top list de prioridades. Entender qual o papel da inteligência artificial, o papel do humano, como isso impacta as novas gerações que estão vindo e enfrentando extrema dificuldade em vários âmbitos do trabalho, quais as implicações para as redes sociais. Tudo isso traz uma grande relevância não só para o negócio, mas para como gerenciamos os times dentro da 99.