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Bom gosto é o novo ativo

Em um mercado de pensamento commoditizado, o julgamento e o "bom gosto" humano tornam-se vantagem estratégica

Herick Ferreira

Head de Growth da CBA B+G 13 de março de 2026 - 12h15

Em terra de pensamento commoditizado, bom gosto é rei.

No SXSW deste ano, uma palestra específica me chamou mais atenção do que outras discussões sobre o futuro do trabalho. Não por falar de tecnologia mas por falar do que a tecnologia, ainda, não resolve.

No estudo Skills Horizon 2026, os pesquisadores Sandra Peter e Kai Riemer, da University of Sydney, usaram uma palavra simples para nomear isso: taste. Não no sentido estético, mas no sentido de julgamento. Essa capacidade gutural de reconhecer o que é relevante, e de tomar boas decisões, mesmo quando todas as outras opções parecem boas.

O ambiente hoje claramente recompensa velocidade de produção, não qualidade de pensamento. O resultado aparece em todo lugar. Muito volume. Pouca distinção.

É aqui que o papel dos CMOs, o seu e o meu, mudam de natureza.

A maioria das marcas tem acesso às mesmas ferramentas, aos mesmos dados, mesmas tecnologias. E ainda assim, algumas parecem cada dia mais vivas enquanto outras, fabricadas. A diferença nem sempre está no orçamento. Está em quem tomou as decisões.

Taste não é intuição aleatória. É bagagem. Bagagem que vem de conexões não óbvias entre cultura, comportamento e contexto. É julgamento destilado em velocidade. E é exatamente isso que nenhuma ferramenta consegue replicar.

As marcas que vão se diferenciar daqui pra frente não serão as que usaram melhor a tecnologia. Serão as que tem pessoas com julgamento no comando das decisões que a tecnologia não sabe e nem deveria tomar.

E um mercado onde o pensamento virou commodity, bom gosto não é diferencial criativo.

É vantagem estratégica.