Bom gosto é o novo ativo
Em um mercado de pensamento commoditizado, o julgamento e o "bom gosto" humano tornam-se vantagem estratégica
Em terra de pensamento commoditizado, bom gosto é rei.
No SXSW deste ano, uma palestra específica me chamou mais atenção do que outras discussões sobre o futuro do trabalho. Não por falar de tecnologia mas por falar do que a tecnologia, ainda, não resolve.
No estudo Skills Horizon 2026, os pesquisadores Sandra Peter e Kai Riemer, da University of Sydney, usaram uma palavra simples para nomear isso: taste. Não no sentido estético, mas no sentido de julgamento. Essa capacidade gutural de reconhecer o que é relevante, e de tomar boas decisões, mesmo quando todas as outras opções parecem boas.
O ambiente hoje claramente recompensa velocidade de produção, não qualidade de pensamento. O resultado aparece em todo lugar. Muito volume. Pouca distinção.
É aqui que o papel dos CMOs, o seu e o meu, mudam de natureza.
A maioria das marcas tem acesso às mesmas ferramentas, aos mesmos dados, mesmas tecnologias. E ainda assim, algumas parecem cada dia mais vivas enquanto outras, fabricadas. A diferença nem sempre está no orçamento. Está em quem tomou as decisões.
Taste não é intuição aleatória. É bagagem. Bagagem que vem de conexões não óbvias entre cultura, comportamento e contexto. É julgamento destilado em velocidade. E é exatamente isso que nenhuma ferramenta consegue replicar.
As marcas que vão se diferenciar daqui pra frente não serão as que usaram melhor a tecnologia. Serão as que tem pessoas com julgamento no comando das decisões que a tecnologia não sabe e nem deveria tomar.
E um mercado onde o pensamento virou commodity, bom gosto não é diferencial criativo.
É vantagem estratégica.