Conexão Austin

Cinco lições de quem vai pela 4ª vez

No SXSW, a diferença entre exaustão e transformação está na curadoria e nas escolhas

Bettina Grajcer

Sócia fundadora da Auíri, agência da Holding Clube 12 de março de 2026 - 8h36

Quem nunca foi ao SXSW pode imaginar que ele seja apenas mais um grande festival de tecnologia e inovação. Mas quem pisa em Austin pela primeira vez descobre que é muito mais do que isso e quase sempre volta sobrecarregado de palestras, sem ter tido tempo para o que realmente importava.

Depois de três edições, aprendi que a diferença entre um SXSW transformador e um SXSW exaustivo está, quase sempre, na forma como você se prepara e planeja onde vai estar. O SXSW é, antes de tudo, um exercício de curadoria. Quanto mais intencional você for nas escolhas, mais espaço sobra para o inesperado. E isso costuma ser o melhor que você pode viver por lá.

Compartilho o que mudou na minha maneira de navegar o festival e o que recomendo para quem quer aproveitar de verdade.

1. Comece pelas trilhas, não pelas sessões

O erro mais comum é tentar montar a agenda sessão por sessão. O SXSW é grande demais para isso. A abordagem que funciona é escolher primeiro as trilhas que fazem sentido estratégico para você, e aí construir a agenda a partir delas.

Nas últimas edições, as trilhas que mais me trouxeram retorno foram Cities & Climate, com debates densos sobre inovação urbana e desenvolvimento sustentável; Culture, que antecipa mudanças de comportamento e identidade antes de chegarem ao mainstream; Brand & Marketing, com cases reais sobre construção de marca, comunidade e experiência; e Health, cada vez mais relevante pela convergência entre tecnologia, ciência e novos modelos de cuidado.

Mas tem um ponto que considero essencial: escolha também pelo menos uma trilha completamente fora da sua área. Grandes aprendizados para o meu trabalho vieram justamente de sessões onde eu não esperava nada.

2. Monte uma agenda com formatos diferentes de conteúdo

Keynotes são importantes, mas não são tudo. Uma agenda equilibrada combina grandes conferências com sessões menores, workshops, mentorias e conversas com empresas sobre casos reais.

Na prática, workshops e mentorias costumam ser os momentos mais ricos. Eles permitem troca direta, perguntas sem filtro e discussões que dificilmente acontecem num auditório lotado. Se tiver que escolher entre assistir mais um keynote ou participar de um workshop com 30 pessoas, eu ficaria com o workshop.

3. Não subestime as ativações

As ativações de marcas são parte central do SXSW e são frequentemente subestimadas por quem vai pela primeira vez. As empresas investem de forma significativa nessas experiências, e algumas delas entregam aprendizados tão relevantes quanto qualquer palestra.

Recomendo especialmente o XR Experience, para vivenciar em primeira mão tecnologias imersivas que ainda não chegaram ao mercado, e o espaço de Emerging Tech, que funciona como um mapa das soluções disruptivas que vão pautar os próximos anos.

4. Deixe de propósito espaços vagos no calendário

Parece contra intuitivo, mas um dos maiores erros é lotar a agenda. O FOMO no SXSW é real, mas ceder a ele tem um custo alto: você perde as descobertas que só acontecem quando há margem para o acaso.

Espaços livres permitem entrar numa sessão indicada por alguém no corredor, aceitar um convite de última hora, ter uma conversa que muda sua perspectiva sobre um projeto. Algumas das conexões mais valiosas que fiz no festival aconteceram nesses intervalos não planejados.

5. Reserve a noite para a música

Música é parte relevante do DNA do SXSW. A programação musical é super bem feita e um dos seus grandes diferenciais: bandas de todos os lugares do mundo, muitas ainda prestes a despontar, tocando em espaços pequenos e intimistas pela cidade.

Além do prazer óbvio, a música no SXSW funciona como um radar cultural poderoso. Estar nesses shows é também estar em contato com o que vai movimentar comportamento, estética e narrativa nos próximos anos e você vai poder curtir antes de todo mundo!