Qual tecnologia pode ser a próxima alavanca de crescimento criativo?
Entre criatividade e resultados, o debate sobre estratégia criativa ganha espaço no festival
Mergulhando de cabeça nas trilhas de Creator Economy e Start Up do SXSW 2026, a minha grande aposta de primeira vez no evento é entender qual é próxima possível alavanca de crescimento criativo, em um ano onde o protagonismo dos paineis está claramente voltado para a intersecção entre IA e criação humana.
Como fundador da Nudgy e mentor de Creative Strategy para brasileiros que querem internacionalizar suas carreiras, tenho a missão de unir times de criação e performance com assets e sistemas criativos que escalam campanhas e receita, principalmente marcas DTC.
Então a pergunta a ser respondida é: qual a próxima tecnologia que pode trazer uma vantagem competitiva assimétrica para marcas de crescimento acelerado? E historicamente encontramos alavancas ao falar de creators ou de sistemas.
Desde a popularização das redes sociais digitais, a estrutura da creator economy já nasce em um contexto de desafiar o modelo tradicional de comunicação. Plataformas surgem como grandes players e unicórnios, enquanto criadores assumiram o papel de empreendedores culturais muitas vezes subvertendo o papel das grandes mídias; enquanto marcas passaram a utilizar esse ecossistema como uma alavanca de crescimento frente a players maiores e mais estabelecidos.
E existe algo em comum em todas essas mudanças de poder: novos comportamentos sempre emergem da adoção de novas tecnologias. Cada virada da economia digital acontece quando uma tecnologia deixa de ser experimental e passa a reorganizar como as pessoas criam, distribuem e consomem conteúdo. E quem adota primeiro, aplica de forma acelerada e consegue abrir mercado.
Com GPTs se tornando cada vez mais commodity, começamos a ver uma nova reorganização desses modelos aplicados ao processo de criação e aquisição de marcas:
Em 2023, vimos a popularização dos modelos generativos e das primeiras ferramentas capazes de criar texto, imagem e código em escala com o mínimo de qualidade.
Em 2024, vimos a integração dessas tecnologias ao cotidiano das empresas, com copilotos criativos, automatizando processos e ferramentas de geração de conteúdo integradas a plataformas de trabalho.
Em 2025, começaram a surgir equipes agenticas, nas quais múltiplos agentes de IA executam tarefas específicas dentro de um fluxo de trabalho maior, dando origem a novas plataformas, interfaces de automação criativa e sistemas capazes de operar projetos inteiros sozinhos e de forma colaborativa com humanos.
No cenário onde equipes híbridas, formadas por humanos e agentes de IA passam a colaborar para acelerar pesquisa, produção e experimentação criativa, essa tecnologia funciona como infraestrutura operacional da criatividade.
Por isso em 2026, muitos dos painéis parecem caminhar para nos aprofundarmos em interfaces invisíveis, onde a interação com tecnologia começa a migrar de aplicativos e sites para experiências mais conversacionais e contextuais, em que muitas ações acontecem sem que o usuário precise navegar por diferentes plataformas – desde wearables com aprendizado real time, IA fazer compras para você pelo chat, até produzir conteúdos de vídeo em escala através de um prompt via áudio.
A programação deste ano parece refletir um momento de transição: menos fascínio pela tecnologia em si e mais interesse em entender sobre sua implementação de forma transversal em diferentes áreas da vida, e nosso interesse foca no papel criativo humano em meio a uma quantidade abundante de conteúdo.
Como professor de Criação, Performance e Creator Economy, também vou com a missão de traduzir isso para o mercado e a sala de aula executiva. E o que de fato é aplicável no Brasil, e o que ainda enfrenta um gap tecnológico ou de infraestrutura para ser considerado no país.
Principalmente em um ano marcado por Copa do Mundo, eleições e outros eventos globais, onde pautas sobre credibilidade, manipulação de algoritmos e governança de IA podem revelar que na verdade a grande alavanca de crescimento pode estar nos sistemas e toques de credibilidade que vão ser construídos e orquestrados por humanos na fronteira entre criação e performance.