Deus me livre de ser CMO
SXSW 2026 revela que o desafio do CMO não é a falta de inovação mas a paralisia diante de tanta abundância
Não tenho nada contra, tenho até amigos que são. Risos de nervoso.
Mas eu tive esse insight em uma breve passada pela trilha de conteúdo para marcas no SXSW. Como cubro o a trilha Creator Economy e atendo diariamente na consultoria, as marcas (e os CMOSs) nessa que é UMA das mil disciplinas dessa cadeira, sempre tento garimpar o que há de mais relevante em conteúdo de marca no festival. Uma tarefa que parece simples, afinal, é o evento de cultura, tecnologia e inovação mais comentado do mundo.
Só que aí bate o estalo.
Se pra mim é difícil escolher, imagina pro CMO? Não porque o conteúdo é ruim, mas porque são camadas demais: ativações de marca, palestras patrocinadas, cases de performance, discussões sobre IA criativa, branding emocional, experiência física, digital, híbrido… Tudo ao mesmo tempo, tudo urgente, tudo “o futuro do marketing”.
O festival vira um espelho do próprio marketing: abundância que paralisa.
Imagino meus amigos CMOS, acordando às 6h da manhã e, antes de tomar o primeiro café, já tem 47 notificações. Uma sobre o novo algoritmo do Google, outra sobre uma campanha que viralizou do jeito errado, e uma terceira perguntando “o que a gente vai fazer com IA agora?”.
Ele não pode só se atualizar, mas precisa ter opinião formada e plano de ação para:
- Performance e brand (que vivem em guerra)
- SEO que muda de regra toda semana
- Criatividade que precisa ser também mensurável
- IA que promete resolver tudo e complica o dobro
- Creator Economy e comunidades
- Retail Media
- Times que falam línguas diferentes (o cara de mídia paga não entende o de CRM, que não entende o de conteúdo, que quer matar o gerente de Influência)
E ainda precisam escrever pro Linkedin, dar entrevista pro Jornal, entrevistar um candidato para vaga X, crescer os seguidores do próprio Instagram, acompanhar o concorrente e óbvio: VIVER.
Há tanto sinal que fica difícil separar do ruído.
Se eu, que estou olhando “de fora”, tive dificuldade de colocar em perspectiva, o que dizer do CMO que está tentando tomar decisões de budget, time e estratégia com esse mesmo mapa nas mãos e ainda precisa responder ao CEO na segunda-feira?
Amigos CMOs, um abraço apertado. A vida de vocês é uma loucura. Como vocês conseguem?