Conexão Austin

O que um maratonista especialista em varejo vai buscar?

Antes das palestras, a missão é observar como pessoas estão descobrindo marcas e tomando decisões de consumo.

Paulo Conegero

CEO na P.CON 12 de março de 2026 - 11h09

Tenho mais de 20 anos trabalhando com varejo, comecei a correr há pouco mais de um ano e esta será minha primeira vez no SXSW.

Se alguém me perguntasse o que essas três coisas têm em comum, talvez a resposta seja curiosidade.

Curiosidade essa que me faz buscar nessa nova jornada evoluir conhecimentos sobre um tema muito particular: comportamento.

Quero entender como as pessoas descobrem marcas, tomam decisões de compra e constroem relações com produtos em um mundo cada vez mais mediado por tecnologia.

Essa pergunta me acompanha há anos. Trabalhar com varejo ensina rapidamente que grandes transformações raramente aparecem de forma repentina. Elas surgem nos hábitos cotidianos, nas pequenas mudanças que aparecem nas ruas, nas vitrines e nas conversas.

Minha trajetória começou no chão de loja. Ao longo do tempo passei por diferentes funções até chegar hoje como advisor, speaker e empreendedor. Depois de duas décadas acompanhando o mercado de perto, a inquietação continua a mesma: entender o que realmente está por trás do desejo do consumidor.

Talvez por isso eventos como esse despertem tanta curiosidade. Eles reúnem tecnologia, cultura, marketing e criatividade em um mesmo lugar.

Mas existe algo curioso sobre o SXSW. O festival começa muito antes de Austin.

O SXSW começa antes de Austin

Participar do SXSW pela primeira vez significa perceber que o evento começa semanas antes da viagem.

Ele aparece nas conversas, nos grupos de WhatsApp e na tentativa de descobrir quais sessões realmente valem a pena. Nas últimas semanas, organizar a programação virou quase um exercício diário.
Essa sensação tem até nome: FOMO, o medo de estar perdendo algo importante.

Com milhares de sessões acontecendo ao mesmo tempo, essa ansiedade faz parte da experiência. E talvez diga algo sobre o momento que vivemos. Novas tecnologias surgem o tempo todo e a sensação de que sempre existe algo relevante acontecendo virou constante.

O que quero investigar no festival

Voltando ao ponto central, minha curiosidade no SXSW passa por algumas perguntas.

A primeira é observar como o varejo continua sendo um excelente laboratório para entender comportamento humano. Nas vitrines e nas experiências de compra é possível perceber rapidamente o que chama atenção e o que passa despercebido.

Também me interessa entender como cultura e entretenimento influenciam a experiência de consumo. Uma das sessões da minha agenda é “Mall Rats Reborn: How Hot Topic Is Using Entertainment to Revitalise Retail”, que discute como música, fandom e cultura pop estão sendo usados para revitalizar lojas.

Outro ponto importante envolve a transformação da internet. Painéis como “The Internet After Search” discutem como a descoberta de marcas está mudando em um ambiente cada vez mais mediado por inteligência artificial e algoritmos.

E existe ainda uma pergunta central: como as marcas continuam relevantes em um cenário onde a atenção se tornou um dos recursos mais disputados?

O que vem depois da inteligência artificial

Nos últimos anos, grande parte das conversas sobre inovação foi dominada pela inteligência artificial. Ferramentas como ChatGPT e Gemini mudaram a forma como produzimos conteúdo, pesquisamos e analisamos dados.

Mas existe uma pergunta que continua aberta: em que momento a inteligência artificial passa a ser decisora na jornada de compra e em que momento o fator humano continua determinante?

A jornada de consumo já não é linear. Ela acontece em diferentes plataformas e pontos de contato.

Um produto pode ser descoberto em um vídeo curto, em uma busca ou simplesmente em uma vitrine.

Nesse cenário, a questão central passa a ser como uma marca se diferencia. O que cria desejo? O que gera relevância?

Uma jornada em construção

Essa primeira experiência no SXSW também acontece em um momento pessoal interessante. A corrida entrou recentemente na minha rotina e acabou se tornando um espaço de troca entre profissionais do varejo.

Dessa conexão nasceu o Retail Runners, um movimento que reúne pessoas do mercado em torno da corrida e da troca de repertório.

Além da programação oficial, também quero acompanhar alguns encontros paralelos que despertam curiosidade, como discussões sobre o futuro da moda e sobre como o Japão conecta música e cultura dentro de seu ecossistema.

Minha expectativa ao chegar ao SXSW não é voltar com respostas definitivas. Quero sair de Austin com mais repertório, novas conexões e talvez perguntas melhores do que as que trouxe comigo.
Nos próximos dias estarei no melhor palco para observar essas mudanças de perto.