Steve Carell prioriza autenticidade e leveza na série Rooster
No SXSW, ator detalha sua visão como produtor executivo e defende um ambiente de trabalho positivo na comédia
A série Rooster, da HBO Max, estreou em 8 de março. Em três dias, ela recebeu o título de série de comédia com mais telespectadores da HBO Max em dez anos. Foram somados quatro milhões de pessoas que assistiram o conteúdo apenas nos Estados Unidos. A trama conta a história de Greg Russo, um autor de best-sellers que decide dar aulas na mesma universidade na qual a filha é professora e se mudar junto à filha para ajudá-la em momentos de fragilidade na sua vida pessoal e no trabalho.
Steve Carell interpreta o protagonista. O elenco também é composto por Charly Clive, que vive o papel da filha de Gred, e Danielle Deadwyler, que interpreta o interesse romântico do autor. Esse é o primeiro trabalho de Danielle na comédia. O elenco participou de um painel sobre a série no South by Southwest 2026 junto aos diretores e produtores Bill Lawrence e Matt Tarses.

Bill Lawrence, Steve Carell, Charly Clive, Danielle Deadwyler e Matt Tarses participaram do painel no SXSW 2026 (Crédito: Thaís Monteiro)
Carell também é produtor-executivo da série. O interesse de fazer parte da produção partiu de experiências comuns que ele e Tarses têm com as filhas que estão se tornando adultas. O ator também admitiu que se identifica com aspectos de seu personagem, como ser alguém bem-sucedido profissionalmente, mas que não se sente completamente confortável ou adequado nesse mundo de fama.
“Tornar-se famoso não era algo que ele buscava. Ele só queria ser escritor. Mas, quando todo o resto aconteceu, ele precisou sair um pouco de si mesmo e talvez assumir uma certa persona que funcionasse. Há uma certa estranheza nisso, mas ele não é uma pessoa estranha. É um pouco tímido, mas não acho que seja introvertido — existe essa zona cinzenta que achei interessante explorar”, descreveu.
Como produtor-executivo, Carell ajudou na seleção dos atores, mas busca interferir o mínimo possível na história, apenas pede ajustes pequenos em momentos em que alguma fala ou ação soa falsa ou descontextualizada para que a história se mantenha autêntica.
“Bill e Matt perguntaram se eu queria participar da escrita do piloto. E eu disse que não — a ideia era deles. Sempre acho que, especialmente no início, as coisas funcionam melhor quando têm uma voz mais singular, e não são escritas por um comitê, porque assim se tornam algo mais tangível. Ganham um ponto de vista real, e eles claramente pareciam ter uma ideia de onde queriam chegar.”, disse.
Além disso, ele busca fomentar um ambiente confortável para que os atores jovens se sintam tranquilos em errar e se divertir.
“É a primeira vez deles em um set, e há muita pressão — não que alguém tenha colocado essa pressão sobre eles, mas ela existe naturalmente. A confiança cresceu muito rápido e, em parte, acho que era meu papel colocá-los em uma zona de conforto o máximo possível, mostrando que tínhamos liberdade para errar. Não há nada de errado aqui. Não existe certo ou errado — vamos escolher a melhor opção, nos divertir no processo e experimentar”, colocou.
Manutenção de elenco
Uma parte significativa da conversa no SXSW teve como foco a defesa de um ambiente de trabalho positivo, com um elenco cuja dinâmica fosse natural e divertida, replicando os bastidores de séries como The Office, da qual Steve Carell fez pare, e Scrubs, do produtor Bill Lawrence. A escolha dos atores foi feita em leituras de cenas via Zoom.
Bill Lawrence e Matt Tarses instituem, em suas produções, uma regra para evitar contratar “babacas”, descreveu Lawrence, para garantir um ambiente de trabalho saudável e colaborativo. Essa política se faz prática nas entrevistas via Zoom, em que fazem perguntas para compreender o modo do ator trabalhar.
Para Carell, na sua fase de vida, a experiência é tão importante quanto o resultado final do seu trabalho. “A política de ‘no assholes’ se aplica. Não quero mais perder tempo com isso. Não é que eu tenha trabalhado com muitas pessoas difíceis – na verdade, tive bastante sorte nesse sentido -, mas essa cultura predominante eu atribuo ao Bill e ao Matt: era um ambiente em que você podia simplesmente se divertir e relevar certas coisas. Isso aparece no que você vê. Dá para perceber que foi algo feito com alegria desde o início”, dividiu.
Para a dupla, trabalhar com atores já conhecidos por eles e que integraram outras produções suas facilita a escrita do roteiro e a comunicação no set, mas o elenco é composto por talentos novos à eles. A atriz dramática, Danielle Pinnock, buscou o papel de Dylan para desafiar seu sistema nervoso em um gênero mais ágil e inteligente, disse.
Os diretores também buscaram fomentar um ambiente onde a falha é permitida, tirando a pressão das gravações, assim como a liberdade para co-criar a série, trazendo nuances às cenas e aos personagens. “Se você pode criar esse tipo de ambiente de trabalho, acho que, com sorte, isso transparece na tela”, disse Lawrence.

