Opinião WW

Corpo em movimento não é lifestyle, é estratégia

Ainda parece estranho para remarcar uma reunião por conta de uma ida à academia?

Gilvana Viana

CEO e cofundadora da MugShot, Punks S/A e CasaBlack 2 de março de 2026 - 10h12

(Crédito: Shutterstock)

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O ano está começando e aposto que você tem muitas metas para a sua saúde. Voltar para a academia, começar uma aula de dança, correr 5k, 10k ou uma maratona, e por aí vai. Por aqui estamos com muitas metas também.

O motivo de trazer esse assunto é porque muito se fala sobre nossas conquistas profissionais. Postamos eventos, novos cargos, simpósios, prêmios e workshops como se fôssemos máquinas. Mas também precisamos de cuidado. Olhar para o nosso corpo e mente com carinho. Afinal, nossa performance no trabalho depende de como está a nossa saúde.

Exercício físico é compromisso

Certo dia ouvi um podcast da Leila Brandão, chamado ‘Gostosas Também Choram’, no qual ela se recusou a estender uma reunião dizendo que tinha um compromisso inadiável. Ela não contou ao cliente, mas o compromisso era ir à academia.

Parece estranho para você remarcar uma reunião por conta de uma ida à academia? Na nossa cultura corporativa, sim. Já avançamos um bocado, mas ainda vivemos sob uma lógica de colocar o trabalho na centralidade da nossa vida. Entretanto, sem saúde, não há condições de fazer um bom trabalho.

O entendimento de que a saúde é importante para os negócios tem sido mais difundido nos últimos anos. Um exemplo disso são os mais de 400 milhões de check-ins no Gympass, agora WellHub, em sua rede global de parceiros. Esse indicador mostra um alto engajamento em práticas de saúde física e mental entre profissionais de diferentes empresas.

Isso evidencia que, cada vez mais, os benefícios que incentivam o movimento não são apenas um “plus”, mas parte de estratégias corporativas para bem-estar e desempenho sustentável.

Mulheres negras: movimento é amor próprio

Segundo dados recentes do Check-up de Bem-Estar 2025, apenas 33% das mulheres negras no Brasil conseguem se exercitar com regularidade, um número consideravelmente menor que o das mulheres brancas (42%). Isso escancara como as barreiras sociais e econômicas impactam diretamente nossa relação com práticas saudáveis.

Existem diversos motivos para que mulheres negras não acessem o exercício físico, tais como: falta de tempo por longos deslocamentos entre o trabalho e a casa, a dupla jornada pelo trabalho doméstico, ser a única responsável pela família, entre outros.

Contudo, existe outro fator que também é efeito direto do racismo e do machismo: a negligência consigo mesma. Mulheres negras são incentivadas a cuidar do outro e as deixarem para depois. Nós fomos historicamente ensinadas que, em um cotidiano com múltiplas funções e desafios, olhar para a própria saúde não é a prioridade.

Por isso, para mulheres negras, se exercitar é mais do que cuidar do corpo, é um ato de quebra de padrões e amor próprio. Para mulheres negras em espaços de liderança profissional, o exercício físico também é estratégia de permanência e poder. Dessa forma, nos mantemos fortes para ocupar espaços e seguir em frente gerando impactos reais.

A corrida, por exemplo, tem sido apontada como uma prática que desenvolve habilidades valiosas, como disciplina, resiliência e clareza mental. Tudo isso se traduz em mais calma, foco e condições primordiais para viver e trabalhar melhor.

É por isso que eu acredito que um corpo negro em movimento não é apenas uma meta de lifestyle, é uma escolha consciente de autocuidado e estratégia. É afirmar que nossa saúde importa. Cuidar de nós é uma forma poderosa de liderar. Eu não abro mão da prática de atividades físicas para manter a minha saúde e bem estar.

E você, tem olhado para si mesma com amor e carinho? Aproveite o início do ano para incluir alguma atividade física na sua rotina. Comece aos poucos, sem cobrança, mas comece.