Opinião WW

Maio, mães e o meu viés sobre carreira

O papel das empresas é crucial nessa dupla jornada: precisamos de ambientes acolhedores, flexíveis e de confiança

Ana Célia Biondi

CEO da JCDecaux Brasil 22 de maio de 2026 - 9h22

(Crédito: Shutterstock)

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Maio sempre me faz voltar ao mesmo tema: carreira e maternidade. Assumo meu viés sem rodeios. Acredito que a maternidade melhora a carreira – e que a carreira melhora a maternidade.

Não é teoria; é a experiência de viver entre reuniões, prazos, febre de filho e lição de casa, aprendendo a priorizar, delegar, ganhar foco e, sobretudo, perspectiva. Ser mãe me tornou uma líder mais humana e resiliente. E a carreira me fez uma mãe mais consciente, menos controladora, que confia, pede ajuda e mostra aos filhos que adultos não são super-heróis.

Dentro de casa, o exemplo fala alto. Meninas que veem suas mães trabalhar naturalizam autonomia, ambição e liderança. Meninos que crescem com mães que trabalham aprendem, na prática, que o trabalho da mulher importa tanto quanto o do homem, e tendem a ser parceiros mais equilibrados no futuro.

Nesse contexto, o papel das empresas é crucial, sobretudo nos primeiros 24 meses após a maternidade, quando a mulher mais precisa de flexibilidade e de uma rede verdadeira de apoio, e não apenas no discurso.

Precisamos de ambientes acolhedores, flexíveis e que confiem nas profissionais em vez de olhá‑las com desconfiança e distância. E aqui entra uma responsabilidade especial de nós, mulheres que lideramos empresas: puxar essa conversa, influenciar políticas e culturas internas, e garantir que cada vez mais organizações sejam estruturadas para integrar, e não punir, a maternidade.

Neste mês das mães, quero defender essa narrativa: em vez de enxergar a maternidade como um freio para a carreira, podemos vê‑la como uma potência. Reconhecer que filhos de mães que trabalham, meninos e meninas, crescem com uma relação mais madura, realista e positiva com a profissão e com o papel das mulheres na sociedade.