O que move a mulher empreendedora na América Latina

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O que move a mulher empreendedora na América Latina

Grupo DAN divulga estudo inédito sobre o empreendedorismo feminino na região e, no Brasil, dá início a um programa de financiamento de projetos

Isabella Lessa
28 de novembro de 2017 - 8h00

A participação das mulheres na força de trabalho é assunto que virou pauta do G20 em 2014. Na ocasião, a cúpula do grupo fez um comprometimento de reduzir em 25% a discrepância nas taxas de presença de homens e mulheres empregados até 2025. Em 2017, mesmo em meio à ascensão de debates sobre equiparação de salários e condições mais justas de trabalho para todos os gêneros, o índice de participação na força de trabalho global para as mulheres é de 49%, enquanto a dos homens é de 76%. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, a porcentagem permanecerá inalterada em 2018.

Com o intuito de contribuir para uma mudança de cenário para que as mulheres passem a ocupar cada vez mais empregos e, mais do que isso, sejam chefes de seus próprios negócios, a Dentsu Aegis Network acaba de divulgar o estudo “Hear Her Voice”, que traça o perfil das empreendedoras na América Latina, mais precisamente no Brasil, Argentina, Colômbia e México. O material, resultado de mais de mil entrevistas com mulheres com idade entre 18 a 54 anos – 200 argentinas, 378 brasileiras, 208 colombianas e 225 mexicanas –, mais o monitoramento de mais de 153 mil perfis e menções sobre o tema nas redes, esmiuça as áreas de atuação dessas mulheres e quais são as principais motivações e desafios envolvendo seus negócios.

A Dentsu Aegis já havia feito esse estudo, mas na Ásia. A decisão de fazer a versão latino-americana veio, segundo Claudia Colaferro, presidente da Dentsu Aegis Network Latam, depois que a equipe traçou paralelos entre os desafios enfrentados pelas asiáticas e pelas latinas, ainda que consideradas as diferenças culturais. O Hear Her Voice Latam comprovou que as dificuldades são as mesmas. Há, por exemplo, uma dificuldade geral para conseguir financiamento: somente 5% das entrevistadas receberam ajuda financeira de bancos ou outras instituições para erguer seus negócios. Um segundo ponto comum é a concentração de esforços em torno de segmentos tradicionalmente ligados universo feminino, como cosméticos, cuidados pessoais, roupas e acessórios. Em terceiro, falta coaching para que elas consigam ultrapassar barreiras e fazer o negócio prosperar. E é justamente nessas três áreas que a DAN deseja entrar por meio de sua expertise em comunicação digital, capacitando os negócios dessas mulheres.

Claudia Colaferro e Flavia Spinelli (Crédito: Arthur Nobre)

Segundo o estudo, os maiores entraves para as mulheres consultadas são: demora para a entrada de lucro (26%), trabalhar sozinha na operação (22%), trabalhar em outro emprego para conseguir ganhar dinheiro suficiente (20%) e dificuldade em encontrar pessoas com capacitações necessárias (19%).

Além de detalhar a atuação dessas mulheres, o estudo conseguiu verificar de que maneira a tecnologia está presente nos negócios delas, seja por meio da divulgação de produtos e serviços nas redes sociais, na venda de produtos e nas transações, ainda que meios de pagamento como o PayPal ainda sejam pouco difundidos na região. Para 82% das brasileiras ouvidas, as plataformas sociais ajudam nos negócios, principalmente o WhatsApp. No entanto, elas ainda estão atrás das outras colegas latinas quando ao uso do celular nos negócios: no México, o aparelho é essencial para as vendas de 38% das mulheres, enquanto no Brasil a afirmação é verdadeira para 23% delas. “Além de a gente ter diagnosticado como o digital ajuda em cada uma das áreas, trouxe um caminho para que a gente, como grupo, percebesse que temos potencial para ajudar nessa transformação”, diz Flavia Spinelli, vice-presidente de planejamento do Dentsu Creative Group.

A holding então decidiu então dar início a um plano de ação por meio de um projeto piloto que identificou projetos de jovens empreendedores da periferia de São Paulo que já estavam em andamento, mas que precisavam de estímulo e orientação para evoluir. De junho a setembro, às terças e quintas, o DAN mobilizou cerca de 50 funcionários para participar de um curso de capacitação com o objetivo de guiar 16 empreendedores em aspectos como estruturação e criação de um plano de negócio e construção de propósito. “Nosso potencial enquanto grupo não é somente o de transmitir nosso conhecimento em comunicação, mas de criar redes para fortalecer esses projetos”, comenta Flavia. Hoje, uma rede de 160 pessoas colabora com esses trabalhos, que inclui não somente profissionais de agências, mas profissionais de coaching e professores de inglês, por exemplo. Tem ocorrido, inclusive, a colaboração entre os participantes do projeto piloto, confirmando um dado do estudo que aponta o senso de coletividade entre as mulheres: 94% estão dispostas a orientar mulheres que desejam se tornar empreendedoras no futuro.

Um dos principais saltos promovidos pelo programa foi a questão ferramental do digital. De acordo com Claudia, a finalização das negociações das empreendedoras ainda ocorria predominantemente no meio físico. “Isso limita, porque se conseguisse finalizar pelo digital o crescimento seria exponencial. Como rede de agências digitais, conseguimos transformar isso”, diz.

Ao final do programa, os 16 participantes fizeram uma apresentação em forma de pitch com duração de sete minutos. Em 2018, além de continuar oferecendo treinamento, o DAN irá financiar alguns projetos a serem selecionados nos próximos meses. “Tínhamos que fundamentar esse projeto no piloto e, a partir de agora, obtivemos apoio de Américas para investimento porque esse programa se encaixa na proposta estratégica do grupo de tomar ações para melhorar o cenário da diversidade”. A executiva também deixa claro que o projeto é de código aberto e pode ser utilizado por qualquer agência ou empresa. Os interessados em participar do projeto podem escrever para queroinovar@dentsuaegis.com.

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