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Os riscos envolvidos no post da Marisa

Em ação de Dia das Mães no Instagram, marca faz menção indireta à Marisa Letícia, ex-primeira-dama, que faleceu em fevereiro deste ano

Luiz Gustavo Pacete
15 de maio de 2017 - 9h37

Em ocasião do Dia das Mães, a rede de lojas Marisa publicou um post no Instagram com menção indireta à Marisa Letícia, ex-primeira dama, que faleceu em fevereiro deste ano. No post, a marca usa uma expressão que remete ao caso da denúncia de recebimento de um triplex relacionado à esposa do ex-presidente Lula na operação Lava Jato.”Se sua mãe ficar sem presente, a culpa não é da Marisa”, diz o post. A publicação gerou diversas reações nas redes sociais. Hashtags como #naocomprenamarisa viralizaram durante o fim de semana. Outros consideraram a atitude criativa.

De acordo com João Rego, professor especialista em marketing digital da FGV, as marcas têm de ficar atentas as suas decisões quando de alguma forma entram em terrenos políticos e polêmicos. “Atualmente todos estão com nervos a flor da pele e opiniões extremamente polarizadas. Nas redes sociais, mesmo os que não opinariam no mundo real deixam as amarras sociais para falar”, diz João. “O post da Marisa dividiu opiniões. Analisando os comentários das redes sociais vemos pessoas chamando a atitude de fantástica a mórbida.”

“Contra a campanha temos o fato dela ter falecido e isso pode soar como falta de respeito com a família e a memória da ex-primeira dama. Sendo que quando ainda viva a marca nunca se utilizou da semântica para nenhuma campanha. A favor temos uma pitada de humor ácido, pouco comum nas peças da marca até então nas redes sociais”, diz João. “Alguns usuários alegaram que passariam na Marisa para comprar o presente do dia das mães pela ótima ‘sacada’. Se objetivo era buzz, a marca conseguiu o que queria. Com relação ao boicote prometido por alguns pequenos protestos no mundo real, acredito que não será levado as vias de fato”, conclui.

Post publicado pelas Lojas Marisa

A atitude da Marisa remete à entrada de marcas em áreas delicadas e polêmicas. Em março do ano passado, as redes de alimentação Habib’s e Ragazzo apoiaram as manifestações contra o Governo Dilma. Nas redes, a marca usou a hashtag #fomedemudança, as lojas foram decoradas de verde e amarelo e distribuíram cartazes e bottons para quem queria se manifestar. Procurada, a rede Marisa não se pronunciou sobre o assunto. A Purple Cow, agência responsável pelo post, também não comentou.

 

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  • Silvio César

    E dizem por ai que o brasileiro é um povo com senso de humor. Gente, menos. Achei engraçadíssimo o post. Se a gente não rir das nossas próprias desgraças ai tudo está perdido mesmo.

  • Marlon Barg

    Oi? Menção indireta?? Não consigo juntar esses pontos.
    Eu não consigo associar o post da loja à falecida primeira dama. Nem passou pela minha cabeça. Só pensei: “ah, essa loja tem preços super baixos, realmente não será por isso que alguma mãe ficaria sem presente”. Polêmica besta.

  • Celso Muniz

    existe uma diferença – para alguns sutil – entre anúncio de oportunidade e anúncio oportunista. a marisa correu o risco de fazer um anúncio de oportunidade oportunista – e de baixo índice criativo, com aproximação semântica rasteira entre o nome da loja e a pretensa imputação de culpa a quem bem sabemos. se isto gerou buzz favorável a imagem de marca ou as vendas, é bastante questionável. pessoalmente, acho que ás vezes, a grande sacada, é não fazer igual. isso independe de preferência ideológico-partidária. talvez por ser da velha? escola de ogilvy, sempre penso na minha- e na mãe dos outros – quando me aparecem soluções de alto-impacto fáceis como esta. o desafio, sempre, é atingir o buzz, sem atingir as pessoas, sejam elas culpadas ou não. porque neste caso, os únicos culpados, foram os que tomaram a decisão de fazer o anúncio. como diz o velho ditado, pimenta no cu dos outros é refresco. e como eu tenho cu, acredito que todos os demais também tenham, me contenho. afinal, mesmo quando combato inimigos, não é lhes tacando pimenta no cu da mães, esposas, filhos, etc, ainda mais recém mortas, que isto me fará vencedor, criativo ou superior. muito pelo contrário. há que se ter elegância para consigo próprio, mesmo quando outro lado nos atiça à merda.