“Quadrinistas mulheres seguem invisíveis no mainstream”

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“Quadrinistas mulheres seguem invisíveis no mainstream”

Gabriela Borges, fundadora do movimento Minas de HQ, aproveita o dia do Orgulho Geek para falar sobre equidade de gênero na cena criativa

Luiz Gustavo Pacete
25 de maio de 2018 - 7h03

 

Gabriela Borges, fundadora do projeto Mina de HQ (Crédito: Divulgação)

No dia em que se comemora o Orgulho Geek há motivos para se orgulhar quando o assunto e equidade de gênero? Para Gabriela Borges, fundadora do projeto Mina de HQ, não existe desculpa para dizer que não há mulheres talentosas produzindo quadrinhos independentes, no entanto, chegar ao mainstream ainda é um desafio.

O Minas de HQ se propõe a dar visibilidade às mulheres quadrinistas, pessoas trans e não-binárias. Desde que foi lançado,em 2015, já compartilhou a obra de cerca de 500 artistas de diversos países do mundo em posts diários nas redes sociais. “A internet mudou o mercado de quadrinhos e hoje essas artistas criam seus próprios meios de publicação. Mas no mainstream, onde está o dinheiro e o reconhecimento, esses trabalhos e essas artistas seguem invisibilizadas”, afirma Gabriela.

Crédito: Mauren Veras – Mina de HQ

Em entrevista ao Meio & Mensagem, ela reforça a importância da inclusão no mercado de quadrinhos e fala sobre preconceitos e barreiras contra a mulher no meio.

Meio & Mensagem – No Dia do Orgulho Geek há algo do que se orgulhar sobre o avanço da mulher nesse ambiente?
Gabriela Borges – Há muitas mulheres produzindo quadrinhos de maneira independente. As pessoas dizem que é difícil encontrar o trabalho de autoras que fazem HQs, mas não é nada difícil, as redes sociais estão aí para isso. A internet mudou o mercado de quadrinhos e hoje essas artistas criam seus próprios meios de publicação online e conquistam públicos fiéis enormes em blogs, sites, redes sociais e publicações viabilizadas por meio de financiamentos coletivos, além de estarem muito unidas em coletivos e grupos de discussão. Tudo sem apoio de editoras, livrarias e premiações. Isso é um avanço. Mas é importante lembrar que no mainstream, onde está o dinheiro e o reconhecimento mais tradicional, esses trabalhos e essas artistas seguem invisibilizados.

M&M – E por qual motivo essa dificuldade?
Gabriela – Falta um interesse real das editoras brasileiras em publicarem mais mulheres, dos prêmios em reconhecerem esses trabalhos, dos eventos em chamar as artistas para mesas que não sejam só sobre a perspectiva feminina. As mulheres não só gostam de ler HQs como representam uma fatia muito importante neste mercado.

M&M – Quais os principais desafios?
Gabriela – Os caras cheguem me dizendo “ah, gosta de quadrinhos? então, qual é seu personagem preferido da Marvel?” ou fazem perguntas mais capciosas, para saber mesmo se sou realmente entendida do assunto. Isso me irrita muito. Nem gostar de histórias de herói eu gosto. Perco minha carteirinha nerd por isso? Eu poderia responder perguntando algo sobre o quanto eles sabem das quadrinistas mulheres, mas para quê responder na mesma moeda, não é mesmo?

Crédito: Stamberkart – Mina de HQ

M&M– De que maneira, as personagens femininas que estão ganhando mainstream, Mulher Maravilha, Capitã Marvel e outras, ajudam (ou atrapalham) de alguma forma?
Gabriela – As histórias de herói alcançam muita gente pelo mundo, isso é inegável. Então, com certeza é muito importante ter mais mulheres por trás dos desenhos e dos roteiros das grandes editoras. E isso se reflete diretamente nas personagens. Infelizmente, ainda tem gente que segue afirmando com todas as letras que uma grande heroína não é nada sem um “belo uniforme”. Pode fazer uma pesquisa básica aí que você vai ver a quantidade de listas que há do tipo “as superheroínas mais provocantes dos quadrinhos”, “as heroínas mais sexies da Marvel”. Acredito que quanto mais bem representadas essas personagens famosas forem, mais bem representadas todas as outras personagens serão. Mas outra coisa muito importante que precisa acontecer para que o mainstream tenha uma maior diversidade de representações nas personagens é que haja mais autoras e roteiristas, mulheres, trans e não-binárias. E que as editoras publiquem mais livros dessas artistas.

*Crédito da imagem o topo: fafapelts, Mina de HQ

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