Aquecimento global (e local) em Amsterdam
Entidade que difunde padrão de sustentabilidade mundial busca credibilidade dos dados das ?estratégias verdes? das empresas
(*) Por Ernesto Bernardes
Começa nesta quarta-feira, 22, em Amsterdã, capital da Holanda, a Conferência Global sobre Sustentabilidade e Relatórios Corporativos, organizada pelo Global Reporting Initiative (GRI), organismo que estabelece o padrão mais difundido no mercado para os relatórios de sustentabilidade. Participam mais de 1,5 mil representantes de empresas, ONGs, governos e entidades reguladoras do mercado, vindos de todo o mundo. O clima está quente, mas não por causa do efeito estufa: o encontro se iniciará com a divulgação das novas diretrizes do GRI e a previsão é de que isso aumente a temperatura das discussões.
No ano passado, havia sido anunciado que as exigências para a publicação dos relatórios de sustentabilidade seriam simplificadas. Foi um alívio para muitos que sofriam com as dificuldades em gerir a enorme lista de indicadores sociais e ambientais prevista pelo GRI. Mas, a tranquilidade durou pouco. Os documentos preparatórios indicam que a entidade endurecerá as exigências de conteúdo e incentivará a contratação de empresas de auditoria para verificação independente dos dados fornecidos (uma prática que ainda é seguida somente por uma minoria das companhias).
O endurecimento faz parte de uma luta para garantir a credibilidade dos relatórios, em um mundo onde todo mundo parece “vender” uma estratégia verde. Ecologistas e militantes de movimentos sociais têm atacado duramente os conteúdos produzidos por grandes empresas – das campanhas de publicidade aos documentos oficiais – no que diz respeito à sustentabilidade. ONGs produzem vídeos virais respondendo com acusações aos comerciais de TV dessas companhias. Blogs se especializam em demolir o discurso verde das corporações. E ambientalistas chegam a produzir relatórios de insustentabilidade de empresas cujas políticas eles não aprovam. Nesse quadro, o GRI concluiu que a melhor defesa é o ataque. Ou seja, vai pressionar cada vez mais as empresas para que apresentem dados e discursos consistentes ou seus relatórios não terão validade. O tempo esquentou.
(*) Ernesto Bernardes é diretor executivo da TV1 Conteúdo. Ele está em Amsterdã, na Holanda, e escreve em colaboração para Meio & Mensagem.
