Futebol lidera paixões, mas Copa 2026 é mais cética no Brasil
Pesquisa da Ipsos mostra mudanças no imaginário cultural brasileiro e visão mais cautelosa sobre a seleção

Ipsos analisa as principais paixões e interesses dos brasileiros (Créditos: A.PAES/Shutterstock)
Ipsos apresenta o estudo “Mapa das Paixões Brasileiras”, que aponta para uma pulverização dos interesses culturais no País. Somadas, as preferências diretamente associadas ao futebol, incluindo termos como “Copa do Mundo”, “futebol” e “seleção brasileira”, ainda são maioria e correspondem a 21% das menções.
No entanto, a modalidade esportiva mais popular já divide o topo do ranking com o consumo de séries (10,9%) e música (10,7%), que aparecem na liderança, seguidas por religiões (9%) e Copa do Mundo (8,2%). Na sequência, surgem viagem e gastronomia (7,4%), futebol isolado (7,3%) e seleção brasileira (5,8%).
“O entusiasmo e o calor humano ainda definem a nossa identidade, servindo como uma válvula de escape para equilibrar o trabalho duro com o lazer. É interessante notar, porém, que o futebol masculino não reina mais sozinho e a atenção do brasileiro, que está cada vez mais crítico, se pulverizou”, aponta Paula Soria, líder de marcas e mercado na Ipsos Brasil.
Torcida menos otimista
Os dados apontam para um evento mais pragmático, uma vez que 46% dos brasileiros se disseram desanimados com a Copa do Mundo Fifa 2026 e apenas 18% acreditam plenamente no título. Em 2014, o principal sentimento em relação ao torneio era de “alegria”. Em 2026, os brasileiros dizem sentir “esperança”.
Na mesma linha, se em 2022 metade da população acreditava que a seleção tinha muitas chances de ganhar a Copa do Mundo de Futebol Masculino, hoje, 49% declaram que ela tem poucas chances de vencer.
“O ufanismo verde e amarelo de pintar a rua e achar que ‘já ganhamos’ acabou. O torcedor está pragmático, tático e desanimado com a seleção. Agora, ele interage com o evento mais como sinônimo de evento social, sendo o resultado em campo quase secundário”, destaca Paula.
Marcas e comportamento
O estudo da Ipsos também aponta outros achados sobre marcas associadas ao evento e à seleção. Entre os entrevistados, 46% afirmam saber quem são os patrocinadores da seleção e citam espontaneamente marcas como Nike, Itaú, Vivo, Ambev, Cimed, Sadia, Guaraná, Volkswagen, iFood, Uber, Amazon, Azul e Google.
Já 68% não sabem quais são as marcas patrocinadoras da Copa do Mundo em si. Entre os que conseguem identificar, são mencionadas Adidas, Coca-Cola, Nike, Visa, Lenovo, Hyundai, Aramco, Qatar, Budweiser e McDonald’s.
Em relação ao consumo de mídia, a maioria pretende assistir aos jogos pela TV aberta (65%), enquanto 39% mencionam YouTube ou redes sociais, o que reforça a presença de consumo em múltiplas telas durante as partidas.
No ambiente digital, CazéTV (54%) e Globoplay (42%) dividem a preferência do público que vai acompanhar online, seguidos por Amazon Prime (36%), Instagram (27%) e GE TV (23%).
A final da Copa se mantém como um evento de alto interesse: 62% dos entrevistados afirmam que pretendem assistir à decisão independentemente da presença da seleção brasileira.
Copa com ou sem Neymar?
O torcedor abandona o ufanismo e foca no pragmatismo tático e na ameaça dos rivais, sendo que os principais temas das conversas são sobre jogadores (18%) e seleções rivais (17%). Um dos destaques é a predominância de negatividade, com 38% de viés negativo e apenas 16% positivos, o restante neutro.
A quebra de confiança também derrubou a reputação digital da CBF, da comissão técnica e de ídolos como Neymar, que possui o menor “social reputation score” entre os termos mais citados nos posts estão: Neymar (24 pontos), Ancelotti (25), CBF (27), seleção (35) e FIFA (44). O indicador sintetiza sentimento, volume e influência.
“A análise que fizemos mostra que, nas redes sociais, o torcedor está menos movido por euforia ingênua e mais por pragmatismo, cobrança e repertório. Ao mesmo tempo, a Copa continua mobilizando identidade, pertencimento e consumo, abrindo oportunidades importantes para marcas que souberem dialogar com esse novo torcedor, mais crítico, mais planejado e mais conectado”, destaca Diego Pagura, CEO da Ipsos.
Metodologia
Foram utilizadas metodologias quantitativas, qualitativas e de modelagem estatística. O estudo inclui um levantamento online com 500 brasileiros das classes ABC, conectados, de 18 a 55 anos, além da pesquisa Bus Ipsos-Ipec, com 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios, garantindo representatividade nacional.
Também foi aplicada a modelagem estatística Censydiam, que identifica motivadores associados às paixões a partir de 16 atributos e sentimentos.
O trabalho foi complementado por curadoria de dados secundários de estudos da Ipsos e fontes externas, além de pesquisa com a comunidade online Conectad@s, que combinou abordagens qualitativas e quantitativas com 395 participantes.
O estudo também incluiu entrevistas qualitativas conduzidas por mod bots com 30 participantes, permitindo aprofundar percepções de forma guiada por inteligência artificial.
