Jovi abraça a criatividade para conquistar brasileiros
Ray Yang, CMO da companhia analisa como a marca chinesa estrutura sua operação e constrói presença no Brasil

Ray Yang, CMO da Jovi: executivo lidera a operação e a estratégia de marca da empresa no Brasil (Créditos: Divulgação)
O Brasil recebeu US$ 6,1 bilhões em investimentos chineses em 2025, alta de 45% em relação ao ano anterior, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
Entre os setores que concentram investimentos de empresas chinesas no País está o de tecnologia e eletrônicos, como a Jovi, fabricante de smartphones da chinesa Vivo Mobile Communication, que desembarcou no mercado brasileiro em abril de 2025.
Para Ray Yang, CMO da Jovi, a construção da marca para os consumidores brasileiros passa pela associação entre tecnologia, criatividade e autoexpressão.
“A tecnologia não é apenas um conjunto de especificações frias, mas uma ferramenta para empoderar as pessoas a registrarem seus momentos mais importantes”, disse.
Um dos lançamentos mais recentes foi a linha X300, composta pelo Kit de Fotografia Profissional X300 Ultra e pelo X300 Fashion Edition, acompanhada da plataforma “Toda Beleza Merece um X300”, que reúne iniciativas como expedições fotográficas, ações com a Mobgraphia, ativações com a Bolovo e um squad de criadores liderado pelo ator Rodrigo Simas.
M&M – Como você avalia a operação da Jovi no Brasil até agora? Quais foram os principais resultados alcançados?
Ray Yang – Consideramos nosso primeiro ano um sucesso. Em apenas 13 meses, evoluímos da entrada no mercado para uma operação de escala nacional. Hoje, temos parcerias com as três maiores operadoras de telefonia e com grandes varejistas nacionais e locais, somando mais de 1,8 mil pontos de venda, duas lojas conceito – em São Paulo, no Shopping Ibirapuera, e Curitiba, no Shopping Palladium – e nove escritórios regionais. Contamos com cerca de mil colaboradores e um portfólio de 14 produtos já lançados, sendo 12 smartphones e dois earbuds.
M&M – Qual é o valor total de investimento feito pela Jovi no Brasil?
Yang – A Jovi vem realizando investimentos consistentes com foco no longo prazo. Embora não divulguemos valores detalhados, nossos aportes cobrem operações regionais, produção, distribuição, expansão do varejo, infraestrutura de pós-venda e marketing. Este ano, por exemplo, dobramos o orçamento de marketing. Destacam-se a parceria com o Shark Tank, na Band, para o lançamento da linha Y, a expansão da parceria com o MC Hariel para a linha V, com o lançamento do V70 5G, ações com influenciadores para a linha T, mídia OOH em ruas e shoppings, além de presença nos amistosos de pré-Copa da seleção brasileira.
M&M – Como a empresa comunica sua expertise global utilizando um nome de marca diferente, já que não pode utilizar aqui a marca Vivo, que pertence à espanhola Telefônica?
Yang – Apesar do nome regionalizado, mantemos 100% de conexão com a Vivo Mobile Communication, nossa marca-mãe que atende mais de 500 milhões de usuários em 60 países. Essa sinergia é visível na identidade visual, nas tecnologias proprietárias, como a bateria BlueVolt, e em parcerias globais, como a mantida com a Zeiss, marca alemã de alta tecnologia especializada em óptica e optoeletrônica. A vantagem da marca Jovi é a flexibilidade: temos total liberdade para adaptar produtos, personalizar funções e criar narrativas que façam sentido especificamente para o público brasileiro.
M&M – Como a Jovi pretende se diferenciar de outras concorrentes chinesas que estão chegando ao Brasil?
Yang – Nossa diferenciação combina escala global de P&D, setor que concentra mais de 75% da nossa força de trabalho global, com uma forte execução local. Mais do que vender dispositivos, buscamos relevância cultural e construção de marca por meio de histórias e experiências reais. Já realizamos mais de 4 mil pesquisas com consumidores brasileiros para entender seus hábitos e adaptar produtos e campanhas à realidade local.
M&M – Quais são os principais atributos que a Jovi deseja associar à sua marca?
Yang – Somos mundialmente reconhecidos pela excelência fotográfica, atributo consolidado na série V e elevado a outro nível com a linha X300. Queremos ser associados a inovação, design premium, durabilidade e usabilidade intuitiva.
M&M – Quais critérios orientam a escolha de modelos, funcionalidades e faixas de preço?
Yang – Estruturamos nosso portfólio em quatro famílias, a Y, V, T e X, em que cada uma é direcionada a um perfil específico. A definição de recursos e preços é baseada em pesquisas locais, que apontam como prioridades do brasileiro o desempenho da câmera, a autonomia da bateria, a durabilidade do aparelho e a relação custo-benefício.
M&M – Qual é o papel das lojas físicas na estratégia da Jovi?
Yang – O varejo físico é fundamental, pois o consumidor deseja degustar o produto antes de decidir a compra. Nossa rede de mais de 1,8 mil pontos de venda e as duas flagships nos permitem equilibrar ampla cobertura geográfica com experimentação imersiva de marca e suporte de pós-venda.
M&M – Qual é o maior desafio na construção do reconhecimento da marca no Brasil?
Yang – Construir consciência e confiança em um mercado maduro e altamente competitivo. Como o smartphone é um item de alto valor no Brasil, com ciclo de troca médio de 2,5 a 3 anos , a decisão de compra exige presença constante nos pontos de contato decisivos. Observamos que estamos vencemos esse desafio combinando consistência narrativa, investimento contínuo em mídia e um profundo entendimento do comportamento do consumidor.
