Ponto de vista

Profecias de vestir

i 27 de janeiro de 2014 - 3h38

De tudo o que se diz sobre wearable information, eu gostaria de acrescentar três profecias para me cobrarem daqui a uns anos:

1-) Nos próximos cinco anos, a internet de vestir, como óculos, relógios, peças de roupa, será a maior revolução digital desde o advento da web. Na realidade, trata-se de uma revolução dentro da revolução: é inigualável combinação da onipresença da informação com a lei do menor esforço, sem fios, conexões ou paradinha para conferir em um aparelho ao lado. Estará tudo ali, sem que ninguém mais perceba o que você está acessando: desde os gostos do cliente à sua frente ao número de calorias do prato que você está prestes a encarar.

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2) A internet de vestir é essencialmente local, ou melhor, ultralocal, ou mais radical ainda, ultraparoquial. Pense na realidade aumentada: ela só existe em torno do usuário. Wearable information é mais ou menos a mesma coisa. Ela te manterá informado sobre o que está ao teu alcance, da mão ou dos olhos. Algumas das perguntas que o Google Glass vai te responder: que lugar é esse, de onde eu conheço esta pessoa, como eu chego na farmácia mais próxima, é seguro estacionar aqui, qual o modelo deste maldito assento de privada?

Como se trata de informação ultralocal, nasce aí um novo manancial para os veículos de comunicação com foco no local. São eles que detêm boa parte dos arquivos e das bases de dados que alimentam grande parte da informação local. Quantos assaltos ocorram nesta esquina? Esta vizinhança é segura? Algum famoso frequenta este restaurante? E por aí vai. 

3) Por causa do ultralocalismo, notícia e dados serão necessariamente georreferenciados. Assim, quando alguém usando Google Glass passar pela esquina ele pode acessar imediatamente as notícias e informações sobre aquele local. Sem georreferenciamento, perde-se eficácia na informação. É por isso que o Google tageia toda a Terra com latitude e longitude. E é por isso que tudo e todos serão arquivos nas nuvens. Eu, você, nossos rostos, gostos e andanças digitais ou reais.

Aonde isso vai nos levar? Aí é para outros profetas.