Mídia

Rádio Eldorado encerra operação e demite funcionários

Operação na frequência 107,3 FM será encerrada em 14 de maio; marca segue em projetos digitais

i 23 de abril de 2026 - 14h57

Rádio Eldorado, parte do Grupo Estado, encerra operação após 68 anos (Créditos: Divulgação)

Rádio Eldorado, parte do Grupo Estado, encerra operação após 68 anos (Créditos: Divulgação)

A Rádio Eldorado, emissora fundada em 1958 e parte do Grupo Estado, proprietário do jornal O Estado de S. Paulo, terá sua operação encerrada no próximo dia 15 de maio.

A decisão foi comunicada pelo Estadão e ocorre após o término da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM.

Segundo o grupo, a decisão ocorre em meio à transformação do consumo de áudio, acelerada nos últimos anos, sobretudo após a pandemia.

“O Estadão afirma revisar sua estratégia no segmento, com foco na ampliação da presença digital. Nos últimos dois anos, a empresa intensificou a produção audiovisual e reforçou a atuação multiplataforma, com a contratação de colunistas que produzem conteúdo em texto e vídeo”, diz trecho do comunicado divulgado à imprensa.

Esse reposicionamento foi reforçado com a aquisição da NZN, anunciada em outubro de 2025. A operação incorporou ao portfólio marcas como TecMundo, Voxel, Minha Série, Mega Curioso e The Brief.

Apesar do encerramento da transmissão em FM, a marca Eldorado, segundo o veículo seguirá presente em projetos especiais e eventos, além de ter parte de sua programação adaptada para novos formatos digitais. Iniciativas como Som a Pino e Clube do Livro devem ser reformuladas com foco em vídeo e distribuição online.

A companhia também manifestou reconhecimento aos profissionais que participaram da trajetória da emissora e aos ouvintes que acompanharam sua programação ao longo dos anos.

Leia a nota na íntegra: 

A Rádio Eldorado ocupa, há décadas, um lugar singular na vida cultural de São Paulo. Referência em curadoria musical, jornalismo e programação de qualidade, tornou-se um patrimônio afetivo e intelectual de gerações de ouvintes, contribuindo de forma decisiva para a formação de repertório, a difusão de artistas e o fortalecimento da cena cultural da cidade.

Nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, entretanto, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio. O crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais.

Atento a essas tendências, o Estadão vem revendo sua estratégia no segmento de áudio. Em função do término da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM, a operação de radiodifusão da Eldorado será encerrada no próximo dia 15 de maio.

Essa decisão se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento estratégico do Estadão, que vem ampliando de forma consistente sua presença digital. Nos últimos dois anos, a companhia intensificou sua produção audiovisual, por exemplo, com a contratação de 14 colunistas com atuação multiplataforma, responsáveis por conteúdos em texto e vídeo.

Esse esforço permitiu expandir de maneira significativa a presença do Estadão em suas plataformas próprias — site e aplicativo —, bem como em redes sociais e canais de vídeo.

A aquisição da NZN, em outubro de 2025, reforçou essa trajetória. Os ativos digitais do TecMundo ampliaram a capacidade de distribuição e produção audiovisual, enquanto a sede da empresa foi convertida em um hub de criação na região de Higienópolis — a “Blue House” — dedicado ao desenvolvimento de novos formatos e linguagens.

O encerramento da operação de radiodifusão da Eldorado não representa o fim de sua marca. A Eldorado seguirá presente em projetos especiais e eventos, preservando seu papel como referência cultural. Alguns de seus principais programas, incluindo iniciativas como Som a Pino e Clube do Livro, serão redesenhados e adaptados para novos formatos, com ênfase em vídeo e distribuição digital. Esta transição permitirá ao Estadão oferecer aos seus parceiros comerciais formatos mais segmentados, mensuráveis e aderentes aos novos hábitos de consumo de conteúdo.

O Estadão expressa seu profundo reconhecimento a todos os profissionais que construíram a história da Rádio Eldorado, bem como aos ouvintes que, ao longo dos anos, fizeram dela um espaço de encontro, descoberta e valorização da música de qualidade.”

Aquisição da NZN

A estrutura da NZN, localizada em São Paulo, passou a operar como um hub de criação, chamado de “Blue House”, na região de Higienópolis, dedicado ao desenvolvimento de conteúdos em áudio e vídeo.

O espaço conta com estúdios e equipe especializada para produção de podcasts, videocasts, entrevistas e outros formatos digitais.

De acordo com o CEO do Estadão, Erick Bretas, a aquisição amplia as possibilidades de negócio e fortalece a estratégia de longo prazo da companhia.

“Trata-se de uma aquisição que complementa nosso portfólio, abre novas oportunidades e reforça nosso compromisso de construir uma empresa preparada para o futuro”, afirmou.

Já Thiago Cruz destacou o potencial da integração. Segundo ele, a entrada no grupo representa uma oportunidade de expansão para as marcas e para o time da empresa.