DE&I no setor automotivo avança, mas desafios permanecem
Apesar da percepção positiva sobre ações na agenda, saúde mental e inclusão seguem como pontos de atenção
A edição de 2026 do relatório “Diversidade & ESG no Setor Automotivo”, realizado pelo Movimento AB Diversidade, revela resultados positivos sobre o avanço de pautas sociais no setor automotivo.

Ainda que percepção sobre a agenda de DE&I seja positiva, setor automotivo ainda deve refinar o olhar para temas de inclusão e saúde mental (Crédito: Gorodenkoff/Shutterstock)
Entre montadoras e fabricantes, o levantamento revela que 55,7% dos colaboradores entendem que as empresas estão com ações de diversidade, equidade e inclusão (DE&I) cada vez mais fortes. Outros 35% acreditam que as organizações vêm mantendo a força e só 5% declaram o contrário.
Aprofundando o olhar sobre o perfil do público, entre não héteros e PCDs, 11% e 7%, respectivamente, acreditam que as ações estão perdendo a força.
Participaram da pesquisa 3.047 profissionais do setor automotivo, dos quais 52% vindos de montadoras e outros 46% de fornecedoras. Apenas 2% dos respondentes não foram identificados. A maior parte da amostra é constituída por homens e mulheres cisgêneros (57,3% e 37,6%, respectivamente).
A metodologia traçou também o perfil dos respondentes baseado na orientação sexual: 87,1% de declararam heterossexuais, enquanto 3,8% são bissexuais. Gays e lésbicas representam 3,2% e 2% do total.

(Crédito: Arte M&M)
De forma geral, 61% classificam como excelentes os esforços das organizações em que trabalham. Profissionais não héteros, contudo, têm percepção significativamente menos favorável (47%). O Movimento AB Diversidade atenta para a necessidade de fortalecer ações e programas de inclusão junto à essa parcela.
A maior parte das companhias as quais os respondentes representam, quase 91%, contam com políticas de diversidade e inclusão. Há maior foco em questões de gênero, com 84,41% das menções. Na sequência, estão direitos LGBT+ (79,55%), etnia e raça (79,13%) e deficiência (76,4%). Em uma visão abrangente dos resultados, as lideranças apresentam comprometimento com a pauta.

(Crédito: Arte M&M)
Saúde mental ainda é gargalo
O levantamento também avaliou a percepção e medidas tomadas em relação à saúde mental dos colaboradores. Tanto nas montadoras, quanto nas fornecedoras, 85% afirmaram sentirem-se à vontade para serem quem são no ambiente de trabalho.
A amostra de pessoas não brancas, contudo, apresentaram redução na manifestação de que ‘Sempre são tratados com respeito e dignidade’ e, consequentemente, um aumento em respostas intermediárias. Já pessoas não heterossexuais foram as com maior número de respostas negativas. PCDs também apresentam percepção positiva alta, mas ainda permanecem baixas em relação aos outros grupos.
Apesar da percepção sobre o bom ambiente, o relatório chama a atenção para uma menor percepção de voz, influência e percepção efetiva, sobretudo entre os grupos minorizados. Há uma diferença superior a dez pontos percentuais entre os recortes no que fiz respeito à valorização da opinião e dignidade no trabalho.
O grupo de não héteros lidera com a maior diferença em relação ao índice de exposição ao preconceito dentro das organizações. Os resultados indicam que 38% deles já presenciaram ou sofreram preconceitos no ambiente de trabalho – 16,8 pontos percentuais acima da média geral, de 21,2%. PCDs, com 26,5% das respostas, protagonizam uma elevação de 5,3 pontos percentuais.
Do total, 39% nunca denunciaram as situações vivenciadas, como vítimas ou testemunhas, ainda que 94,52% dos respondentes reconhecem a existência do canal de denúncia nas empresas em que trabalham. O número é menor (78,7%) quando abordadas as políticas da empresa voltadas à prevenção de casos de assédio e discriminação.
Há um alerta, indica o Movimento AB Diversidade, para que as companhias incentivem a denúncia, essencial para a promover ambientes mais respeitosos e inclusivos a partir do fortalecimento da confiança.
Ações para a NR-1
Entrou em vigor no final de maio a Norma Regulamentadora No 1 (NR-1), depois de um ano em caráter adaptativo. A atualização da diretriz determina que as empresas monitorem e criem mecanismos para para diminuir riscos psicossociais dos colaboradores, associados ao trabalho.
Questionados sobre a existência de ações voltadas à normativa, 48,8% indicam que as empresas transmitiram orientações e conscientizarem sobre o tema de forma clara e estruturada no setor. Para 23,2%, a divulgação foi feita de modo superficial.

(Crédito: Arte M&M)
Entre os fatores que afetam bem-estar emocional, aparecem inclusão, respeito, oportunidades de crescimento, segurança psicológica, diversidade e recomendação da empresa como um bom lugar para trabalhar. O setor foi classificado pelos respondentes com um eNPS, índice que mede o engajamento e a satisfação do público interno, de 64%, considerado um alto nível de recomendação.
Os demais desafios enfrentados pelo setor, segundo o Movimento AB Diversidade, incluem o envelhecimento da força de trabalho, a escassez de profissionais qualificados, a crescente concorrência por talentos com empresas de outros segmentos e as transformações potencializadas pela eletrificação. Além disso, novas gerações têm demonstrado menor interesse pela indústria tradicional.