Eliminação do Brasil frustra estratégias de marcas e mídia
Derrota para a Noruega nas oitavas de final coloca fim à expectativa dos patrocinadores, que tentaram fazer o público voltar a acreditar

Post da CazéTV, nas redes sociais, lamenta a eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo (Crédito: Reprodução/CazéTV)
Os dois gols marcados pela Noruega na noite desse domingo, 5, colocaram fim à esperança da torcida brasileira em ver a seleção levantando a taça do hexacampeonato.
A equipe, liderada por Carlo Ancelotti, foi superada na fase das oitavas de final, acabando não somente com a alegria dos torcedores como também atrapalhando as estratégias das marcas patrocinadoras, que têm, na Copa do Mundo, um dos principais momentos de negócios do ano.
Bem antes da bola começar a rolar nos campos dos Estados Unidos, México e Canadá, dezenas de patrocinadoras da Fifa, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e também das emissoras oficiais de transmissão (Globo, CazéTV e SBT/N Sports) competiram para chamar a atenção do público e para tentar transmitir a ideia de que agora seria a hora do tão sonhado grito de campeão.
A Copa do Mundo ainda segue até o próximo dia 19. A eliminação do Brasil, porém, coloca fim a uma etapa de expectativas que contou com exaltação à figura do técnico, competição por narrativas de audiência e, também, a tentativa, por parte de marcas e dos veículos, de resgatar a esperança dos torcedores.
Veja, abaixo, alguns dos principais acontecimentos que fizeram parte da participação brasileira na Copa do Mundo de 2026:
Ancelotti protagonista
Estreando no comando de uma seleção, o técnico Carlo Ancelotti foi uma das maiores esperanças dos brasileiros – e um dos diferenciais mais explorados pelas marcas – nas campanhas relacionadas à Copa do Mundo.
O italiano, que já colecionou diversos títulos no comando do Real Madrid e de outros clubes, foi protagonista de campanhas de patrocinadoras da seleção brasileira.
Foi o caso de Brahma, que convocou o técnico para, ao lado do pentacampeão Ronaldo Fenômeno, dizer a torcida que estava “liberado acreditar” no hexa. O comercial foi criado pela Africa.
Ancelotti também protagonizou o comercial “Sonhos”, criado pela AlmapBBDO para marcar a volta da Volkswagen como patrocinadora da seleção. O comercial imaginava o Brasil no dia da conquista da tão sonhada sexta estrela.
Bem antes da Copa, Ancelotti já havia estrelado comercial do Prime Video, da Amazon. Em dezembro do ano passado, o técnico protagonizou uma campanha para convocar a torcida já a partir das transmissões da Copa do Brasil, feitas pelo streaming.
A crise das bets
Mesmo presentes no futebol nacional e internacional há anos, o envolvimento das bets com o esporte mais popular do planeta nunca foi tão debatida quanto nesta Copa do Mundo.
Globo, CazéTV e SBT/NSports têm, ao todo, sete plataformas de apostas em seus patrocinadores, que aproveitam os intervalos comerciais e transmissões para convidar o público a apostar.
O tom da comunicação dessas empresas, contudo, gerou polêmica e escalou para investigações pelo Ministério da Fazenda e pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), principalmente pela divulgação de odds, por parte de narradores e comentaristas.
Na CazéTV, as empresas KTO, Betnacional e Bet365 foram alvo de investigação – e também de muitas críticas do público – por divulgarem as supostas probabilidades que os apostadores tinham de ganhar ao escolher determinadas seleções. O Conar entrou com liminar para suspender a veiculação e o canal esportivo decidiu rever sua postura, adotando um tom mais conservador nos anúncios de bets.
O SBT/N Sports também foi alvo de investigação por parte do Ministério da Fazenda por conta de uma ação da plataforma Esportes da Sorte. O assunto reaqueceu o debate sobre os limites éticos e morais dos anúncios de plataformas de apostas esportivas.
Pausa para hidratação
A maior Copa do Mundo de todos os tempos apresentou ao público a Pausa Para Hidratação. Embora já tivesse sido adotado algumas vezes em alguns campeonatos, inclusive no Brasil, a interrupção de três minutos na metade do primeiro e segundo tempo foi um protocolo trazido pela Fifa para tentar proteger os atletas dos efeitos climáticos do verão dos Estados Unidos, Canadá e México.
Além de os jogadores beberem água, durante essa pausa, os técnicos podem fazer alguns ajustes ou conversar com os atletas a respeito da tática do jogo.
Como qualquer novidade, a pausa para hidratação dividiu opiniões. Não foram poucas as vezes que o público nos estádios vaiou a interrupção, por achar que a medida atrapalha a sequência do jogo. Porém, alguns veículos parceiros oficiais da Fifa já têm aproveitado a nova regra para lucrar.
De acordo com a BBC Sport, a emissora norte-americana Fox Sports, que é a responsável por exibir a Copa nos Estados Unidos, passou a cobrar entre US$ 200 mil e US$ 300 mil por um espaço médio de 30 segundos durante a pausa para a hidratação
No Brasil, o espaço também tem sido aproveitado. A CazéTV, por exemplo, aproveitou o break para exibir anúncios de Betnacional e Gemini, além de outros patrocinadores de sua transmissão. A Globo fez o mesmo e aproveitou o espaço de hidratação para exibir chamadas dos capítulos da novela Quem Ama Cuida e uma ação do Prime Day da Amazon.
Já o SBT/N Sports conseguiu realizar um acordo comercial especialmente para as pausas para a hidratação. McDonald’s começou, desde o dia 29 de junho, a ocupar o espaço em alguns dos jogos transmitidos pelos canais.
Mostra tua força, Brasil!
O anseio pelo hexa – que, mais uma vez, será adiado – era proporcional à desconfiança de boa parte dos brasileiros em relação ao desempenho da seleção. Antes da Copa começar, era comum um sentimento de incerteza em relação à capacidade do País frente às demais seleções. E isso não passou despercebido pelas marcas patrocinadoras.
Brahma, Guaraná Antarctica e Itaú aproveitaram um pouco dessa desconfiança antes da Copa começar e procuram investir em campanhas que ajudassem o público a mudar um pouco de ideia e acreditar que, em 2026, o resultado pudesse ser positivo.
Assim que lançou a campanha “Tá Liberado Acreditar”, com Ancelotti e Ronaldo Fenômeno, a Brahma usou, nas cenas iniciais, uma conversa entre dois rapazes em que um deles dizia que não era mais possível acreditar no Brasil. A continuação, contudo, mostrava que o País pentacampeão do mundo tinha, sim, motivos para ser otimista.
O Itaú, que há várias Copas vem tentando fazer com que o hino “Mostra Tua Força, Brasil” seja associado à vitória, veio, mais uma vez, com a música como seu ritmo dessa Copa. Dessa vez, no entanto, o banco brincou com o fato de que algumas pessoas não gostem das lembranças de derrotas que a canção traz e propôs apresentar o “Mostra Tua Força” em ritmos diferentes.
A briga entre Globo e CazéTV
Ainda não se sabe quem serão os finalistas da Copa de 2026, mas os brasileiros já têm consciência de que, fora de campo, os maiores embates se deram entre Globo e CazéTV.
Os dois players competiram não apenas para atrair os torcedores em suas transmissões como para mostrar à imprensa e à opinião pública, no geral, que seu alcance na competição era maior do que o do outro.
Desde as primeiras fases da Copa, a Globo divulgou boletins a respeito da audiência conquistada em suas janelas de transmissão (TV aberta, SporTV e Ge TV).
Ao final da fase de dezesseis-avos de final, a Globo divulgou que havia alcançado 133 milhões de pessoas, nos primeiros 23 dias da competição e que a TV Aberta (considerando suas transmissões e a do SBT/N Sports) foram a escolha de 89% do público que acompanhou os jogos da Copa do Mundo.
A Globo disse, ainda, que, considerando todas as exibições da Copa, a emissora registrou as 33 maiores audiência do Painel Nacional de Televisão. A maior delas foi durante a partida entre Escócia e Brasil, no dia 24 de junho, que rendeu 39 pontos de audiência no PNT.
Já a CazéTV aproveitou o fato de ter os direitos exclusivos de metade dos jogos da Copa do Mundo para exibir ao público como o digital havia virado o grande palco da Copa do Mundo. Na semana passada, o canal esportivo divulgou dados do YouTube Studio e do Google Analytics que apontavam que, até a última quarta-feira, 1º, o canal havia alcançado a marca de 100 milhões de dispositivos.
Também na semana passada, o canal de Casimiro Miguel conseguiu registrar as duas maiores audiências dessa Copa do Mundo. A primeira foi com a vitória brasileira sobre o Japão, que atraiu 21 milhões de dispositivos simultâneos e, a segunda, veio com a classificação de Portugal sobre a Croácia, no último dia 2, acompanhada por 19,8 dispositivos simultâneos.




