O que você não está vendo no MWC: fim dos apps e edge computing.
Aos poucos, os nossos tão queridos e úteis aplicativos irão nos deixando, juntamente com os celulares, e novas formas interativas, possibilitadas entre outras coisas pelo edge computing, vão invadir nossas vidas. Não tá claro, mas tá no MWC.
Está no MWC, mas nem todo mundo está vendo.
Os apps como os conhecemos vão ir desaparecendo aos poucos, cedendo lugar a uma nova era de “aplicativos”, se é que os chamaremos assim, em que a integração com a internet será mais íntima e pervasiva, em que plataformas de interação cognitiva, anabolisadas por dados, falarão (literalmente) de forma mais próxima conosco e em que as marcas terão a sua disposição, para conversar de maneira interativa direta, recursos digitais em tempo real, one to one, como nunca tivemos antes.
Quem acompanha o MWC todos os anos está vendo isso acontecer em capítulos. De uma certa forma, quase em câmera lenta.
Embora sempre repitamos, com razão, que as transformações tecnológicas digitais avançam a uma velocidade estonteante, essa substituição dos apps, instalados em nossos celulares, por uma nova geração tecnológica de interação direta entre o emissor (qualquer emissor, aquele que aciona uma cadeia de interação) e nós, humanos consumidores e usuários, vem se dando de maneira gradual. E deverá seguir assim.
Quando digo fim dos apps, digo fim dos aplicativos que temos hoje populando a tela de início dos nos celulares, você sabe. Eles nos são hoje indispensáveis e fica difícil imaginar a vida sem eles.
Mas veja, tudo o que fazem e os benefícios que nos entregam, seguirão. E serão ainda mais sofisticados. O que fica cada vez mais claro a cada MWC é que eles irão cedendo espaço a plataformas que conversarão mais conosco, seja por voz (as assistentes de voz que viraram celebridades de dois anos para cá), que é a tendência mais clara hoje, seja por video-conf (imagem), e que estarão embarcadas em todas as coisas, a Internet das Coisas.
Até os próprios celulares, na mesma linha da câmera lenta, irão sendo substituídos aos poucos por torradeiras. If you know what I mean.
Isso está no MWC 2019 como está também, só que nas salas mais técnicas, a discussão sobre edge computing, que é mais cabeçuda e difícil para quem não é do mundo telcom, como é o seu caso e o meu, mas que vale aqui comentarmos, porque é um pedaço importante de todos os parágrafos aí de cima, aquela parte que nós leigos não vemos, mas que viabiliza a interface que chega até nós e com a qual interagimos.
Tentando facilitar nossa vida aqui, o tal edge computing é uma camada de infra-estrutura de armazenagem e transmissão de dados que vai ficar (já está ficando) entre a nuvem e nossos aparatos móveis de dia a dia. Ela vai trazer mais agilidade, eficiência e flexibilidade ao tráfego de dados e, portanto, para nossa vida em geral. Chama-se edge porque fica na franja de rede mais próxima dos devices que levamos no bolso hoje, ou de qualquer aparelho/máquina que se conecte com a internet.
É papo de infra-estrutura de rede, mas que vai possibilitar que novos e ainda mais diversificados recursos de aparelhos celulares possam ser desenvolvidos e que, por exemplo, campanhas interativas das marcas sejam resolvidas com maiores e melhores recursos digitais interativos.
Bom, se não entendeu, deixa pra lá. Quis apenas sinalizar aqui que o edge computing vai vir e que vai ajudar a nos conectarmos de forma ainda mais rápida e rica, no ambiente mobile.
Mais do que toda a nova coleção de aparelhos móveis que o MWC 2019 está exibindo, são essas transformações as que de fato vão mudar mais profundamente o mundo (cada vez mais mobile) em que vivemos.