SXSW

Como a IA está ajudando a traduzir o que dizem os animais

Aza Raskin, do Earth Species Project, acredita que esse tipo de compreensão pode melhorar relação do homem com o planeta

i 17 de março de 2026 - 23h02

Aza Raskin

Aza Raskin, cofundador do Earth Species Project, defende que IA pode ajudar a abrir as portas da percepção humana (Crédito: Divulgação)

Aza Raskin foi responsável por uma das poucas abordagens otimistas em relação à IA ao longo deste SXSW – e, certamente, pelo viés que mais despertou ternura na audiência, dada a quantidade de imagens de lontras, passarinhos e golfinhos nos telões.

Cofundador e presidente do Center for Humane Technology, o californiano subiu ao palco do evento para compartilhar mais sobre o Earth Species Project, do qual é um dos fundadores e cuja proposta é decifrar a comunicação dos animais com a ajuda da inteligência artificial.

O projeto descobriu, por exemplo, que papagaios adultos passam semanas sussurrando um assobio específico para cada filhote. Pelo resto da vida, esses papagaios ouvem e respondem a esse som. Elefantes e golfinhos fazem a mesma coisa.

“Não experimentamos a maior parte do universo”, disse Raskin, referindo-se ao fato de que mais de 8 bilhões de espécies habitam a Terra e os seres humanos compreendem somente a própria linguagem.

O pesquisador defende que uma das maneiras de reverter a perda da capacidade relacional e cognitiva reside na habilidade de compreender outras espécies. “Nossa capacidade de entender é limitada pela possibilidade de perceber. O que a IA pode fazer, no melhor dos mundos, é abrir as portas da percepção”, disse.

Isso já vem ocorrendo em instituições como a British Columbia University, que, depois de mais de 20 anos estudando os sons de baleias no oceano, está conseguindo decodificar padrões na comunicação desses animais.

Já o Earth Species Project trabalha em parceria com diversos biólogos e pesquisadores para testar hipóteses. Um dos experimentos consistiu num sistema de IA que interagia com passarinhos, que conseguiu constatar que houve uma conversa entre o animal e a tecnologia.

“O objetivo foi entender como conversam, o tempo da conversa, como mudou ao longo do tempo. Se a troca se refere ao presente, ao passado. Essa IA conseguiu conversar 48 horas com esse pássaro”, contou.

Raskin esclarece que, embora a iniciativa possua ambições de grandes proporções, a intenção não é interferir na comunicação de animais e plantas, pois isso causaria danos às dinâmicas de interação entre as espécies, muitas das quais foram estabelecidas e aprimoradas durante milhões de anos.

No entanto o pesquisador aposta que, quando as conversas entre os animais puderem ser melhor compreendidas, a própria leitura de mundo mudará, implicando novas leis sobre como lidar com a natureza e o meio ambiente.

“Esse é o caminho para nos reconectarmos como seres humanos. Quando inventamos o telescópio, descobrimos que a Terra não era o centro. Agora apontaremos um telescópio para o universo e descobriremos que a humanidade não é o centro. Essa é a mudança”, declarou.