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Quando a tecnologia passa a falar com os sentidos

Da tecnologia sensorial japonesa à energia eólica doméstica, a SXSW Expo revela novas experiências

Fernanda Massa

Diretora de Negócios do GDB 13 de março de 2026 - 10h55

Caminhar pela SXSW Expo é sempre um exercício interessante de imaginação sobre o futuro. Entre startups, protótipos e demonstrações tecnológicas, muitas vezes, o que aparece ali ainda está em estágio inicial, mas já aponta caminhos claros sobre como tecnologia e comportamento devem evoluir nos próximos anos.

Um dos temas que mais chamou atenção nesta edição foi como diversas inovações começam a explorar algo que vai além das telas ou dos dados, que são os sentidos humanos.

E poucas presenças traduziram isso tão bem quanto as empresas japonesas que participam da Expo este ano. Em vários estandes, as soluções apresentadas parecem partir de um mesmo princípio: aproximar tecnologia e emoção.

Um exemplo curioso é um dispositivo capaz de transmitir o batimento cardíaco de um artista durante um show. A ideia é que fãs possam literalmente sentir o ritmo do coração do cantor durante a apresentação, criando uma nova camada de conexão entre artista e público, algo que transforma um espetáculo em uma experiência ainda mais imersiva.

Outro projeto explora a comunicação emocional à distância. Trata-se de um relógio que envia um sinal físico quando alguém pensa em você. Em vez de uma notificação ou mensagem, o dispositivo transmite um pequeno estímulo sensorial, quase como um “toque” simbólico, encurtando a distância entre pessoas de uma maneira menos digital e mais intuitiva.

Também chamou atenção uma experiência em XR que busca ampliar a percepção humana diante de eventos naturais. A tecnologia simula sinais que antecipam fenômenos como terremotos, inspirando-se em algo que os animais fazem naturalmente: perceber mudanças no ambiente antes que elas aconteçam. A proposta é justamente explorar essa ideia de “instinto ampliado” por meio da tecnologia.

Mas talvez uma das inovações mais surpreendentes seja um tecido capaz de emitir som. Diferente de dispositivos tradicionais, a tecnologia permite que o próprio tecido reproduza música ou áudio, eliminando a necessidade de caixas de som ou aparelhos externos. Na prática, roupas, superfícies ou objetos podem se transformar em interfaces sonoras.

Se existe um fio condutor entre essas experiências, ele parece claro: a tecnologia está deixando de ser apenas uma interface visual e passa a dialogar com os sentidos.

Além dessas iniciativas, outro destaque da Expo veio de uma empresa da República Tcheca, que apresentou uma solução de geração de energia eólica individual voltada para casas e prédios. A proposta é permitir que pessoas e edifícios possam produzir energia por meio do vento em pequena escala, reforçando uma tendência cada vez mais presente no SXSW: soluções descentralizadas para sustentabilidade e autonomia energética.

O que essas diferentes iniciativas mostram é que inovação não está apenas em novas plataformas ou softwares. Muitas vezes ela surge quando a tecnologia começa a se aproximar de aspectos profundamente humanos, como emoção, percepção e experiência.

E se a SXSW costuma funcionar como um radar de tendências, a Expo deste ano parece indicar um movimento interessante: o futuro da tecnologia talvez esteja menos em telas e mais na forma como ela se integra ao nosso corpo, aos nossos sentidos e ao nosso cotidiano.