Leitura do futuro para empresas e lideranças
O festival é um radar de futuro onde a IA deixa de ser ferramenta para ditar a reorganização das lideranças
O SXSW sempre foi um espaço único de convergência entre tecnologia, cultura, negócios e comportamento. Para mim, ele funciona quase como um radar antecipado de mudanças estruturais, especialmente aquelas que ainda estão emergindo, mas que em poucos anos passam a impactar empresas, mercados e a forma como trabalhamos.
A inteligência artificial certamente continua no centro das discussões, mas agora em uma fase mais prática. Nos últimos anos falamos muito sobre o potencial da tecnologia. Em 2026, a conversa parece estar mais focada em como as empresas realmente estão usando IA no dia a dia, seja em produtos, marketing, decisões ou produtividade.
Outro tema que deve aparecer bastante é como o trabalho muda quando passamos a trabalhar junto com sistemas de inteligência artificial. Isso impacta desde a forma como os times se organizam até o tipo de habilidades que passam a ser mais importantes dentro das empresas.
E um terceiro movimento interessante é o avanço da creator economy. A tecnologia e a IA estão ampliando muito a capacidade de criação e distribuição de conteúdo, o que muda a relação entre marcas, criadores e audiência.
No fundo, estamos vendo a tecnologia deixar de ser apenas uma ferramenta para passar a fazer parte da forma como ideias, pessoas e empresas ganham escala.
O desafio da liderança no novo contexto tecnológico
Um desafio que me interessa muito hoje é entender como a liderança precisa evoluir em um contexto onde a inteligência artificial passa a fazer parte do trabalho e do aprendizado das pessoas.
Estamos começando a ver surgir um novo papel para líderes: menos como quem tem todas as respostas e mais como quem desenha sistemas, ambientes e contextos onde as pessoas conseguem aprender, experimentar e performar melhor, muitas vezes com o apoio da própria IA.
Isso tem impacto direto em algo que nos interessa muito na Crescimentum, que é o futuro da aprendizagem corporativa. A inteligência artificial abre possibilidades enormes de personalização do desenvolvimento, de aceleração do aprendizado e de apoio contínuo no dia a dia do trabalho.
O desafio agora não é apenas usar inteligência artificial para ganhar eficiência, mas entender como ela pode ajudar a desenvolver melhor as pessoas e acelerar o aprendizado dentro das organizações.
Para quem trabalha com inovação, estratégia, cultura e liderança, como é o nosso caso na Crescimentum, estar ali é um espaço privilegiado para entender não só o que está acontecendo, mas principalmente para onde o jogo está indo.
Hoje, vejo o SXSW muito menos como um evento de tendências e muito mais como um espaço de leitura de futuro. É onde conseguimos observar como tecnologias começam a sair do campo da experimentação e passam a redefinir produtos, modelos de negócio e estratégias de crescimento. No fundo, a grande pergunta de gestão hoje é menos sobre se as empresas vão usar IA, e mais sobre como as organizações vão se reorganizar para operar nesse contexto tecnológico.