Mulher no centro dos negócios e da inovação tecnológica
Priscyla Laham, da Microsoft Brasil e Fred Trajano, do Magalu, falaram sobre a crescente influência das mulheres nas decisões de consumo

Fred Trajano, CEO do Magalu, Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, e Maria Laura Nicotero, presidente de Women to Watch e CEO da Nico.ag (Crédito: Máquina da FOto)
No palco do Women to Watch Summit 2026, Maria Laura Nicotero, presidente de Women to Watch e CEO da Nico.ag, conduziu uma conversa entre Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil e Fred Trajano, CEO do Magalu, sobre a crescente influência das mulheres no consumo e no poder econômico, movimento que tem sido chamado de “She-Economy”.
Além de representarem a maioria da população brasileira, atualmente, as mulheres são responsáveis pela decisão de compra em 96% dos lares no País, segundo dados do IBGE. No entanto, isso não quer dizer poder de compra.
Ao falar sobre a She-Economy, Priscyla revelou uma preocupação, principalmente, em seu lugar de líder de uma empresa de tecnologia. “As mulheres estão nas mesas de decisão? Elas estão liderando o que vai ser a próxima fase da nossa sociedade?”.
De seu lugar de homem, o CEO do Magalu compartilhou que a Magazine Luiza tem “uma alma profundamente feminina” ao reforçar o histórico da empresa de quase 70 anos, liderada por cinco décadas por mulheres, incluindo sua tia e sua mãe.
Agregando a discussão sobre o poder de decisão de compras das mulheres, Trajano ressaltou que 6% do público do Magalu é formado por mulheres e que as mulheres são responsáveis por 70% das decisões de compra da companhia.
Para reforçar a importância das mulheres nas decisões de compra, Priscyla parafraseou Edu Lyra: “Se quer ajudar uma família, dê dinheiro para uma mulher numa comunidade”. A executiva revelou que há duas preocupações no caso de Microsoft: como a mulher tem o poder de decisão, mas também como se torna uma influenciadora e está desenhando essa sociedade.
“Uma das políticas dentro da empresa é: quando olho para fora, óbvio que tenho que ter a linguagem, a comunicação, mas quando estou dentro, como desenvolvo produtos que façam sentido para uma sociedade que tem mais que 50% de mulheres no Brasil? E como trato isso com equidade?”, indagou a presidente.
Infraestrutura e capacitação
Apesar de representarem grande força na decisão de consumo do País, Priscyla enfatizou que apenas 22% das lideranças em desenvolvimento de inteligência artificial são mulheres e que, atualmente, a própria adoção de IA por mulheres é menor do que a de homens, o que, no futuro, pode acabar gerando uma nova desigualdade no mercado de trabalho.
“Essa é uma preocupação grande para mim, porque não acredito que ninguém vai ser substituído por IA, mas todo mundo será substituído por alguém que saiba usar IA”, salientou a presidente da Microsoft Brasil.
Na sua visão, a inteligência artificial precisa ser usada para ampliar a capacidade humana e que as mulheres deveriam ocupar posições que serão “aumentadas” pela tecnologia, em vez de ficarem restritas a tarefas processuais que tendem a ser automatizadas. “Hoje ainda vemos essas diferenças entre mulheres e homens nestas posições”, complementou.
Para tentar diminuir essa lacuna, além de investir em infraestrutura de desenvolvimento de IA em países do hemisfério sul, Microsoft tem investido na capacitação de brasileiros. “Temos o compromisso de capacitar cinco milhões de brasileiros. Estamos em mais ou menos 2,8 milhões de brasileiros que já terminaram alguma trilha de treinamento, 1 milhão de pessoas certificadas. Certificação é empregabilidade, porque falta gente no mercado de tecnologia”, revelou.
O Magalu também tem feito um esforço para as mulheres estarem em cargos de liderança. “Temos mais de 30% de mulheres em cargos de conselho de administração, e somos só uma de 10 empresas da bolsa toda de valores brasileira que tem mais de 30% de mulheres em conselho de administração”, enfatizou Trajano.
Apesar de já contar com 50% da força de trabalho composta por mulheres, sendo 49% em nível gerencial e de liderança, o objetivo do Magalu é aumentar esses 30% que estão em nível de diretoria. “Esse equilíbrio precisa estar aonde a decisão acontece, que é nos cargos de alta liderança”, frisou o CEO.
Responsabilidade Social
Ao final do painel, Trajano também destacou a responsabilidade social da companhia na luta contra o feminicídio e o assédio, ressaltando que, mesmo em empresas com lideranças femininas, como é o caso de Magalu, é preciso vigilância constante.
“Embora tenhamos evoluído, não podemos baixar a guarda e temos que ser muito vocal em relação a essa questão”, afirmou ao citar o canal de denúncias do grupo que já atendeu mais de três mil mulheres. “Fizemos várias iniciativas para divulgar as centrais de denúncia, criamos um botão no aplicativo que a Lu é a protagonista da campanha para identificar e como denunciar violência contra a mulher”, disse.